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- mell280
04/09/2026 10h55
Campanha corre e 20 candidaturas ainda esperam a Justiça
Candidatos gastam e pedem votos enquanto aguardam decisão da Justiça
Por José Cândido
Vinte candidatos de Mato Grosso do Sul estão em campanha sem saber se terão seus registros confirmados pela Justiça Eleitoral. Entre eles estão dois políticos com trajetória conhecida e potencial para conquistar vagas na Assembleia Legislativa: o deputado estadual Jamilson Name, candidato à reeleição, e Jerson Domingos, ex-deputado estadual e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado.
Tio e sobrinho são alvos de pedidos de impugnação apresentados pelo Ministério Público Eleitoral. Além deles, outros 18 candidatos dependem de julgamentos do TRE-MS. Os motivos e as situações jurídicas não são necessariamente os mesmos, mas todos enfrentam uma dúvida que deveria ser resolvida o mais rapidamente possível: poderão ou não permanecer na disputa?
Impugnação não significa condenação. Jamilson, Jerson e os demais candidatos têm direito à defesa, ao contraditório e a um julgamento imparcial. Ninguém pode ser considerado inelegível antes da decisão da Justiça Eleitoral.
Desde 16 de agosto, entretanto, eles estão autorizados a pedir votos, contratar equipes, produzir material, impulsionar conteúdo nas redes sociais e movimentar estruturas que custam dinheiro. Em alguns casos, os recursos podem sair dos fundos públicos que financiam as campanhas.
A situação causa estranheza, mas não é ilegal. A legislação permite que candidatos com registros ainda não julgados ou mantidos sob análise judicial pratiquem todos os atos de campanha. Eles podem utilizar o horário eleitoral, receber recursos e até ter o nome mantido na urna. A validade dos votos, porém, fica condicionada ao deferimento do registro, conforme o artigo 16-A da Lei das Eleições.
Portanto, o fato de Jamilson e Jerson estarem em plena campanha não demonstra certeza de vitória judicial nem algum tipo de garantia de que escaparão das impugnações. Eles apenas exercem um direito assegurado pela legislação.
A questão relevante é outra: por quanto tempo o eleitor terá de acompanhar campanhas sem saber se os candidatos apresentados poderão efetivamente receber votos válidos?
O calendário eleitoral estabelece 14 de setembro, vinte dias antes do primeiro turno, como prazo para que todos os pedidos de registro, inclusive os impugnados e seus respectivos recursos nas instâncias ordinárias, estejam julgados e com as decisões publicadas. O TRE-MS ainda está dentro do prazo previsto pelo TSE. Estar dentro do prazo, contudo, não elimina a necessidade de urgência.
Prazo final não deveria virar meta de julgamento. Quanto mais a decisão demora, mais dinheiro é gasto, mais compromissos são assumidos e mais eleitores são mobilizados em torno de candidaturas que poderão ser retiradas da disputa.
Jamilson não é um estreante. Ocupa uma cadeira na Assembleia e busca a reeleição. Jerson também não chega agora à política. Foi deputado estadual e comandou o Tribunal de Contas. Os dois carregam experiência, estruturas eleitorais e potencial de votos. Uma eventual retirada da disputa teria efeito sobre suas campanhas, seus partidos, os demais candidatos das chapas e a própria composição da Assembleia.
Em uma eleição proporcional, a indefinição não atinge apenas o candidato. Os votos interferem no cálculo das vagas conquistadas pelos partidos e federações. Se o registro continuar sub judice, a validade desses votos ficará condicionada à decisão judicial.
O problema também não se resume aos dois nomes mais conhecidos. A existência de outros 18 candidatos aguardando julgamento mostra que a insegurança é mais ampla. São vinte campanhas consumindo recursos e disputando a confiança do eleitor sem que exista certeza sobre a presença definitiva de seus nomes na eleição.
É compreensível que processos dessa gravidade exijam cuidado. Julgamento rápido não pode significar julgamento apressado. Mas velocidade e responsabilidade não são incompatíveis. A Justiça Eleitoral foi estruturada justamente para funcionar com prioridade durante a campanha.
Não basta decidir antes da votação. É preciso decidir em tempo útil, antes que campanhas inteiras sejam financiadas, votos sejam consolidados e expectativas sejam criadas.
Nenhum candidato pode ser condenado por antecipação. Da mesma forma, o eleitor não pode ser obrigado a escolher no escuro. As campanhas já estão nas ruas, o dinheiro está sendo gasto e os votos estão sendo disputados. Agora, quem precisa acelerar o passo é o TRE-MS.
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