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Tempo integral muda rotina de famílias e avança para 43 mil alunos na rede estadual de MS


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  • mell280

04/09/2026 11h45

Tempo integral muda rotina de famílias e avança para 43 mil alunos na rede estadual de MS

Leonardo Rocha


 Modelo já está presente em 62% das escolas estaduais e ganha espaço no Ensino Fundamental: jornada ampliada também oferece apoio a famílias que precisam conciliar trabalho e cuidado com os filhos

A educação em tempo integral já alcança mais de 43 mil estudantes e está presente em 62% das escolas estaduais de Mato Grosso do Sul. A expansão, intensificada no Ensino Fundamental pela gestão Eduardo Riedel, busca ampliar aprendizagem e proteção às crianças, além de apoiar famílias que precisam conciliar trabalho e cuidado com os filhos. O avanço exige investimentos em infraestrutura, formação profissional e avaliação da qualidade das horas adicionais na escola.
 
Para Fernanda Fonseca Alves, de 32 anos, o horário em que os filhos entram e saem da escola está longe de ser apenas uma questão de rotina. Diarista e mãe solo de duas crianças, ela depende da jornada escolar para conseguir trabalhar sabendo que Emanuely, de 11 anos, e Henrique, de 3, estão protegidos e recebendo os cuidados necessários.
 
“O ensino integral me ajuda muito no dia a dia para eu conseguir ir trabalhar. Eu sei que eles estão seguros, tendo um aprendizado apropriado para a idade e com pessoas maravilhosas”, conta.
 
Emanuely estuda na Escola Municipal Sebastião Santa de Oliveira. Henrique está matriculado na EMEI Georgia Se Castro Nogueira Borges. Embora as duas unidades pertençam à rede municipal, a experiência de Fernanda ajuda a mostrar uma dimensão do ensino em tempo integral que ultrapassa a sala de aula: o impacto que uma jornada ampliada pode produzir também na organização da vida das famílias.
 
“A escola integral se tornou minha principal rede de apoio. Consigo trabalhar tranquila, sabendo que eles estão bem”, resume.
 
É justamente essa dimensão social, somada aos objetivos educacionais, que acompanha a expansão do modelo na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul. Sob a gestão de Eduardo Riedel, candidato à reeleição pelo Progressistas, o tempo integral chegou a mais de 43 mil estudantes e está presente em 62% das escolas estaduais, com jornadas de sete a oito horas.
 
Depois de uma primeira etapa mais concentrada no Ensino Médio, especialmente por meio das Escolas da Autoria, a política passou a avançar com mais intensidade sobre o Ensino Fundamental.
 
A intenção é atuar mais cedo na trajetória escolar, quando são construídas as bases da leitura, da escrita, do raciocínio lógico e da convivência social, antes que dificuldades de aprendizagem se acumulem e se transformem em obstáculos nas etapas seguintes.
 
Mais horas exigem uma escola diferente
 
Ampliar a jornada, entretanto, não significa simplesmente manter o estudante algumas horas a mais dentro da mesma estrutura.
 
Para que o tempo integral produza resultados, a escola precisa oferecer condições para uma rotina mais extensa: alimentação, acompanhamento pedagógico, atividades esportivas e culturais, tecnologia, espaços de convivência e atenção ao desenvolvimento dos estudantes.
 
“A proposta é que a escola deixe de ser apenas o lugar onde o aluno assiste às aulas e passe a funcionar como um espaço mais amplo de formação, convivência e construção de perspectivas para o futuro”, afirma Riedel.
 
Essa expansão também aumenta as responsabilidades do poder público. Uma escola organizada para receber alunos em apenas um período não necessariamente dispõe das condições adequadas para mantê-los durante sete ou oito horas.
 
Refeitórios, alimentação, quadras, laboratórios, conectividade, materiais pedagógicos, espaços de descanso e profissionais em quantidade suficiente passam a fazer parte da equação.
 
Por isso, o avanço das matrículas precisa ser acompanhado por investimentos em infraestrutura, formação das equipes e avaliação dos resultados. Mais do que medir quantos estudantes permanecem o dia inteiro na escola, o desafio é verificar se essas horas adicionais estão melhorando aprendizagem, frequência, aprovação e permanência.
 
Uma política que chega dentro de casa
 
Para famílias como a de Fernanda, entretanto, há outra consequência facilmente percebida.
 
Quando uma criança deixa a escola no início da tarde, mães, pais ou responsáveis precisam encontrar quem cuide dela durante o restante do dia. Para trabalhadores informais, famílias sem uma rede de apoio ou lares nos quais todos os adultos trabalham, essa diferença pode interferir diretamente na possibilidade de aceitar um emprego, manter uma jornada profissional ou evitar gastos adicionais com cuidados.
 
