- mell280
12/01/2026 13h11
Transporte como primeiro termômetro da economia: por que a logística sente antes a desaceleração e a retomada do país
Primeira reunião do Comitê de Política Monetária em 2026, marcada para 27 e 28 de janeiro, tende a impactar o transporte de cargas antes mesmo de os reflexos aparecerem nos indicadores oficiais
Antes que o PIB confirme uma retomada, antes que o varejo volte a crescer de forma consistente e antes mesmo que os indicadores oficiais sejam divulgados, um setor já começa a dar sinais claros de mudança de ciclo econômico: o transporte de cargas. Altamente sensível ao crédito, ao nível de atividade industrial e ao giro de estoques, a logística costuma reagir quase imediatamente às decisões de política monetária no Brasil.
A atenção do mercado em janeiro de 2026 está voltada para a primeira reunião do COPOM, que ocorre nos dias 27 e 28 de janeiro, quando será anunciada a decisão sobre a taxa básica de juros. O encontro acontece após um período prolongado de juros elevados e em meio à expectativa de ajustes fiscais no início do novo ano, criando um cenário de cautela, mas também de possível inflexão no ciclo econômico .
Nos últimos anos, o impacto do crédito caro foi direto sobre o transporte rodoviário de cargas, responsável por mais de 60% da movimentação de mercadorias no país. Com juros elevados, indústrias reduziram pedidos, distribuidores enxugaram estoques e o volume de fretes caiu rapidamente. Transportadoras passaram a operar com maior ociosidade, enfrentando dificuldade para repassar custos e aumento do endividamento.
“A logística funciona como um termômetro antecipado da economia. Quando os juros apertam, o frete é um dos primeiros a sentir. Quando começam a aliviar, a retomada também aparece primeiro nas consultas e no volume de cargas”, afirma Célio Martins, gerente de novos negócios da Transvias.
Essa sensibilidade ocorre porque o transporte depende diretamente do acesso ao crédito. Em períodos de juros altos, o capital de giro encarece, o risco aumenta e as empresas adiam compras. Quando o custo do dinheiro começa a cair, o movimento se inverte — ainda que de forma gradual — e o transporte reage antes que o consumo final apareça nas estatísticas.
Na prática, esse comportamento pode ser observado por meio de dados operacionais.
“No Transvias, é possível identificar esse movimento com clareza. Em ciclos anteriores de flexibilização monetária, as consultas de frete cresceram entre 8% e 14% nos 30 a 60 dias seguintes às decisões do Comitê de Política Monetária, mesmo antes de qualquer melhora perceptível nos indicadores oficiais. Historicamente, quando há sinalização de redução ou estabilização dos juros, as consultas começam a crescer antes mesmo de o PIB confirmar a retomada”, explica Martins.
O segmento B2B tende a reagir primeiro.
“Em momentos de melhora das condições de crédito, as consultas de frete de indústrias, atacadistas e do agronegócio avançam entre 12% e 18%, enquanto o varejo cresce de forma mais gradual, normalmente entre 4% e 7%, reforçando o papel do transporte como indicador antecedente do ciclo econômico”, completa Martins, gerente de novos negócios do Transvias.
Para 2026, a expectativa do setor é de uma retomada gradual, ainda marcada por cautela e planejamento rigoroso. Mesmo assim, especialistas apontam que o transporte continuará sendo o primeiro setor a indicar se o país entrou, de fato, em um novo ciclo de crescimento.
“Se a decisão do COPOM sinalizar redução de juros, o transporte vai mostrar isso antes do PIB. O frete reage primeiro”, resume Martins.
Sobre o Transvias
Fundado em 1951, o Transvias se tornou o guia de referência para o transporte de cargas no Brasil, facilitando a conexão entre indústrias, comércios e transportadoras em todo o território nacional e no Mercosul. A missão do Transvias é agilizar o redespacho de cargas, proporcionando eficiência e transparência em todo o processo logístico. Com mais de 12 mil transportadoras cadastradas e 1,4 milhão de rotas cobertas, a empresa atende especialmente o mercado de cargas fracionadas, setor que movimenta anualmente mais de US$ 70 bilhões no Brasil e representa 61% do transporte de cargas no país.
Especializada em transporte de cargas fracionadas, o Transvias atende às necessidades crescentes de e-commerce, varejo e indústrias que demandam agilidade e precisão na movimentação de pequenas quantidades de mercadorias. O guia é atualizado semestralmente em sua versão impressa e continuamente em sua versão online, sendo uma ferramenta indispensável para a eficiência das operações logísticas no Brasil.
A empresa também promove maior transparência nas negociações de frete, proporcionando aos clientes acesso a uma vasta rede de transportadoras credenciadas, o que resulta em maior competitividade e eficiência na entrega de mercadorias.



