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Ressincronização aumenta produção de bezerros e encurta estação de monta na pecuária de corte


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09/09/2026 09h00

Ressincronização aumenta produção de bezerros e encurta estação de monta na pecuária de corte

Caio Urbano


Estratégia permite uma segunda IATF em fêmeas que não emprenharam na primeira tentativa e pode gerar até 10% mais bezerros
 
 
Com o início da estação de monta, o pecuarista busca estratégias para aumentar a eficiência reprodutiva e aproveitar melhor cada matriz do rebanho. Uma das ferramentas que ganha espaço nesse cenário é a ressincronização, estratégia associada à Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) – técnica empregada em mais de 90% das inseminações de bovinos no país.
 
 
A ressincronização permite identificar as fêmeas que não emprenharam após a primeira IATF e submetê-las a um novo protocolo reprodutivo. “Com a ressincronização, o pecuarista pode inseminar novamente as fêmeas que não emprenharam na primeira tentativa, reduzindo o intervalo entre as inseminações. Essa possibilidade aumenta a eficiência do sistema e permite concentrar mais prenhezes na estação de monta”, explica Fernando Furtado Velloso, diretor técnico da ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial).
Com taxa média de prenhez de até 50% na IATF, resta um volume significativo de fêmeas que podem ser submetidas a uma nova inseminação na mesma estação de monta. No sistema tradicional, as matrizes que não emprenham normalmente seguem para repasse, período em que permanecem com touros para uma nova tentativa de prenhez por monta natural.
Segundo Fernando Velloso, a ressincronização pode resultar em 6% a 10% a mais de bezerros em comparação ao sistema tradicional de IATF seguido de repasse.
Além de ampliar o número de prenhezes, a técnica contribui para reduzir em 20 a 30 dias a duração da estação de monta, tornando o período reprodutivo mais concentrado e eficiente. O diretor da ASBIA explica que há diferentes possibilidades de aplicação da ressincronização. “No protocolo tradicional, o diagnóstico de gestação é realizado por ultrassonografia cerca de 30 dias após a primeira IATF, permitindo identificar as fêmeas vazias e iniciar a nova programação. Em protocolos mais precoces, o uso de Doppler (que permite o diagnóstico de gestação mais cedo que o ultrassom comum) antecipa a avaliação, que pode ser realizada 21 dias após a primeira tentativa de inseminação”.
De acordo com ele, o impacto da estratégia vai além do número final de prenhezes. Ao concentrar mais gestações no início da estação, a ressincronização contribui para concentrar mais nascimentos nos primeiros 45 dias da estação de parição. Esses animais têm mais tempo para ganhar peso até o desmame, o que pode contribuir para ter bezerros mais pesados e maior uniformidade dos lotes, além de facilitar o planejamento e o manejo da propriedade.
Para além das questões técnicas, a avaliação econômica também deve fazer parte da decisão. Embora a ressincronização envolva custos adicionais com sêmen, hormônios e serviços, o retorno deve ser analisado a partir dos quilos extras de bezerros produzidos, recomenda Fernando Velloso. “Os custos da IATF representam aproximadamente 5% do valor do bezerro ao desmame. Quando consideramos o potencial de produzir mais bezerros e concentrar os nascimentos, especialmente em um momento favorável para a pecuária, a relação entre investimento e retorno pode ser bastante positiva”.
Com a estação de monta próxima, o planejamento do manejo reprodutivo passa a ser determinante para o resultado da próxima safra de bezerros. Nesse contexto, a ressincronização amplia as possibilidades oferecidas pela IATF, permitindo identificar rapidamente as fêmeas vazias, realizar nova inseminação em curto intervalo e obter mais nascimentos no início da estação de parição e, consequentemente, mais eficiência na produção de bezerros.
Sobre a Asbia
Fundada em novembro de 1974, a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) tem como objetivo difundir e fomentar o uso da inseminação artificial na pecuária nacional. Para isso, a entidade realiza ações visando a promoção e divulgação da técnica, além de colaborar com poderes governamentais. A Asbia também busca cooperar com o aperfeiçoamento e o desenvolvimento do setor empresarial, para ampliar o mercado e melhorar os sistemas de distribuição de seus produtos.