O peso dessa organização costuma atingir especialmente as mulheres, que muitas vezes precisam adequar a vida profissional ao horário dos filhos.
 
Nesse sentido, o tempo integral passa a exercer simultaneamente funções educacionais e sociais.
 
“Quando a criança permanece na escola durante sete ou oito horas, a família ganha maior previsibilidade. Pais e responsáveis sabem que, naquele período, o estudante está alimentado, acompanhado e participando de atividades educativas”, afirma o pré-candidato do Progressistas.
 
Na casa de Fernanda, essa previsibilidade significa poder sair para trabalhar com maior tranquilidade.
 
Para Emanuely, chamada pela família de Manu, a experiência é percebida de maneira mais simples. Aos 11 anos e no 5º ano, ela destaca aquilo que faz parte de sua rotina: as aulas, os amigos, o esporte e os momentos de convivência.
 
“Eu gosto muito das aulas de Matemática e Português. São as matérias que eu mais gosto de estudar”, conta.
 
O vôlei também está entre suas atividades preferidas, assim como o recreio, quando pode brincar e conversar com os colegas. Manu ainda destaca a alimentação e a relação com os profissionais da unidade.
 
“A comida é muito boa e todo mundo trata a gente com muito carinho. Eu me sinto acolhida aqui.”
 
Aprendizagem começa muito antes do emprego
 
Ao concentrar parte da expansão no Ensino Fundamental, o Governo do Estado também procura relacionar a política de tempo integral a uma estratégia de formação de longo prazo.
 
A preparação para uma economia mais tecnológica e diversificada não começa apenas quando o estudante chega ao Ensino Médio ou procura um curso profissionalizante.
 
Capacidade de interpretar informações, resolver problemas, trabalhar em equipe, adaptar-se e continuar aprendendo depende de conhecimentos construídos desde a infância.
 
Uma criança que acumula dificuldades de leitura e interpretação, por exemplo, tende a encontrar obstáculos posteriormente em matemática, ciências, tecnologia e formação profissional. Quando as defasagens se acumulam, aumenta também o desafio para acompanhar as etapas seguintes da vida escolar.
 
A jornada ampliada pode oferecer mais espaço para acompanhamento individualizado, recomposição da aprendizagem e experiências que ampliem o repertório dos estudantes. O resultado, porém, depende da qualidade das atividades desenvolvidas durante esse período adicional.
 
É nesse ponto que quantidade e qualidade passam a ser inseparáveis.
 
Estado e municípios dividem o desafio
 
O avanço do tempo integral também depende da articulação entre Estado e municípios.
 
A Educação Infantil e parcela importante dos primeiros anos do Ensino Fundamental estão concentradas nas redes municipais. Já a rede estadual tem presença maior nos anos finais do Fundamental e no Ensino Médio.
 
Ao ampliar sua participação no Ensino Fundamental, o Estado pretende contribuir para uma distribuição mais articulada das responsabilidades. A perspectiva é permitir que os municípios concentrem mais estruturas, profissionais e recursos na Educação Infantil, nas creches, na pré-escola e na alfabetização.
 
A lógica apresentada pelo governo é organizar a trajetória escolar como um processo contínuo, evitando que a passagem de uma rede para outra carregue dificuldades que poderiam ter sido identificadas anteriormente.
 
“Esse trabalho articulado é essencial para evitar que o estudante passe de uma rede para outra carregando lacunas que poderiam ter sido identificadas e enfrentadas mais cedo”, afirma Riedel.
 
O próximo desafio é combinar expansão e qualidade
 
Em novembro de 2025, a Secretaria de Estado de Educação informava que 213 escolas estaduais já ofereciam turmas em tempo integral nos ensinos Fundamental e Médio. Para 2026, a orientação anunciada era continuar ampliando a oferta nas duas etapas.
 
O crescimento do modelo, contudo, não significa que os principais desafios estejam resolvidos.
 
Ainda é necessário aumentar a cobertura, adaptar estruturas físicas, formar profissionais, aperfeiçoar o uso das horas adicionais e acompanhar com indicadores públicos os efeitos da política sobre a aprendizagem e a permanência dos estudantes.
 
O próximo ciclo, portanto, terá uma questão central: transformar expansão em qualidade.
 
Para as famílias, números como 43 mil estudantes ou 62% das escolas ajudam a dimensionar uma política pública. Na rotina, porém, seus efeitos aparecem de maneira muito mais concreta.
 
Para Fernanda, significam poder trabalhar sabendo onde os filhos estão e como estão sendo cuidados. Para Manu, significam aulas de Matemática e Português, vôlei, recreio, alimentação e tempo com os amigos.
 
É nessa rotina cotidiana que a expansão do ensino integral encontra seu teste mais importante: fazer com que as horas adicionais na escola representem, de fato, mais aprendizagem para as crianças e mais segurança para as famílias.
 
 
 




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