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Marrocos além do futebol: três curiosidades sobre o primeiro rival do Brasil na Copa


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12/06/2026 14h49

Marrocos além do futebol: três curiosidades sobre o primeiro rival do Brasil na Copa

País do norte africano atrai olhares para patrimônio que vai da biblioteca mais antiga do mundo às passarelas da alta costura

Central Press


 Primeiro adversário do Brasil e conhecido por estrelas do futebol como Hakimi e Brahim Díaz, o Marrocos chega à Copa do Mundo de 2026 embalado e já de olho em 2030, quando será um dos países-sede do evento. Mas, fora dos gramados, o país do norte da África também chama atenção pela riqueza histórica e cultural. 

 
O Marrocos é um país que une tradição, modernidade e uma projeção internacional como poucos destinos no mundo hoje. A Copa de 2030 deve consolidar ainda mais essa imagem no restante do planeta. E as razões para isso começam bem antes de qualquer apito inicial e terminam muito depois do último gol.
 
“Assim como acontece com diversos países africanos, o Marrocos tem uma história que revela uma nação culturalmente muito sofisticada. O que vemos hoje em campo, com uma seleção vibrante, é apenas o reflexo de um país que aprendeu, ao longo de milênios, a ser uma ponte estratégica entre a tradição islâmica, a raiz africana e a vanguarda europeia”, explica Juliano Costa, licenciado em História, mestre em Educação e diretor de Produtos e Marketing da Aprende Brasil Educação.
 
Universidade mais antiga do mundo
 
Localizada na cidade de Fez, a Universidade de Al Quaraouiyine é considerada a instituição de ensino superior ainda em funcionamento mais antiga do mundo pelo Guinness World Records e pela UNESCO. Fundada em 859 d.C., a universidade foi financiada por Fatima al-Fihri, uma mulher proprietária de diversos terrenos em torno da Mesquita dos Andalusinos, onde surgiu a instituição, que se expandiu para se tornar um dos principais centros espirituais, científicos e educacionais da Era de Ouro Islâmica.
 
“Durante a Idade Média - e até mesmo antes disso -, o Marrocos já tinha uma vasta produção intelectual. Al Quaraouiyine é considerada por diversas instituições internacionais a mais antiga universidade em funcionamento do mundo, o que mostra que o conceito de ensino superior floresceu no Norte da África - e pelas mãos de uma mulher. Isso coloca o país não apenas como um destino turístico, mas como o berço da universidade moderna”, destaca Costa. Hoje, a biblioteca da universidade também é considerada a mais antiga biblioteca do mundo ainda em atividade e abriga uma das coleções de manuscritos árabes mais raras e antigas do mundo, entre eles um Alcorão - livro sagrado do islamismo - datado do século IX.
 
Influência no mercado da moda
 
Um dos maiores estilistas da história, Yves Saint Laurent, considerou o Marrocos seu santuário criativo. Essa relação começou em 1966, quando o estilista visitou a cidade de Marraquexe, no oeste do país. Segundo ele, a cidade "abriu seus olhos para a cor", incentivando-o a abandonar os tons sóbrios e adotar cores vibrantes inspiradas pela cultura, luz e trajes locais. 
 
O estilista, junto com seu companheiro e sócio Pierre Bergé, comprou em 1980 o Jardim Majorelle, um jardim botânico que se tornou a residência do casal e que, mais tarde, foi rebatizada como Villa Oasis. Hoje, o local abriga o Museu Berbere e a casa onde viveu Saint Laurent foi batizada de Maison des Illustres. Toda a influência e relevância do estilista no país levaram à construção do Museu Yves Saint Laurent, inaugurado em outubro de 2017.
 
País dos dinossauros
 
Antes de se tornar um grande deserto, há milhões de anos, o Saara tinha uma ampla rede de rios tropicais, savanas e até mesmo bosques que continham uma imensa biodiversidade. Ao longo dos milênios, os restos dos animais fossilizaram, os movimentos tectônicos elevaram essas camadas e a erosão do deserto começou a expor os fósseis, o que fez da região um importante sítio paleontológico. Hoje, é possível visitar oficinas com fósseis de orthoceras, trilobitas, amonites preservados em pedras e até fósseis do período Paleozóico.
 
Para Costa, “o Marrocos é um arquivo vivo da humanidade. Poucos lugares no mundo permitem que você explore, em uma mesma viagem, o passado geológico profundo dos fósseis do Saara e a alta costura em Marraquexe. Essa capacidade de preservar camadas tão distintas da história é o que faz do Marrocos um país cheio de nuances, que vai muito além das quatro linhas do gramado”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 




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