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Segundo Mapa, Brasil lidera uso de bioinsumos no mundo, mas substituição dos fertilizantes tradicionais ainda não é realidade


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  • mell280

27/03/2026 17h25

Segundo Mapa, Brasil lidera uso de bioinsumos no mundo, mas substituição dos fertilizantes tradicionais ainda não é realidade

Marcelo Mello


Setor cresce com força no país, porém não há perspectiva nem potencial de haver uma possível troca no segmento de insumos

Segundo o Mapa, o Brasil, atualmente, se destaca no cenário global de bioinsumos, por ser o país que mais utiliza esse tipo de insumo no mundo. O crescimento do setor é expressivo e coloca o país na vanguarda de uma tendência que avança em ritmo acelerado na agricultura moderna. Mas será que os bioinsumos têm potencial para substituir os fertilizantes convencionais e transformar o Brasil de grande comprador em referência internacional na produção de fertilizantes?

Para Fellipe Parreira, Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro, a resposta, por ora, é não. "Não há perspectiva e nem potencial para essa substituição no momento", afirma o especialista. Na avaliação dele, apesar do protagonismo brasileiro no uso de bioinsumos e das inegáveis vantagens competitivas que o país possui, como biodiversidade, clima favorável e uma agricultura de escala consolidada, o caminho até a substituição real dos fertilizantes tradicionais ainda é longo e exige muito mais do que entusiasmo.

Por isso, é importante lembrar que no primeiro semestre de 2025, as entregas atingiram 20,14 milhões de toneladas, alta de 10,5% ante 2024, com Mato Grosso absorvendo 24% do volume, impulsionado por soja e milho. Em seguida, está o Paraná, com 15%; Goiás, com 9%; Mato Grosso do Sul, com 8%; Rio Grande do Sul, com 8%; e São Paulo, com 10%. Em 2026, as importações nos dois primeiros meses somaram 5,26 milhões de toneladas, enquanto a produção nacional cresceu 8,9%, mas ainda cobre menos de 20% da necessidade. Essa expansão reflete preparação para safras recordes, sem perspectiva imediata de autossuficiência.

Entretanto, é fato que o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes, com recorde de 43,5 milhões de toneladas em 2025, priorizando fontes como MAP, ureia e KCl de China, Canadá e Rússia. Restrições chinesas e gargalos logísticos elevam preços: ureia a US$ 465 por tonelada, MAP US$ 720 por tonelada em fevereiro de 2026. Isso corrobora o alerta do release sobre a longa jornada para reduzir importações via bioinsumos.

Parreira reconhece o avanço legítimo dos bioinsumos como ferramenta complementar para a agricultura brasileira, mas defende que é preciso separar o que é tendência promissora do que é solução estrutural. Para ele, confundir os dois conceitos pode gerar expectativas equivocadas entre produtores, investidores e gestores públicos.

O mercado iniciou 2026 em alta após quedas em 2025, com nitrogenados a 10%, fosfatados a 20% e potássicos estáveis em US$ 370 por tonelada, pressionados por geopolítica e gás natural. Custos de safra permanecem elevados, impactando margens de produtores, e reforçam a necessidade de integração gradual de bioinsumos como complemento, não substituto.

Como líder global em bioinsumos (crescimento 30% anual), o Brasil os usa em 80% da soja, gerando economia de US$ 5 bilhões ao ano, mas sem potencial atual para substituir fertilizantes tradicionais. O Programa Nacional de Bioinsumos amplia o uso sustentável em milho (27%), cana (12%), algodão (6%). A volatilidade persiste em 2026, com foco em estoques ajustados e acordos globais; parcerias público-privadas, como Anda-Mapa, visam estatísticas melhores e redução de riscos. É necessário priorizar a integração tecnológica para posicionar o Brasil como potência agrícola independente.

"Os bioinsumos são aliados valiosos na otimização de nutrientes e no controle biológico, mas substituir completamente os fertilizantes minerais seria um risco inaceitável para a escala da nossa agroindústria, que depende de precisão e volume para competir globalmente", alerta o especialista, reforçando a necessidade de investimentos em validação de campo para construir confiança no mercado.

 



 


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