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O custo de esperar: por que antecipar a adesão à logística reversa pode influenciar diretamente a saúde financeira de empresas


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  • mell280

29/07/2026 13h00

O custo de esperar: por que antecipar a adesão à logística reversa pode influenciar diretamente a saúde financeira de empresas

Marina Dias - Sing Comunicação de Resultados


 

*Por Robson Esteves 

Durante muito tempo, a logística reversa foi vista por diversas empresas apenas como mais uma obrigação regulatória. Uma exigência que poderia ser atendida no limite dos prazos legais ou somente quando surgisse uma fiscalização mais rigorosa. Essa lógica, no entanto, já não acompanha a realidade dos negócios em 2026. 

A sustentabilidade deixou de ocupar um espaço restrito às áreas ambientais e passou a integrar as decisões estratégicas das organizações. O relatório Annual Trends Report 2026, da consultoria ERM, mostra que, mesmo sob instabilidade econômica (tarifas, tensões geopolíticas, inflação), 83% das empresas ampliaram investimentos em sustentabilidade, impulsionadas por pressão de investidores (77% focam em retorno financeiro) e pela comprovação de que descarbonização e adaptação climática geram retorno médio 10:1, vantagem competitiva e resiliência operacional mensurável. A sustentabilidade deixou de ser "compromisso" para ser alavanca de performance e prêmio de capital. 

Esse movimento revela uma mudança importante de mentalidade. Questões relacionadas ao uso eficiente de recursos, à rastreabilidade de materiais e ao cumprimento das exigências legais deixaram de ser apenas temas ambientais e passaram a influenciar diretamente a gestão dos negócios. 

No Brasil, onde a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece responsabilidades compartilhadas entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores, a participação ativa da população no descarte correto dos produtos é um elo indispensável para a efetividade da logística reversa. Por isso, adiar a estruturação desse sistema significa assumir riscos que poderiam ser evitados. Empresas que deixam para agir apenas quando as exigências se tornam imediatas enfrentam mais dificuldades para cumprir prazos, comprovar resultados e atender às demandas dos órgãos ambientais. 

Ainda nessa linha de pensamento, existe um outro aspecto pouco debatido: o custo da improvisação. Implementar programas de logística reversa de forma emergencial costuma exigir investimentos maiores do que um processo planejado. Estruturar operações, selecionar parceiros, desenvolver sistemas de rastreabilidade e definir indicadores leva tempo. Quando tudo precisa acontecer às pressas, aumenta-se os custos, diminuem-se as possibilidades de negociação e cresce o risco de falhas. 

Quem se antecipa, por outro lado, transforma uma obrigação em uma oportunidade de gestão. O planejamento permite distribuir investimentos ao longo do tempo, integrar a logística reversa à estratégia operacional e criar processos mais eficientes. O resultado é uma operação mais preparada para responder às mudanças regulatórias e às demandas do mercado. 

Também não se pode ignorar a crescente influência da sustentabilidade na percepção pública. Segundo pesquisa da ABDI/Nexus (2025), 75% dos brasileiros acreditam que a transição para uma economia sustentável vai gerar empregos no país, e o estudo mostra diferentes níveis de adoção de práticas sustentáveis no cotidiano, indicando que o tema já faz parte das decisões e hábitos da população. Esse movimento reforça que consumidores estão mais atentos às questões ambientais e sociais, o que tende a impactar a forma como avaliam empresas, produtos e marcas. Nesse contexto, organizações que demonstram práticas consistentes, como gestão de resíduos, rastreabilidade e alinhamento à economia circular, ampliam a confiança e fortalecem sua capacidade de gerar valor. 

Essa transformação acompanha uma mudança mais ampla na própria economia. Resíduos não devem mais ser encarados como o fim de um processo produtivo, mas como recursos capazes de retornar às cadeias produtivas, reduzindo desperdícios, preservando matérias-primas e aumentando a eficiência no uso dos materiais. 

Antecipar a logística reversa traz, ainda, um benefício muitas vezes subestimado, que é a previsibilidade. Empresas preparadas conseguem reduzir incertezas em um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico. 

Na prática, organizações que planejam com antecedência enfrentam menos custos inesperados, reduzem sua exposição a riscos e fortalecem sua posição diante de consumidores, investidores e parceiros. Cumprir a legislação continua sendo indispensável, mas limitar a logística reversa a essa perspectiva significa desperdiçar seu verdadeiro potencial estratégico. 

A discussão, portanto, já não é sobre a necessidade de implementar a logística reversa. Ela faz parte da realidade empresarial. A diferença está em como cada organização escolhe encarar esse desafio: como um custo inevitável ou como um investimento capaz de gerar eficiência, segurança e vantagem competitiva. 

No ambiente de negócios, esperar quase sempre custa mais caro. Com a logística reversa, essa conta tende a chegar mais cedo do que muitas empresas imaginam. Buscar orientação e contar com entidades gestoras especializadas na gestão de sistemas de logística reversa pode ser o diferencial para transformar uma obrigação regulatória em uma estratégia estruturada, evitando improvisações, reduzindo riscos e acelerando a conformidade. 

*Robson Esteves – Presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.     

 

Sobre a ABREE:   

Fundada em 2011, a ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos – é uma entidade gestora sem fins lucrativos e pioneira na implementação do sistema coletivo de logística reversa de eletroeletrônicos e eletrodomésticos no Brasil. A associação define, organiza e gerencia a operação do sistema, promovendo ganhos de escala, eficiência operacional e conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Em âmbito nacional, a ABREE mantém uma ampla rede de pontos de recebimento, com mais de 7 mil locais distribuídos em pelo menos 1,5 mil municípios brasileiros. Atualmente, conta com 58 associados, que representam 207 marcas, sendo responsável pela contratação e auditoria dos serviços prestados por empresas especializadas, além de atuar na disseminação de informações e no engajamento dos elos da cadeia para viabilizar a logística reversa no país.  

Para mais informações, acesse: www.abree.org.br 

 

 


 

 

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