- mell280
14/10/2026 12h44
Inflação aperta o orçamento de quem sustenta filhos adultos e pais idosos
Com IPCA de 0,82% em setembro e alta de 7,98% na energia elétrica residencial, brasileiros de 41 a 60 anos enfrentam o desafio de equilibrar despesas próprias e responsabilidades familiares; faixa representa 35,7% dos inadimplentes do país.
A alta do custo de vida pesa ainda mais para quem precisa dividir a renda entre diferentes gerações da família. Em setembro de 2026, a inflação oficial do Brasil avançou 0,82%, com destaque para o aumento de 7,98% na energia elétrica residencial e de 0,83% no grupo de alimentação e bebidas, segundo o IBGE.
Nesse cenário, brasileiros de 41 a 60 anos enfrentam um desafio que vai além das próprias despesas: ajudar filhos adultos a pagar contas e contribuir com os custos de saúde e cuidados dos pais idosos. Conhecido como “Geração Sanduíche”, esse grupo representava 35,7% dos 83,7 milhões de inadimplentes registrados no Brasil em junho de 2026, segundo a Serasa.
O problema é que essas despesas nem sempre podem ser adiadas. Um filho desempregado pode precisar de ajuda para pagar aluguel e contas básicas. Um pai ou uma mãe idoso pode demandar medicamentos, consultas ou outros cuidados. Ao mesmo tempo, quem está no centro dessa operação continua pagando moradia, alimentação, educação, impostos e tentando construir uma reserva para a própria aposentadoria.
Essa pressão fica ainda mais evidente quando se olha para o mercado de trabalho de forma mais ampla. No trimestre encerrado em maio de 2026, além dos 6,1 milhões de pessoas desocupadas, o Brasil tinha outros milhões de trabalhadores em situações de subocupação ou que haviam desistido de procurar emprego. Com isso, a taxa de subutilização da força de trabalho chegou a 13,3%, o equivalente a 15,1 milhões de pessoas, segundo o IBGE. A informalidade também alcançava 37,3% dos ocupados, ou 38,3 milhões de trabalhadores.
Esse cenário ajuda a dimensionar o peso que recai sobre a chamada geração sanduíche. Mesmo quando há renda, ela nem sempre é suficiente ou estável para sustentar simultaneamente as próprias despesas, os cuidados com filhos e as necessidades de pais idosos. Quando essa renda precisa ser compartilhada entre diferentes gerações, qualquer redução nos ganhos pode pressionar ainda mais um orçamento que já tem pouco espaço para imprevistos.
“Uma renda que parecia suficiente pode se tornar apertada quando surgem duas ou três despesas que não estavam previstas. É nesse momento que o crédito pode aparecer como uma ponte para uma necessidade pontual, mas ele precisa ser tratado como compromisso futuro, não como renda adicional”, afirma Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, plataforma de empréstimo pessoal 100% online.
Há ainda uma particularidade dessa faixa etária: diferentemente de consumidores mais jovens, muitos brasileiros entre 41 e 60 anos já construíram um histórico financeiro ao longo de décadas. Isso pode ampliar o acesso a diferentes modalidades de crédito, mas não significa que a contratação seja automaticamente adequada. A capacidade de pagamento continua sendo determinante para evitar que uma solução de curto prazo se transforme em uma nova dívida.
“O histórico financeiro consolidado pode ajudar o consumidor a encontrar mais opções de crédito, mas também aumenta a responsabilidade na escolha. Antes de contratar, é importante olhar para o custo total e entender se a parcela continuará cabendo no orçamento mesmo que apareça uma nova despesa com os filhos ou com os pais”, diz Afonso.
O desafio da Geração Sanduíche, portanto, não se resume a ganhar mais ou gastar menos. É administrar um orçamento que passou a ter múltiplos dependentes em uma mesma casa ou família. E, quando a margem financeira diminuiu, até mesmo consumidores com renda estável e histórico de relacionamento com o sistema financeiro podem ficar vulneráveis à inadimplência.
A questão, para essa parcela da população, é encontrar equilíbrio entre essas três responsabilidades que podem se sobrepor. “Quando essas obrigações chegam ao mesmo orçamento, o crédito pode até aliviar a pressão imediata, mas o planejamento de como pagar a conta depois passa a ser tão importante quanto conseguir o dinheiro”, conclui o especialista.
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