08/04/2026 11h34
Da experiência pessoal à atuação jurídica: advogada transforma vivência com deficiência em defesa de direitos
História de Paula Teodoro reflete desafios ainda enfrentados por pessoas com deficiência no Brasil e reforça a importância da inclusão com efetividade.
Em um país onde milhões de pessoas com deficiência ainda enfrentam barreiras diárias de acessibilidade, a trajetória da advogada Paula Teodoro Queiroz Souza une experiência pessoal e atuação profissional na defesa de direitos. Formada pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), ela transformou desafios em propósito: garantir que a inclusão saia do papel e alcance a prática.
Nascida em Cassilândia, no interior de Mato Grosso do Sul, Paula Teodoro cresceu em um ambiente marcado pelo contato com pessoas e pela vida pública — é neta e filha de políticos. Desde cedo, desenvolveu uma personalidade comunicativa, firme e voltada ao coletivo, características que mais tarde se refletiriam em sua atuação profissional.
Apaixonada por estudos, filosofia e relações humanas, escolheu o Direito como caminho. Em 2012, formou-se pela UCDB com um reconhecimento raro: foi escolhida como nome de turma ainda enquanto aluna.
Ao longo dos anos, dedicou-se intensamente à preparação para concursos públicos e à magistratura, sendo aprovada em etapas importantes, incluindo fases do Tribunal de Justiça de São Paulo. Apesar disso, foi na advocacia que encontrou seu espaço de atuação e impacto direto na vida das pessoas.
Hoje, Paula é sócia do escritório familiar Theodoro e Souza, com sede em Campo Grande (MS) e atuação em todo o Brasil, ao lado do pai e do irmão.
Mas sua atuação vai além da técnica jurídica. Como pessoa com deficiência, Paula vivencia na prática as dificuldades que muitas vezes ainda são invisibilizadas pela sociedade.
“A acessibilidade ainda é tratada como exceção, quando deveria ser regra. Não estamos falando de privilégio, mas de direitos básicos”, afirma.
Dados recentes do IBGE indicam que milhões de brasileiros vivem com algum tipo de deficiência, e muitos ainda enfrentam obstáculos no acesso a serviços essenciais, transporte, educação e até mesmo no sistema de Justiça.
Para Paula Teodoro, a vivência pessoal traz uma perspectiva diferente para sua atuação profissional.
“Eu não falo apenas como advogada. Eu sei, na prática, o que significa enfrentar barreiras que poderiam — e deveriam — ser evitadas. Isso muda completamente a forma como eu atuo”, explica.
A advogada destaca que a legislação brasileira avançou nos últimos anos, especialmente com o Estatuto da Pessoa com Deficiência, mas ainda há um distanciamento entre a lei e a realidade.
“O Brasil tem uma legislação moderna, mas o desafio está na aplicação. Ainda vemos muitos casos de desrespeito, negligência e falta de preparo”, pontua.
Com uma personalidade intensa e comprometida, Paula também carrega interesses que vão além do Direito: aprecia moda, maquiagem, flores e valoriza a vida social. Para ela, inclusão também passa pelo direito de viver plenamente.
“Ter deficiência não me limita a existir — eu escolhi viver com intensidade e propósito. E é isso que eu levo para a minha atuação todos os dias”, conclui.



