- mell280
12/09/2026 12h43
Bets ampliam pressão sobre o orçamento e elevam risco de inadimplência entre brasileiros
Estudo mostra que apostadores apresentam nível de inadimplência 20% maior, enquanto atrasos no cartão de crédito aumentam 38,7% após o início das apostas
O avanço das apostas esportivas online já começa a aparecer de forma mais clara nos indicadores de saúde financeira dos brasileiros. Um estudo conduzido por Sérgio Firpo, professor do Insper, e por pesquisadores da Stone comparou pessoas que fizeram a primeira aposta depois de janeiro de 2025 com aquelas que nunca gastaram dinheiro com bets.
Os resultados mostram que, 12 meses após a primeira aposta, o nível de inadimplência era 20% maior entre os apostadores em comparação com quem não aposta. Quando analisadas especificamente as faturas atrasadas do cartão de crédito, o aumento chega a 38,7%. O levantamento reforça a relação entre o direcionamento de recursos para plataformas de apostas e a deterioração da capacidade de pagamento dos consumidores.
O estudo também mostra que, para um em cada dez apostadores, 20% de todo o dinheiro que sai da conta é direcionado para jogos de azar. Nos seis primeiros meses de apostas, 82,5% dos jogadores não receberam qualquer recurso de volta, enquanto 90,8% transferiram para as plataformas mais dinheiro do que receberam no mesmo período.
O perfil. Indivíduos mais jovens comprometem uma fatia maior do orçamento com bets e são mais afetados pelo endividamento, indica o estudo. Atualmente, cerca de 25 milhões de brasileiros fazem apostas em plataformas online, evidenciando a dimensão que esse mercado ganhou no país.
O cenário ganha relevância diante do atual nível de endividamento das famílias brasileiras. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que, em abril de 2026, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, o maior índice da série histórica.
Além disso, estimativas recentes apontam que as famílias brasileiras perderam R$62,5 bilhões para as bets em 2025, reforçando o peso que as apostas passaram a representar sobre o orçamento doméstico.
Para Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, fintech de crédito pessoal 100% online, o crescimento das apostas esportivas pode agravar um cenário de fragilidade financeira ao deslocar recursos que seriam destinados ao pagamento de despesas e compromissos. “Quando uma parcela relevante da renda passa a ser direcionada às apostas, o consumidor reduz sua margem para lidar com despesas recorrentes e imprevistos”, alerta.
“Os dados mostram que não se trata apenas do dinheiro perdido nas apostas, mas de um efeito que pode se estender para outras áreas da vida financeira. O aumento da inadimplência, dos atrasos no cartão e a redução do limite de crédito indicam que o impacto das bets pode comprometer a capacidade de pagamento do consumidor no médio prazo”.
Reorganização financeira e prevenção do endividamento
Diante desse cenário, a reorganização financeira ganha importância, especialmente entre consumidores que já apresentam dívidas ou comprometimento elevado da renda. Para o especialista, a mudança de comportamento precisa acompanhar qualquer estratégia de recuperação financeira.
“Renegociar dívidas é importante, mas recuperar o controle financeiro exige também rever hábitos de consumo e estabelecer limites claros para o uso do dinheiro. No caso das apostas, é fundamental entender que o recurso destinado às bets deixa de estar disponível para outras obrigações e que tentar recuperar perdas com novas apostas pode aprofundar o desequilíbrio financeiro”, conclui.
Sobre a Simplic
Lançada em 2014 no Brasil, a Simplic é a primeira plataforma de crédito pessoal 100% online do País. Inovadora, a ferramenta utiliza inteligência artificial, machine learning e big data para analisar dados dos usuários advindos de mais de 200 variáveis e é capaz de gerar uma resposta em menos de 3 segundos. Oferece empréstimos entre R$500 e R$3.500, que podem ser pagos em 3, 6, 9 ou 12 vezes, tudo de forma prática, rápida, segura e digital. Hoje, analisa mais de 10 mil propostas por dia e já originou mais de dois bilhões de reais desde o início das operações


