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Criminalista transforma tese de doutorado em romance para defender que a assistência religiosa ressocializa mais que o Estado


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  • mell280

13/10/2026 14h00

Criminalista transforma tese de doutorado em romance para defender que a assistência religiosa ressocializa mais que o Estado

Dielin da Silva


No livro "Luz nas grades", advogado com mais de duas décadas de Tribunal do Júri, Eder Ricardo Fior usa a ficção para lembrar que todo preso um dia volta às ruas e perguntar em que condições ele retorna

 

 

 

No Brasil, todo criminoso condenado um dia retorna ao convívio social e ao mercado de trabalho. Para o advogado criminalista e doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, Eder Ricardo Fior, a pergunta que importa à segurança pública é: em que condições ele volta? Em Luz nas grades - Bandido bom é bandido RECUPERADO!, o autor argumenta que as prisões brasileiras devolvem à sociedade pessoas mais violentas do que receberam e que a assistência religiosa, prevista na Lei de Execução Penal e subaproveitada, cumpre o papel que o sistema promete e não entrega.

Lançamento da  Editora Lux, o romance adapta a tese de doutorado de Fior e detalha como o Estado financia um modelo caro, burocrático e ineficaz de ressocialização, enquanto voluntários que entram nas unidades prisionais sem salário, contrato ou proteção institucional alcançam resultados que a máquina pública não obtém.

Na obra, inspirada em histórias reais, o leitor acompanha a trajetória de João Vicente, condenado a 12 anos por tráfico, da chegada à cela 217 até a saída como mentor de outros presos e egressos. Quem o aproxima da mudança é o Pastor Elias, ex-detento que conduz cultos semanais na unidade. Os personagens são fictícios, mas o cenário vem da experiência do autor em audiências, parlatórios e celas de cadeia pública. Estão ali a superlotação, a defensoria sobrecarregada que atropela a instrução do processo, as punições coletivas e os direitos à educação, ao trabalho e à assistência jurídica que, segundo o especialista, existem apenas no papel.

O caminho de recuperação proposto por meio do enredo se apoia em presença constante, escuta sem julgamento, leitura em grupo e responsabilização pessoal. João começa a escrever com carvão de bituca de cigarro sobre um pedaço de papelão, organiza círculos de leitura e ensina um preso analfabeto a assinar o próprio nome. A resistência mais dura vem da própria administração, que rasga Bíblias durante revistas, barra o pastor com a autorização em dia e registra em relatório interno a suspeita de "manipulação ideológica".

A saída da prisão ocupa boa parte da narrativa e expõe os desafios da reintegração. Já em liberdade, João ouve de empregadores que eles não aceitam ex-detentos, tem moradia negada por ter "passagem" e enfrenta desconfiança até para abrir conta em banco. O recomeço só se torna possível com uma rede formada por moradia temporária, capacitação profissional, apoio psicológico e grupos de egressos.

Criminalista desde 1999, com a experiência de centenas de plenários no Tribunal do Júri, Eder Ricardo Fior já atuou como secretário municipal de Segurança, Ordem Pública e Trânsito em Luís Eduardo Magalhães (BA). Psicanalista, bacharel em Teologia e professor universitário, também presidiu comissões da OAB no Distrito Federal. Longe de pregar a defesa de criminosos, ele não pede abrandamento de penas nem relativiza culpas. O protagonista, por exemplo, cumpre a condenação e assume o que fez sem se vitimizar. A reflexão apresentada é a de que a pena precisa ser uma retribuição justa e instrumento para que o condenado não volte pior. A preocupação central do livro está na segurança de quem vai conviver com o egresso depois que o portão se abre.

Para Fior, a assistência religiosa cristã, recorte de sua tese, ocupa um espaço que o Estado deixa vazio. Ela oferece presença regular de alguém de fora, escuta sem julgamento, uma comunidade dentro da cela e uma identidade diferente da ficha criminal. O autor, porém, não apresenta a fé como solução isolada. A virada de João depende também de remição de pena por estudo, de uma ONG que oferece moradia e capacitação e de um primeiro emprego.

A leitura de Luz nas grades revela como ressocializar é uma questão de sobrevivência coletiva, porque quem volta pior reabre o ciclo com mais violência. A pergunta que o autor deixa ao leitor desde a introdução continua em aberto para o debate público: se o sistema estatal não recupera o indivíduo e a fé regenera, por que insistimos no que falha e negligenciamos o que transforma?

Ficha técnica

Título: Luz nas grades - Bandido bom é bandido RECUPERADO!
Autoria: Eder Ricardo Fior
Editora: Editora Lux
ISBN: 978-65-5308-088-1
Páginas: 127
Preço: R$ 31,99
Onde encontrar: Amazon

Sobre o autor: Eder Ricardo Fior é Advogado Criminalista desde 1999, acumula centenas de plenários no Tribunal do Júri, é Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino (UMSA), título obtido com a tese "A Ressocialização do Preso por meio da Assistência Religiosa Cristã". Palestrante e professor universitário, foi Vereador, Presidente da Câmara, Secretário Municipal de Segurança, Ordem Pública e Trânsito no município de Luís Eduardo Magalhães (BA). Bacharel em Teologia, foi Presidente da Comissão de Isonomia e Porte de Armas; Comissão de Prerrogativas; Comissão do Tribunal do Júri; e Conselheiro na OAB Águas Claras/DF. Membro Relator do Tribunal de Prerrogativas da Seccional do Distrito Federal. Ocupa a cadeira nº 19, na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (ABRASCI), cujo Patrono é Franz Von Liszt.

Redes sociais do autor:

Instagram: @ederfior | LinkedIn: Eder Fior

 

 


Foto: Arquivo pessoal
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