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O custo invisível da falta de cuidado na substituição executiva


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21/02/2026 05h57

O custo invisível da falta de cuidado na substituição executiva

Jaqueline da Mata


Por Barbara Nogueira

 

Em um ambiente corporativo cada vez mais pressionado por resultados em curto prazo, a substituição de executivos tornou-se um movimento relativamente comum nas organizações. No entanto, como Headhunter e especialista em Executive Search alerto que trocar um líder estratégico está longe de ser uma decisão meramente operacional. Trata-se de uma mudança estrutural, com impactos profundos na performance, na cultura e na governança das empresas.

A máxima de que “ninguém é insubstituível” é, em termos conceituais, verdadeira. Organizações são maiores que indivíduos. Porém, na prática, determinados profissionais acumulam ativos intangíveis que não aparecem no organograma e tampouco podem ser plenamente capturados em um currículo.

Entre esses ativos estão o capital reputacional interno, a confiança construída ao longo dos anos, a influência informal nos bastidores, a leitura política do ambiente organizacional, o histórico consistente de entrega de resultados, a capacidade de mobilizar equipes em momentos críticos e a resiliência já testada em cenários adversos.

Esses elementos formam uma espécie de engrenagem invisível que sustenta parte relevante do desempenho corporativo e que nem sempre é considerada com a devida profundidade nos processos de substituição.

Um exemplo didático fora do universo corporativo ajuda a ilustrar o ponto. A recente substituição da rainha de bateria da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, que trocou Paolla Oliveira por Virginia Fonseca, gerou amplo debate público.

À primeira vista, tratava-se de uma troca entre duas figuras de grande visibilidade, reconhecimento e apelo popular. Em termos de exposição e alcance midiático, a substituição parecia segura. No entanto, a reação do público mostrou que o papel envolvia mais do que projeção e fama. Existiam elementos simbólicos, conexão emocional com a comunidade, histórico construído ao longo dos anos e legitimidade conquistada na prática que não eram automaticamente transferíveis.

A analogia com o ambiente corporativo é clara. Nem toda substituição mantém o padrão anterior de performance, mesmo quando o sucessor reúne atributos valorizados externamente.

No recrutamento de posições estratégicas, alguns aprendizados são recorrentes. Competência técnica é requisito básico, não diferencial competitivo. Reputação externa não assegura aderência cultural. Exposição não substitui densidade de liderança, entendida como maturidade emocional, capacidade de influência e leitura sistêmica do negócio.

Antes de efetivar qualquer troca, especialistas recomendam que conselhos e lideranças façam perguntas estruturantes. O que exatamente está sendo perdido com essa saída? Qual é o custo invisível da decisão? O sucessor possui apenas experiência técnica ou também maturidade organizacional e inteligência relacional para sustentar o contexto existente?

Substituições conduzidas sem diagnóstico aprofundado podem gerar ruído político, descontinuidade estratégica, queda de engajamento e impactos diretos nos resultados financeiros. Valorizar histórico consistente, influência positiva, alinhamento cultural e estabilidade emocional não é conservadorismo. Trata-se de gestão de risco.

Nem sempre o novo representa evolução. Em alguns casos, pode representar instabilidade temporária ou até retrocesso. Trocas executivas exigem metodologia estruturada, confidencialidade, avaliação criteriosa de perfil e amparo profissional especializado. Quando uma organização decide substituir um líder em posição-chave, não está apenas preenchendo uma vaga. Está alterando parte da estrutura que sustenta sua dinâmica interna e sua capacidade de execução.

Em um cenário empresarial cada vez mais complexo, decisões apressadas podem custar caro, especialmente quando o impacto não é imediatamente visível. A reflexão é objetiva. Na substituição executiva, o verdadeiro custo pode não estar na contratação em si, mas naquilo que se deixa de considerar antes dela.

*Bárbara Nogueira é Diretora, Career Advisor & Headhunter da Prime Talent, Conselheira de Administração pela Fundação Dom Cabral e do ChildFund Brasil.

 


Paulo Tauil_ AgNews




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