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- mell280
05/09/2026 17h34
Industrialização redesenha economia de MS e amplia cadeias produtivas no interior
Ribas do Rio Pardo exemplifica os impactos do crescimento acelerado, enquanto milho, pescado, carnes, cana, soja, minérios e citricultura ampliam a geração de valor e empregos no Estado.
assessoria
A industrialização começa a mudar o perfil econômico de Mato Grosso do Sul, ampliando cadeias que vão da celulose e do milho à piscicultura, pecuária, cana, soja e citricultura. Em Ribas do Rio Pardo, Hillary Jerônimo sintetiza a mudança de uma cidade antes marcada pela pecuária para um polo industrial. O governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição, defende que o crescimento privado seja acompanhado por investimentos públicos em saúde, educação, saneamento e infraestrutura.
“Aqui era conhecido como a terra do gado, né? E aí ela virou do nada a terra da indústria.” A frase de Hillary Jerônimo, assistente de PCM em Ribas do Rio Pardo, resume em poucas palavras uma transformação que alterou não apenas a economia do município, mas também sua paisagem urbana, a demanda por serviços públicos e a rotina de quem vive na cidade.
Com a chegada da indústria, Ribas atravessou um período em que recebeu mais de 10 mil novos moradores durante a instalação da fábrica de celulose. O movimento trouxe empregos e oportunidades, mas também aumentou rapidamente a necessidade por moradia, saneamento, pavimentação, escolas e atendimento de saúde.
Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, é justamente essa combinação entre investimento privado e capacidade de resposta do poder público que determina se um ciclo de expansão econômica será sustentável. Ao observar a grande unidade industrial instalada no município, ele afirma enxergar algo além da própria fábrica.
“Pra mim é uma coisa muito maior, eu enxergo uma transformação desse Estado, tudo que está por trás dela, a infraestrutura, o serviço, a política pública, a confiança desse empresário que veio pra cá”, afirmou.
A experiência de Ribas ajuda a compreender o tamanho do desafio. Segundo Riedel, mais de R$ 9 milhões foram investidos na saúde do município, uma nova escola estadual foi construída, outras duas foram ampliadas, diferentes obras de infraestrutura chegaram à cidade e a cobertura dos serviços de esgoto alcançou 99%. O governador também cita duas rodovias entre as intervenções associadas ao processo de expansão.
O objetivo, segundo ele, é impedir que a velocidade dos investimentos privados ultrapasse a capacidade de atendimento das cidades. “Sem uma atuação estratégica do poder público, o crescimento vira um caos. O custo de vida sobe, falta o básico e os serviços públicos entram em colapso”, disse.
Produção deixa de ser apenas matéria-prima
A mudança em curso não se limita às grandes fábricas de celulose. Uma das frentes de transformação econômica apontadas por Riedel está na tentativa de agregar valor àquilo que Mato Grosso do Sul já produz, fazendo com que uma parcela maior da cadeia industrial permaneça dentro do Estado.
Em Nova Alvorada do Sul, Dourados e Maracaju, por exemplo, o milho passa a abastecer a produção de etanol e ração. Na piscicultura, municípios como Aparecida do Taboado, Selvíria, Itaporã e Mundo Novo aparecem ligados à expansão da tilápia.
Nesse caso, o aproveitamento vai além da carne destinada ao mercado consumidor e à exportação. A pele é utilizada na produção de couro, enquanto espinhas e vísceras podem ser convertidas em óleo de peixe e ração animal.
A mesma lógica alcança a pecuária bovina. Além da carne, o sebo é utilizado na fabricação de biodiesel, os ossos podem ser transformados em farinha destinada à alimentação animal e o couro abastece setores como os de calçados, móveis e automóveis.
Mato Grosso do Sul também aparece como o maior polo de exportação de celulose do país, com Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo entre os principais centros da atividade. A produção tende a crescer com duas novas fábricas previstas em Inocência e Bataguassu.
A diversificação também passa pela avicultura. O Estado é apontado como o sétimo maior exportador brasileiro de carne de frango, com produção liderada por municípios como Sidrolândia, Dourados, Ivinhema e Itaquiraí. A suinocultura, por sua vez, avança por diferentes regiões, de São Gabriel do Oeste a Glória de Dourados.
Cana, soja, minérios e novas fronteiras de produção
A cana-de-açúcar está presente em mais de 40 municípios e abastece cadeias de bioenergia, combustíveis e açúcar. A soja produzida em áreas como Ponta Porã, Maracaju, Dourados e São Gabriel do Oeste também segue para processamento em óleo e farelo.
Na mineração, ferro, manganês e calcário extraídos em Corumbá e no sudoeste de Mato Grosso do Sul abastecem a construção civil e a indústria siderúrgica.
Outra fronteira começa a surgir na citricultura.
Em Sidrolândia, o gerente de produção agrícola Airton Antônio Pierobon afirma que a perspectiva de produtividade foi decisiva para a implantação de um projeto de cultivo de laranja no município. Atualmente, segundo ele, os pomares trabalham com aproximadamente 500 plantas por hectare e produtividade de quatro caixas por planta.
“No Mato Grosso do Sul tem se mostrado que isso é possível e isso nos trouxe a confiança de fazer a implantação de todo o projeto”, afirmou.
A operação emprega atualmente cerca de 500 pessoas diretamente na manutenção dos pomares. Com o crescimento das áreas cultivadas e o avanço da colheita, Pierobon estima que o número possa chegar a algo entre 2 mil e 2,3 mil trabalhadores.
O projeto também aponta para uma segunda etapa, capaz de ampliar novamente a cadeia de valor. “O passo seguinte dessa história é a industrialização, produzir o suco aqui”, afirmou.
Crescimento desafia cidades e abre espaço para novos serviços
A expansão industrial produz efeitos que ultrapassam os limites das fábricas e propriedades rurais. Mais trabalhadores significam novos consumidores, enquanto empresas maiores demandam fornecedores, transporte, manutenção, alimentação, construção, serviços especializados e profissionais qualificados.
Para Riedel, é esse efeito multiplicador que permite que um investimento inicialmente concentrado em determinada atividade alcance outros setores da economia.
O governador cita desde motoristas de aplicativos e trabalhadores da construção civil até salões de beleza, profissionais liberais, comerciantes e empresários entre aqueles que podem ser alcançados indiretamente por uma economia com maior circulação de renda.
Ao mesmo tempo, o exemplo de Ribas do Rio Pardo mostra que o avanço econômico também impõe responsabilidades ao Estado. Quanto maior a velocidade do crescimento, maior tende a ser a pressão sobre escolas, unidades de saúde, saneamento, habitação, ruas e rodovias.
“A jornada ainda é longa, porque quanto mais a gente cresce, maior é o desafio e maior tem que ser a nossa capacidade de entrega”, reconheceu Riedel.
A equação passa, portanto, por fazer com que a riqueza gerada pelas novas cadeias produtivas não termine nos portões das indústrias. O desafio é transformar investimentos em empregos, serviços, infraestrutura e oportunidades distribuídas pelas cidades que recebem esse novo ciclo econômico.
Como resume o governador: “Quanto mais o dinheiro circula, mais oportunidades aparecem para todo mundo”.
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