Conhecido por décadas à frente dos principais telejornais da TV Globo, o jornalista Renato Machado, que morreu nesta quinta-feira (16), aos 83 anos, também construiu uma segunda trajetória profissional impulsionada por uma de suas maiores paixões: o vinho. Depois de deixar a emissora carioca, em 2021, ele passou a dedicar ainda mais tempo ao universo da enologia, levando conhecimento ao público por meio da televisão, das redes sociais e de documentários.
O interesse pela bebida nasceu ainda na década de 1970, quando ganhou um exemplar do tradicional Hugh Johnson's Pocket Wine Book. A publicação se tornou uma companhia constante ao longo da vida e foi determinante para despertar sua curiosidade sobre a história, as regiões produtoras e os diferentes estilos de vinho. O envolvimento foi tão profundo que Renato assinou o prefácio da edição brasileira de 2008 da obra.
Em entrevista ao jornal O Globo, em 2024, o jornalista contou que foi conquistado inicialmente pela forma como o livro era escrito. "O que me arrebatou, em um primeiro momento, foi a redação dos verbetes. Assim como diz um personagem de Eça de Queiroz, meu escritor preferido, eu sou um apaixonado pela bela frase. E por vinhos."
Do telejornalismo à programação gastronômica
A paixão extrapolou o campo pessoal e ganhou espaço na televisão. Renato Machado comandou, de 2004 a 2009, ao lado do chef francês Claude Troisgros, o programa "Menu Confiança, do GNT, atração que combinava gastronomia, viagens e harmonização de vinhos, aproximando o público brasileiro da cultura enogastronômica de maneira leve e acessível.
Na atração, Claude preparava pratos sofisticados enquanto Renato selecionava e harmonizava os vinhos ideais para acompanhar cada receita. A dupla chegou a gravar edições especiais em locais como a França e a Toscana, na Itália.
Anos depois, aprofundou ainda mais o tema com a série documental "Reserva Especial", também exibida pelo GNT. A produção percorreu importantes regiões vinícolas do mundo para contar histórias de produtores, mostrar tradições centenárias e revelar os bastidores da elaboração dos vinhos.
Entre os lugares visitados estavam as regiões de Champagne (o berço das bebidas nobres), Bordeaux (lar de castelos e grandes produtores) e Bourgogne (famosa pelos vinhos Pinot Noir e Chardonnay), todas na França. Um dos últimos episódios explorou outra região francesa, a Provence, projeto desenvolvido ao lado da esposa, Mônica Morel. Aliás, foi ela quem revelou, em entrevista ao O Globo, um hábito que fazia parte da rotina do jornalista: Renato mantinha o costume de beber duas taças de vinho por dia, sempre valorizando o consumo moderado e o aspecto cultural da bebida.
Conhecimento compartilhado
Mesmo após deixar a bancada dos telejornais, Renato Machado permaneceu ativo nas redes sociais, onde dividia experiências de viagens, visitas a vinícolas e curiosidades sobre o universo dos vinhos.
Uma de suas últimas publicações no Instagram - em que ele era bem ativo - relembrou a visita à propriedade de um amigo produtor na França. Com bom humor, contou que passava boa parte do tempo na adega da casa.
"A adega pessoal dele me foi franqueada. Ficava embaixo do meu quarto. Sempre que me procuravam eu estava por ali…"
As postagens conquistavam tanto apreciadores iniciantes quanto conhecedores da bebida, consolidando Renato como um dos principais divulgadores da cultura do vinho no Brasil.
Morte
Renato Machado morreu nesta quinta-feira (16), aos 83 anos, no Rio de Janeiro. O jornalista estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, na Zona Sul da capital fluminense. A causa da morte não havia sido divulgada até a última atualização desta reportagem.


