12/09/2026 10h45
Análise de abertura de mercado, 11/9
Carolina Montuori
Fernando Saad Benati - estrategista global da Avenue
Hoje, não tem como desviar do principal tema do dia: a inflação nos Estados Unidos. Antes disso, porém, vale passar rapidamente pelo panorama e pelo pano de fundo deixado pelo pregão de ontem.
Ontem, tivemos um sell-off intenso nas Treasuries americanas. A taxa do título de dois anos está agora na casa de 4,57%, patamar em que a Treasury de dez anos estava há poucos meses. Já a taxa de dez anos testa os 4,96% nesta manhã.
Ao contrário do que muitas vezes se comenta, no último mês o spread entre os títulos de dois e dez anos diminuiu. Ou seja, estamos vendo uma curva menos inclinada nesse trecho, indicando que o mercado não está precificando uma recessão iminente ou uma crise fiscal nos Estados Unidos. Apesar de todo o noticiário em torno da dívida americana, próxima dos US$ 40 trilhões, não é esse o cenário que o mercado de renda fixa vem sinalizando neste momento.
No Brasil, tivemos um pregão positivo ontem, mas a manhã é de maior cautela. O EWZ opera em território negativo. No campo político, a pesquisa Paraná Pesquisas divulgada ontem mostrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Hoje, depois do fechamento do mercado, teremos ainda a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha.
Na agenda econômica brasileira, o destaque desta manhã foi o IPCA de agosto. O mercado já esperava deflação de 0,29%, principalmente em razão do bônus de Itaipu, mas o índice veio ainda mais baixo, com queda de 0,32%. Mesmo assim, o dado não foi suficiente para mudar o clima de cautela no mercado local.
Nos Estados Unidos, por outro lado, os futuros operam em alta. Nas últimas horas, o Brent, que chegou a superar os US$ 110, recuou e agora é negociado perto dos US$ 104 por barril. O mercado também foi impulsionado pela alta de mais de 7% da Oracle no pré-mercado, após a companhia divulgar resultados acima das expectativas e uma perspectiva também superior ao que os analistas projetavam.
O movimento positivo não se restringe aos Estados Unidos. As bolsas europeias também operam majoritariamente no campo positivo, em uma região particularmente sensível aos preços do petróleo por sua forte dependência de importações da commodity.
De toda forma, o principal foco do dia segue nos Estados Unidos, com a divulgação do CPI. O mercado espera alta de 0,4% nos preços ao consumidor em agosto, acima do avanço de 0,1% registrado em julho.
Embora não seja considerado uma prévia direta do CPI, o PPI divulgado ontem mexeu bastante com as expectativas do mercado. Antes do dado, a probabilidade de uma alta de juros na próxima reunião estava próxima de 60%. Depois da divulgação, superou 73% e, nesta manhã, está em torno de 70%.
Portanto, a leitura do CPI de hoje pode voltar a mexer de forma relevante com essas expectativas e, consequentemente, com a curva de juros americana. Embora o CPI não seja a métrica preferida do Federal Reserve para acompanhar a inflação, papel ocupado pelo PCE, o dado continua sendo uma referência importante para a percepção do mercado sobre os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos.



