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Analise PPI e abertura de mercado, 15/10 | Avenue, especialista


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  • mell280

15/10/2026 10h00

Analise PPI e abertura de mercado, 15/10 | Avenue, especialista

Carolina Montuori


por Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue Gestora de Recursos

 

 

 

Ontem, já havíamos observado uma leitura do CPI mais aquecida do que o mercado previa. Como consequência, os investidores começaram a precificar uma probabilidade um pouco maior de um aumento de juros já em outubro, embora o cenário-base, com maior probabilidade implícita nos preços, ainda seja de um aumento apenas em dezembro.
Além disso, o mercado ontem estava bastante focado nas preocupações com os custos das empresas de inteligência artificial, que continuam subindo. A CoreWeave acabou sendo um dos destaques negativos, mas o movimento contaminou o setor de tecnologia como um todo.
Hoje pela manhã, tivemos também a Taiwan Semiconductor anunciando que deverá gastar significativamente mais em capex entre 2026 e 2028 do que nos últimos anos. Apesar de a companhia ter reportado receitas e lucros acima das expectativas, suas ações reagiram negativamente justamente por conta da perspectiva de investimentos mais elevados.
Nesse contexto, o que vimos ontem foi um movimento de venda de ações e compra de títulos do Tesouro americano. Ou seja, mesmo diante de um cenário de inflação mais elevada, a maior demanda por esses títulos aumentou seus preços e, como sabemos, os preços dos títulos e seus rendimentos, os yields, são inversamente proporcionais.
E o que vimos nesta manhã? Uma leitura do PPI muito mais aquecida do que o mercado esperava. O índice de preços ao produtor registrou uma alta de 1,3% em setembro, levando a variação anual a 6,3%. São avanços expressivos, tanto na comparação mensal quanto na anual, em patamares que não víamos desde 2022.
O mercado esperava uma alta bem mais moderada, de 0,6% em setembro, que, por si só, já representaria uma aceleração em relação aos 0,5% registrados no mês anterior.
O setor de tecnologia contribuiu de forma significativa para essa alta, mas não podemos atribuir todo esse movimento ao preço do petróleo. Quando excluímos os itens mais voláteis, como energia e alimentos, chegamos ao núcleo do indicador, que também apresentou uma alta expressiva, de 5% em termos anualizados.
Gosto de reforçar que temos muito presente a meta de inflação de 2% dos Estados Unidos, mas vale lembrar que essa meta se refere ao PCE, o índice de preços das despesas de consumo pessoal. O que estamos acompanhando nesta semana são o PPI e o CPI, indicadores que também geram preocupação no mercado, porque parte da pressão sobre os preços ao produtor pode, em algum momento, ser repassada ao consumidor final, pressionando a inflação medida pelo PCE.
Mas, por que os yields dos títulos do Tesouro americano continuam caindo nesta manhã? Um cenário de inflação mais elevada não deveria levar a taxas mais altas, diante da possibilidade de uma política monetária mais restritiva para conter essa pressão inflacionária?
Em condições normais, essa intuição está correta. No entanto, o mercado já vinha apresentando, ontem, aquele movimento que comentamos: venda de ações e busca por títulos do Tesouro americano.
Hoje, diante de um resultado do PPI muito acima das expectativas, estamos vendo a continuidade desse movimento. Preocupados com o cenário atual, os investidores estão buscando ativos considerados mais seguros, como os títulos da dívida pública americana.
Portanto, até o momento, a queda dos yields parece refletir muito mais essa busca por segurança, o famoso flight to safety, do que uma reação às perspectivas de política monetária decorrentes do PPI. Afinal, se o movimento estivesse sendo motivado principalmente pela expectativa de uma política monetária mais restritiva para conter a inflação, a tendência natural seria justamente a oposta: uma pressão de alta sobre os rendimentos dos títulos.


 

 




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