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Mesmo após governo estabelecer teto, taxa cobrada sobre Vale-Refeição dispara e pressiona pequenos bares e restaurantes


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  • mell280

22/08/2026 08h30

Mesmo após governo estabelecer teto, taxa cobrada sobre Vale-Refeição dispara e pressiona pequenos bares e restaurantes

Katrina Coelho


Pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec mostra que custo médio do benefício subiu de 5,19% para 6,18% em um ano; decreto de regulamentação do PAT determinou que essa taxa deveria ser de, no máximo, 3,6%

Desde 12 de novembro de 2025, a taxa cobrada  dos restaurantes pelas empresas de vale-refeição é limitada a 3,6%. Esse teto foi estabelecido pelo Decreto nº 12.712/2025 que regulamentou a Lei de Modernização do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) com o intuito de baratear a alimentação do trabalhador, melhorar a margem de lucro dos restaurantes e incentivar que novos estabelecimentos passassem a aceitar o VA e o VR, aumentando a rede credenciada e dando mais opções para o trabalhador usar os seus benefícios. No entanto, pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec mostra que a medida do governo não teve efeitos práticos, muito pelo contrário. Em vez de baixar, essas cobranças aumentaram. Entre 2025 e 2026, a taxa média descontada pelas operadoras de Vale-Refeição subiu de 5,19% para 6,18%, um aumento de quase um ponto percentual em apenas um ano, ficando 1,7 vezes acima da taxa média cobrada pelos cartões de crédito.

O impacto é ainda mais significativo entre os pequenos estabelecimentos. Nos restaurantes com faturamento mensal de até R$ 30 mil, que representam 63% da amostra pesquisada, a taxa média do Vale-Refeição saltou de 4,79% para 6,44%, crescimento superior ao registrado na média geral. Mesmo após as medidas de modernização do PAT, a percepção do setor é de que pouco mudou: 58% dos entrevistados afirmam não ter notado mudanças nas taxas cobradas pelas operadoras, enquanto 27% dizem ter percebido aumento nesses custos.

"Não podemos dizer que estamos surpresos. Há um esforço enorme das empresas administradoras para driblar as regras atuais por meio de produtos e práticas que já foram alvo de questionamentos junto ao Ministério do Trabalho, tanto no âmbito negocial quanto no judicial. Espera-se que essas práticas sejam cessadas e que o trabalhador possa ter acesso a refeições ainda mais baratas", avalia Fernando de Paula, vice-presidente da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).

Entre as regiões analisadas, São Paulo apresentou a maior taxa média descontada sobre as operações com Vale-Refeição, chegando a 8,62%. Os dados também mostram que o Vale-Refeição continua sendo, de longe, o meio de pagamento mais caro para estabelecimentos. Enquanto o Pix segue sendo a alternativa mais econômica, com taxa média de 1,06%, o cartão de débito registra 1,77% e o cartão de crédito 3,62%, enquanto o Vale-Refeição alcança média de 6,18% e permanece como a modalidade com maior custo para os restaurantes.

Para a ANR, os resultados reforçam a importância de consolidar a modernização do PAT. Um ambiente mais competitivo tende a reduzir custos para restaurantes e bares, fortalecer a rede credenciada e garantir que uma parcela maior dos recursos do benefício cumpra sua finalidade: ampliar o acesso dos trabalhadores à alimentação.

Metodologia

Estudo quantitativo realizado pela Ipsos-Ipec. As entrevistas foram realizadas pessoalmente com os responsáveis pelos restaurantes selecionados na amostra entre os dias 19 de junho e 6 de julho de 2026. Foram realizadas 360 entrevistas, considerando a seguinte distribuição: 60 Manaus, 40 Salvador, 40 Recife, 60 Goiânia, 100 São Paulo e 60 Porto Alegre. Para amostra total, a margem de erro é de 5 pontos percentuais com nível de confiança de 95%.

Sobre a ANR 

Fundada em 1990, a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) é uma instituição que tem como objetivo promover o setor de foodservice (restaurantes, bares, lanchonetes e demais negócios de alimentação fora do lar) e defender e representar os interesses dos associados. Atua nos campos da articulação setorial em suas relações com Poder Público, fornecedores e instituições, bem como junto à sociedade em geral e às áreas de educação e pesquisa voltadas para o desenvolvimento técnico-econômico e para a geração de qualidade da gestão empresarial, de trabalho e renda. Conta com mais de 12 mil pontos de venda em todos os estados, contemplando desde as maiores redes do segmento, que possuem vasta experiência global, até pequenos negócios de alimentação fora do lar. O setor congrega aproximadamente 700 mil estabelecimentos, gerando empregos diretos para aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, com faturamento anual na ordem de R$ 200 bilhões.    


NB Press

 

 




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