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Operação contra lavagem de dinheiro do Comando Vermelho prende empresário


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02/06/2026 09h46

Operação contra lavagem de dinheiro do Comando Vermelho prende empresário

Principais beneficiários do esquema que movimentou R$ 116 milhões em 4 anos estão em Sete Quedas

Por Ana Paula Chuva e Bruna Marques


 Durante o cumprimento dos mandados na operação Riqueza Sombria contra a estrutura financeira do Comando Vermelho, que movimentou ao menos R$ 116,6 milhões entre 2017 e 2021 com lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, a ação resultou na prisão em flagrante do empresário Gilmar Santos da Silva, por porte ilegal de arma de fogo, em Sete Quedas, a 468 quilômetros de Campo Grande.

 
 
 
A 96ª DP, em Miguel Pereira (RJ), coordena a operação, que cumpre 18 mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado do Rio de Janeiro. O cerco se estende por 4 estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, onde a atuação das equipes policiais está na linha de fronteira com o Paraguai.
 
Segundo as investigações fluminenses, a engenharia financeira do grupo criminoso utilizava uma tática conhecida no meio bancário como smurfing. O dinheiro arrecadado com as "bocas de fumo" em favelas do Rio de Janeiro era fragmentado em dezenas de pequenos depósitos em dinheiro vivo para não acionar os alertas dos órgãos de controle financeiro.
 
Esses valores eram pulverizados em contas bancárias de pessoas físicas ("laranjas") e empresas de fachada localizadas estrategicamente em regiões de fronteira e no interior do País. Depois de entrar no sistema formal por meio dessas empresas, os recursos eram redistribuídos para blindar as lideranças da facção.
 
 
Um dos investigados chegou a receber 54 depósitos em espécie, totalizando quase R$ 68 mil, em um espaço de tempo de quatro anos.
 
Segundo a investigação,  os principais beneficiários do esquema financeiro da facção estão em Sete Quedas.  Para cortar essa rota de fluxo de capitais, agentes da GARRAS (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) e da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) saíram às ruas da cidade.
 
Em um dos alvos mapeados no Centro de Sete Quedas, os investigadores da DHPP depararam-se com um imóvel completamente vazio. Para viabilizar a coleta de provas ordenada pela Justiça, o portão da residência foi arrombado. No local, a polícia apreendeu um HD externo e um computador notebook, materiais considerados fundamentais para rastrear os donos das contas bancárias usadas pela facção. O caso foi registrado localmente como preservação de direito devido aos danos provocados no acesso.
 
Em outra via da área central do município, na Rua Manoel Castro Azoia, equipes do Garras cercaram a casa de Gilmar. Diante da recusa de abertura imediata, os policiais realizaram a entrada forçada arrombando a porta da frente do imóvel. No interior, o investigado foi contido ao lado da esposa e dos dois filhos menores.
 
Durante o pente-fino nas dependências, Gilmar admitiu aos policiais que mantinha um revólver escondido dentro do guarda-roupa. Ao checarem o armamento, os agentes constataram que o revólver estava carregado, não possuía registro oficial e o homem não tinha autorização para posse ou porte.
 
Em razão disso, além de ter os bens recolhidos para a investigação do Rio de Janeiro, Gilmar foi autuado em flagrante na Delegacia de Sete Quedas pelo crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
 
O balanço parcial da operação aponta que as ações nos quatro estados já resultaram em prisões, apreensão de armas, celulares e farto material tecnológico que agora será submetido à perícia técnica.
 
(*) Com informações portal O Globo.
 
 




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