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Cinco práticas para evitar que o propósito vire apenas discurso nas empresas


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  • mell280

27/05/2026 07h38

Cinco práticas para evitar que o propósito vire apenas discurso nas empresas

Carolina Lara


Incoerência entre discurso e rotina ainda limita o desempenho

 

 

 

Empresas que incorporam propósito de forma consistente tendem a apresentar melhor desempenho, maior engajamento e crescimento sustentável, segundo análises da Harvard Business Review sobre transformações empresariais recentes. No Brasil, levantamentos da Fundação Getulio Vargas indicam que culturas organizacionais estruturadas podem reduzir significativamente a rotatividade e elevar a produtividade das equipes. 

Ainda assim, o distanciamento entre discurso institucional e prática cotidiana segue como um dos principais entraves à performance das organizações.

Alexandre Slivnik, especialista em excelência de serviços, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento e professor convidado da FIA/USP, afirma que o problema não está na ausência de propósito, mas na falta de coerência. “Não adianta ter missão e valores na parede se o colaborador não sente isso na prática. O propósito precisa orientar decisões, comportamentos e a forma como a liderança atua no dia a dia”, diz.

O desalinhamento aparece quando o propósito é tratado como ferramenta de comunicação, e não como critério de gestão. Campanhas institucionais e apresentações reforçam valores, enquanto decisões internas seguem baseadas apenas em metas de curto prazo. 

Para o especialista, essa contradição impacta diretamente a cultura. “As pessoas observam muito mais o que o líder faz do que o que ele fala. Quando existe incoerência, a confiança se rompe e o engajamento desaparece”, afirma.

Esse distanciamento também afeta a experiência do cliente. Empresas que não conseguem traduzir propósito em prática tendem a oferecer relações frias e padronizadas, mesmo com investimento em tecnologia. “O cliente encantado é reflexo de uma equipe encantada. Se o colaborador não encontra sentido no que faz, dificilmente vai gerar conexão com quem está do outro lado”, explica.

Na outra ponta, organizações que alinham discurso e prática colhem efeitos concretos. Além de maior retenção de talentos, há impacto na produtividade, na reputação e na fidelização. “O propósito, quando vivido de forma genuína, se transforma em vantagem competitiva. Ele orienta decisões e cria consistência na experiência”, afirma.

O erro mais comum está em tratar propósito como um elemento isolado. Muitas empresas definem valores e missão, mas não conectam esses conceitos às rotinas operacionais, aos processos de gestão e à avaliação de desempenho. O resultado é uma cultura fragmentada.

Outro ponto crítico é a liderança. Sem o exemplo prático dos gestores, qualquer iniciativa perde força. “O engajamento sempre segue de cima para baixo. Quando o líder não vive o propósito, ele se torna apenas um discurso dentro da empresa”, afirma.

Há ainda o risco de priorizar exclusivamente metas financeiras. Quando a pressão por resultado domina, comportamentos alinhados à cultura deixam de ser reconhecidos, e o propósito passa a ter pouca relevância no dia a dia.

Como transformar propósito em prática

Para reduzir esse distanciamento, empresas precisam integrar o propósito à operação. Isso envolve desde processos de contratação até decisões estratégicas e relacionamento com clientes.

“O propósito precisa estar presente em tudo: na escolha de quem entra na empresa, na forma como as pessoas são desenvolvidas e nas decisões difíceis. Quando isso acontece, ele deixa de ser conceito e vira cultura”, afirma.

A adoção de treinamentos estruturados também contribui para essa transformação. Dados da Association for Talent Development indicam que programas de desenvolvimento podem elevar significativamente a performance das equipes quando alinhados à estratégia da empresa.

O especialista aponta cinco práticas para evitar que o propósito vire apenas discurso

Antes de listar as ações, especialistas destacam que não existe transformação sem consistência. Mais do que iniciativas pontuais, é a repetição de comportamentos que consolida a cultura.

  • Conectar propósito às decisões estratégicas
    Não basta definir valores. É preciso utilizá-los como critério real para decisões, inclusive aquelas que envolvem risco ou impacto financeiro. Quando isso acontece, o time entende que o propósito é levado a sério.
  • Exigir coerência da liderança
    Gestores precisam ser exemplos visíveis. A forma como lideram, cobram e reconhecem define o padrão cultural da organização e influencia diretamente o comportamento das equipes.
  • Traduzir valores em comportamentos claros
    Propósito abstrato não gera ação. Empresas que detalham como seus valores devem aparecer no dia a dia conseguem criar alinhamento entre discurso e prática.
  • Reconhecer atitudes alinhadas ao propósito
    O que é valorizado tende a se repetir. Ao reconhecer comportamentos coerentes com a cultura, a empresa reforça o que espera de seus colaboradores.
  • Investir na experiência do colaborador
    Ambientes onde as pessoas se sentem valorizadas e ouvidas tendem a apresentar maior engajamento e replicam esse comportamento no atendimento ao cliente. “Quando o colaborador encontra sentido no trabalho, ele transmite isso naturalmente”, diz.

Vantagem competitiva construída de dentro para fora

Empresas que sustentam o propósito na prática criam uma base sólida para crescimento consistente. O impacto vai além dos indicadores internos e alcança a percepção do mercado.

“O propósito não pode ser um projeto paralelo. Ele precisa ser o fio condutor da empresa. Quando isso acontece, a organização ganha clareza, consistência e resultados que se sustentam no longo prazo”, conclui.

Sobre Alexandre Slivnik

Alexandre Slivnik o único brasileiro a dar a volta ao mundo em um avião privado da Disney para conhecer os bastidores de todos os parques da empresa no mundo, juntamente com seus maiores executivos. É reconhecido oficialmente pelo governo norte americano como um profissional com habilidades extraordinárias na área de palestras e treinamentos (EB1). 

Autor de diversos livros, entre eles do best-seller O Poder da Atitude. Diretor executivo do IBEX – Institute for Business Excellence, sediado em Orlando / FL (EUA). Vice-Presidente da ABTD - Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento. Professor convidado do MBA de Gestão Empresarial da FIA / USP. 

Palestrante com mais de 20 anos de experiência na área de RH e Treinamento. Atualmente um dos maiores especialistas em Encantamento de Clientes no Brasil. Palestrante Internacional com palestras feitas nos EUA, EUROPA, ÁFRICA e ÁSIA, tendo feito especialização na Universidade de Harvard (Graduate School of Education - Boston / EUA).

Para mais informações, acesse o site oficial: www.alexandreslivnik.com.br.

Sugestão de fonte: clique aqui

Fontes de pesquisa

Harvard Business Review
https://hbr.org/2019/09/the-top-20-business-transformations-of-the-last-decade

Fundação Getulio Vargas (FGV)
https://eaesp.fgv.br/pesquisa

Association for Talent Development (ATD)
https://www.td.org/research-reports

Gallup (engajamento e performance)
https://www.gallup.com/workplace/321032/state-of-the-global-workplace-2022-report.aspx


 

 

  


 


 

 





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