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Brasil tem 95 celulares furtados por hora e fraudes com aparelhos roubados crescem 340%


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  • mell280

24/09/2026 06h00

Brasil tem 95 celulares furtados por hora e fraudes com aparelhos roubados crescem 340%

Orlando Duarte


Foto ilustrativa

Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 registra 830.890 aparelhos subtraídos no ano. Furtos sobem enquanto roubos caem, indicando mudança de estratégia do crime

O Brasil registrou mais de 830 mil celulares subtraídos em 2025, uma média de 95 aparelhos por hora, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. O dado que chama atenção não é apenas o volume, mas a mudança de perfil. Enquanto os roubos de celular caíram 18,6% no período, os furtos subiram 0,9%. Ou seja, o criminoso passou a preferir levar o aparelho sem confronto direto com a vítima.

A explicação para essa mudança está no que vem depois. Dados do relatório Tendências de Fraude em Bancos Digitais na América Latina 2026, produzido pela BioCatch e citado pelo Anuário, mostram alta de aproximadamente 340% nos casos de fraude originados em dispositivos roubados no Brasil, com forte concentração no último trimestre de 2025. Na América Latina como um todo, o crescimento foi de 344%.

O celular deixou de ser o alvo e virou a porta de entrada

O aparelho subtraído não é mais um bem destinado apenas à revenda. Ele funciona como acesso direto a aplicativos bancários, contas digitais, dados pessoais e, principalmente, aos mecanismos de recuperação de senha. O modus operandi é consistente. O aparelho é tomado enquanto está desbloqueado, o criminoso aciona a função de recuperação de credenciais e recebe o código por SMS ou e-mail cadastrado no próprio dispositivo. Em minutos, ele executa transferências via Pix antes que a vítima consiga solicitar o bloqueio.

A estratégia do criminoso mudou porque o valor mudou de lugar. Ninguém circula com milhares de reais na carteira, mas praticamente todo brasileiro carrega acesso à sua conta bancária no bolso. Furtar sem confronto reduz o risco de flagrante e ainda garante tempo para explorar o conteúdo do aparelho com calma.

O receio da população acompanha essa lógica. Segundo o Anuário, 83,2% dos brasileiros têm medo de sofrer um golpe pela internet ou pelo celular, percentual superior ao medo do próprio roubo físico do aparelho, que é de 78,8%.

A dispersão do dinheiro é a etapa invisível

Depois da transferência, o valor é rapidamente fragmentado entre contas de terceiros. Dados da BioCatch identificaram uma alta de 42% nas contas laranja reportadas na América Latina em 2025. Essa fragmentação torna o rastreamento significativamente mais difícil e revela uma fragilidade estrutural do sistema de prevenção. As instituições financeiras concentram seus controles no comportamento de quem envia o dinheiro, mas ainda analisam de forma limitada a conta que recebe os recursos.

“Quando o aparelho é subtraído desbloqueado, todas as camadas de autenticação já foram superadas. Senha, biometria e token não atuam nesse cenário porque o dispositivo está aberto. O que ainda permite identificar a fraude é o comportamento. A forma como a pessoa segura o aparelho, o ritmo de navegação, a hesitação antes de confirmar uma transação. Esses padrões são únicos e não são replicáveis por quem acabou de tomar o celular na rua”, explica Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina.

Contexto

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato no país em 2025, com crescimento de 429,8% desde 2018. Somente os registros de estelionato por meio eletrônico somaram 346.753 casos, alta de 20,6% em um ano. A publicação é produzida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e cita o relatório da BioCatch como referência sobre a dinâmica regional das fraudes.

Sobre a BioCatch

A BioCatch previne fraudes e crimes financeiros ao reconhecer padrões no comportamento humano, coletando continuamente mais de 3.000 pontos de dados anonimizados - atividade de teclado e mouse, comportamento na tela sensível ao toque, uso de agentes de IA, dispositivos com jailbreak e muito mais - conforme as pessoas interagem com suas plataformas bancárias digitais. Com esses inputs, os modelos de IA e aprendizado de máquina da BioCatch avaliam continuamente tanto a intenção do usuário quanto quaisquer sinais de coerção ou manipulação durante cada milissegundo de cada sessão bancária digital, permitindo aos bancos distinguir o criminoso do legítimo em tempo real. Insights extraídos de toda a rede de instituições BioCatch amplificam ainda mais o poder e a precisão dessa pontuação de risco em tempo real. Até o final do primeiro trimestre de 2026, mais de 30 dos 100 maiores bancos do mundo e 357 instituições financeiras no total implantam as soluções da BioCatch, analisando 18 bilhões de sessões de usuários por mês e protegendo mais de 680 milhões de contas acessadas de mais de 1,7 bilhão de dispositivos ao redor do mundo contra fraudes e crimes financeiros.

 


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