- mell280
29/07/2026 12h32
Prêmio Fundação Bunge destaca pesquisador da UFMS por estudos com IA e agricultura digital contra seca e calor
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Paulo Eduardo Teodoro é o premiado da categoria Juventude no tema “Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresses térmico e hídrico” São Paulo, julho de 2026 – O pesquisador Paulo Eduardo Teodoro, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), é um dos homenageados pelo Prêmio Fundação Bunge 2026, uma das mais tradicionais premiações científicas do país. Reconhecido na categoria Juventude pelo trabalho desenvolvido no tema “Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresses térmico e hídrico”, voltado ao uso de tecnologias para tornar a produção agrícola mais resiliente às mudanças climáticas, Teodoro desenvolve pesquisas que integram genética de plantas, agricultura digital, sensoriamento remoto e inteligência artificial, por meio de métodos capazes de identificar precocemente situações de estresse hídrico e térmico em culturas como soja, milho e algodão. O objetivo é permitir que produtores e pesquisadores detectem problemas antes que eles causem perdas significativas de produtividade, contribuindo para uma agricultura mais eficiente e sustentável.
Da dupla graduação à carreira científica Natural de Aquidauana (MS), Paulo Eduardo Teodoro cresceu em uma família de origem humilde e encontrou na educação o caminho para transformar sua trajetória. Filho de um mecânico e de uma vendedora, foi incentivado desde cedo pelos pais a investir nos estudos. O gosto pela matemática o levou inicialmente à Engenharia Civil. Ao mesmo tempo, foi aprovado em Agronomia pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e decidiu cursar as duas graduações simultaneamente. Durante cinco anos, dividiu sua rotina entre aulas integrais durante o dia e atividades acadêmicas à noite, conciliando duas formações que mais tarde se mostrariam complementares. Ao participar de experimentos de campo e análises de dados, descobriu a vocação para a pesquisa científica. Depois da graduação, enfrentou uma decisão que definiria sua carreira: aprovado em primeiro lugar em um concurso público para engenheiro civil, optou por seguir na academia e ingressar no mestrado em Agronomia de UEMS, concluído em apenas um ano. Em seguida, realizou doutorado na Universidade Federal de Viçosa (UFV), concluído em apenas um ano e oito meses. Ciência construída em colaboração Em 2017, Teodoro ingressou na UFMS, no campus de Chapadão do Sul. Foi nesse período que consolidou uma forma de trabalho baseada na colaboração entre diferentes áreas do conhecimento. A partir da integração entre especialistas em genética vegetal, agricultura de precisão, fisiologia vegetal, sensoriamento remoto e ciência de dados, o pesquisador ajudou a construir uma linha de investigação voltada ao desenvolvimento de soluções para os desafios da agricultura em cenários de seca e altas temperaturas. O modelo colaborativo também teve impacto direto no fortalecimento institucional da universidade. Quando passou a atuar no Programa de Pós-Graduação em Agronomia da UFMS, o curso possuía conceito 3 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Nos anos seguintes, a ampliação da produção científica, a formação de redes de pesquisa e a captação de recursos contribuíram para a evolução do programa, que alcançou conceito 5 e implantou seu curso de doutorado. “A ciência só consegue gerar impacto quando é construída coletivamente. A agricultura precisa de pessoas de diferentes áreas trabalhando juntas”, destaca o pesquisador. Mais de 70 anos de reconhecimento à ciência brasileira Criado em 1955 e inspirado no Nobel, o Prêmio Fundação Bunge reconhece pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico nacional e para a busca de soluções para desafios estratégicos do Brasil. Ao longo de sua história, mais de 200 personalidades já foram homenageadas pela premiação. Os pesquisadores agraciados são indicados por representantes das principais universidades e instituições científicas do país, e têm suas trajetórias avaliadas por comissões independentes formadas por especialistas. Na edição de 2026, o prêmio homenageia quatro pesquisadores brasileiros cujos trabalhos têm contribuído para o fortalecimento da agricultura tropical sustentável e da inovação no campo. No tema "Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresse térmico e hídrico", além de Paulo, o pesquisador Alexandre Lima Nepomuceno será homenageado na categoria “Vida e Obra”. Chefe-geral da Embrapa Soja, o cientista é reconhecido por sua trajetória em pesquisas sobre fisiologia vegetal, biologia molecular e desenvolvimento de tecnologias para aumentar a tolerância das plantas à seca. Ele volta a receber o Prêmio Fundação Bunge 26 anos após ter sido contemplado na categoria Juventude, tornando-se um dos poucos cientistas homenageados em dois momentos distintos da carreira. Já no tema "Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar", a pesquisadora Sonia Sena Alfaia, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), será homenageada na categoria Vida e Obra por sua contribuição ao desenvolvimento da agricultura indígena na Amazônia. Na categoria Juventude, o estudante Raul Victor Magalhães Sousa, de 16 anos, bolsista de Iniciação Científica Júnior (PIBIC Jr.) do CNPq, com orientação da Universidade Federal do Ceará (UFC), será reconhecido pelo desenvolvimento de um sistema que utiliza inteligência artificial associada aos saberes tradicionais para prever chuvas no semiárido cearense. Sobre a Fundação Bunge A Fundação Bunge, entidade social da Bunge no Brasil, há 70 anos atua para gerar impactos positivos na sociedade em territórios e setores estratégicos para a Bunge, fomentando a diversidade com promoção dos direitos humanos por meio da inclusão produtiva e do estímulo à economia de baixo carbono, estimulando a ciência e a preservação da memória. A Fundação é o pilar social da Bunge, líder mundial no processamento de sementes oleaginosas e na produção e fornecimento de óleos e gorduras vegetais especiais, que tem como propósito conectar agricultores a consumidores para fornecer alimentos, nutrição animal e combustíveis essenciais para o mundo. Site: fundacaobunge.org.br
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