- mell280
21/02/2026 06h59
Crédito estruturado e eficiência tributária: o papel dos FIDCs na gestão financeira das empresas
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vêm consolidando sua posição como instrumentos relevantes não apenas para o financiamento da economia real, mas também como ferramentas de organização financeira e gestão estratégica de capital dentro dos limites da legislação vigente.
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vêm consolidando sua posição como instrumentos relevantes não apenas para o financiamento da economia real, mas também como ferramentas de organização financeira e gestão estratégica de capital dentro dos limites da legislação vigente.
Parte desse movimento decorre do regime tributário aplicável às cotas do fundo. Desde a atualização promovida pela Lei nº 14.754/2023, os FIDCs — abertos ou fechados — passaram a ter incidência de Imposto de Renda exclusivamente no evento de liquidez (resgate, amortização ou alienação de cotas), à alíquota de 15% sobre o rendimento, eliminando o mecanismo de antecipação tributária conhecido como “come-cotas”. Esse modelo confere maior previsibilidade ao investidor e racionalidade ao planejamento financeiro.
Em determinadas estruturas, especialmente quando há integração com a estratégia financeira de grupos empresariais, o fundo pode contribuir para a organização e racionalização da alocação de capital, conforme sua política de investimento e estrutura regulatória. Trata-se de um uso legítimo do instrumento no arcabouço regulatório estabelecido pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e das melhores práticas de mercado.
Do ponto de vista operacional, a eficiência decorre da própria estrutura jurídica do FIDC. Quando a empresa realiza cessão de recebíveis ou contrata financiamento junto ao fundo, o custo financeiro incorrido pode ser tratado como despesa dedutível para fins de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), conforme as regras do lucro real e a observância de condições de mercado. Ao mesmo tempo, o investidor, conforme o regime tributário aplicável, é tributado apenas no evento de liquidez da cota, à alíquota de 15% sobre o rendimento, conforme a legislação vigente. Em determinadas estruturas, a combinação entre dedutibilidade na empresa e diferimento da tributação no fundo pode representar o que o mercado convencionou chamar de efeito de “tax shield”, desde que haja substância econômica, risco efetivo e governança adequada.
É fundamental ressaltar que a racionalidade econômica da operação deve prevalecer sobre qualquer motivação exclusivamente fiscal. Estruturas dessa natureza exigem formalização adequada, gestão independente, precificação a valor de mercado e total aderência às normas da CVM e às diretrizes da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). A eficiência tributária é consequência de uma modelagem correta, e não seu fundamento isolado.
O avanço da sofisticação empresarial e a maior compreensão sobre instrumentos de crédito estruturado ampliam o interesse por modelos que conciliem financiamento, governança e eficiência fiscal de forma responsável e transparente. Nesse contexto, o FIDC deixa de ser apenas um veículo de crédito e integra a estratégia de capital das companhias, sempre dentro dos limites legais e regulatórios.
Sobre a Quartzo Capital
A Quartzo Capital é a principal gestora multiestratégia do Sul do Brasil, posicionando-se como um hub completo de soluções financeiras. Resultado da fusão de empresas especializadas, a Quartzo oferece ao mercado um modelo de one stop shop que integra Venture Capital, Asset Management, Corporate Finance, Crédito Estruturado e Real Estate.
Com mais de R$ 1,4 bilhão em ativos sob gestão, R$ 1,3 bilhão em VGV em Real Estate, R$ 16 bilhões em laudos de avaliação e mais de 50 operações de M&A e Venture Capital, a Quartzo atua lado a lado com seus clientes, fomentando ecossistemas de inovação e diversificação financeira pelo país.
A Quartzo é também a maior gestora de Venture Capital fora do eixo Rio–SP, com mais de R$ 700 milhões sob gestão, mais de 60 investimentos realizados e participação ativa na construção de empresas de alto crescimento.
Com escritórios em Curitiba, São Paulo, Florianópolis e Vitória, a Quartzo Capital consolida a marca como uma gestora moderna, técnica e orientada por resultados que transformam a complexidade financeira em soluções eficientes e executáveis.
![]() Pedro Reis, diretor de crédito da Quartzo Capital. Quartzo Capital. |



