12/09/2026 12h00
Alimentos sobem mais de 20 vezes a inflação da Capital
Cebola e repolho acumulam altas superiores a 80% no ano, enquanto IPCA de Campo Grande está em 3,79%; clima pode pressionar os preços nos próximos meses
SÚZAN BENITES
O preço de alguns alimentos disparou em Campo Grande e chegou a subir mais de 20 vezes a inflação acumulada no ano.
Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da Capital registra alta de 3,79% de janeiro a agosto, produtos como cebola e repolho acumulam aumentos superiores a 80%.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma pressão bastante desigual dentro da cesta de consumo. A cebola acumula alta de 81,60%, o equivalente a 21,5 vezes a inflação geral, enquanto o repolho subiu 80,74%, ou 21,3 vezes o IPCA.
Outros alimentos também apresentam aumentos muito acima do índice geral. A melancia acumula alta de 36,82%, quase 9,7 vezes a inflação, enquanto o feijão-carioca subiu 28,73%, 7,6 vezes o índice. O levantamento considera a variação acumulada no ano até agosto.
A disparidade fica evidente mesmo entre produtos que fazem parte do mesmo grupo. O grupo alimentação e bebidas acumula alta de 3,36%, abaixo do índice geral de Campo Grande, de 3,79%. No entanto, alguns itens registram reajustes muito superiores à média.
Entre os produtos com aumentos acima da inflação estão ainda o leite longa-vida, com alta de 13,19%, o queijo, com 12,54%, o iogurte e bebidas lácteas, com 12,24%, além da batata-inglesa, que acumula alta de 12,06%.
Nas carnes, o avanço também supera o IPCA em diversos cortes. O músculo registra alta de 11,60%, a paleta, de 12,60%, a capa de filé, de 12,01%, e a costela, de 8,57%. O grupo carnes acumula alta de 8,23%, mais que o dobro da inflação da Capital.
Mensal
O comportamento registrado em agosto mostra como os preços dos alimentos podem oscilar significativamente. Apesar das fortes altas acumuladas ao longo do ano, alguns produtos tiveram quedas expressivas no mês.
A batata-inglesa caiu 20,33% em agosto, enquanto a cebola recuou 12,44%, o feijão-carioca teve queda de 10,12% e o tomate ficou 8,48% mais barato. Mesmo assim, os produtos continuam apresentando alta significativa no acumulado do ano.
No caso da cebola, por exemplo, a redução registrada em agosto ainda não foi suficiente para reverter a forte valorização acumulada anteriormente.
A dinâmica ajuda a explicar por que a inflação oficial e a percepção de aumento dos preços no supermercado podem apresentar diferenças. O IPCA mede uma cesta ampla de produtos e serviços, enquanto o impacto no orçamento de cada família depende dos itens consumidos com maior frequência.
Em agosto, o IPCA de Campo Grande registrou deflação de 0,20%, após ficar estável em julho. Mesmo com a queda do índice geral, cinco dos nove grupos pesquisados tiveram aumento. Alimentação e bebidas avançou 0,09% no mês, com alta de 0,63% na alimentação no domicílio.
Entre os principais aumentos registrados no mês estiveram a melancia (14,39%), a mandioca (5,35%), a banana-d’água (4,37%), as carnes (1,57%) e hortaliças e verduras (1,30%). Na outra ponta, batata, cebola, feijão e tomate contribuíram para conter a inflação de alimentos.
Segundo pesquisa da Serasa Experian em agosto deste ano, 53% dos trabalhadores brasileiros chegam ao fim do mês sem dinheiro suficiente para pagar todas as despesas. Entre eles, 78% apontam a alimentação como um dos gastos que mais comprometem a renda, à frente de despesas como água, luz e gás, citadas por 72%.
Mais do que mostrar que comer ficou caro, os números ajudam a entender uma dificuldade que aparece no orçamento doméstico: quando a renda é limitada, não existe a possibilidade de simplesmente eliminar a alimentação da lista de despesas.
Para a cofundadora da Bem Educação e especialista em comportamento financeiro, Ana Leoni, é justamente nesse ponto que a educação financeira deixa de ser uma questão de matemática e passa a envolver comportamento.
“Dietas financeiras com planos de ação eficazes trazem certo resultado a curto prazo, sem dúvida. O problema é que nunca são sustentáveis por muito tempo”.

A comparação com as dietas ajuda a explicar um comportamento comum quando as contas apertam. A pessoa percebe que gastou mais do que deveria e tenta compensar fazendo cortes radicais. O problema é que uma estratégia baseada apenas em restrições tende a ser difícil de manter.



