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Artigo - Asfixia financeira do crime organizado: estratégia inadiável para a segurança pública em 2026


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10/02/2026 18h10

Artigo - Asfixia financeira do crime organizado: estratégia inadiável para a segurança pública em 2026

Mariana Seman




Por Bianca Branco, especialista em segurança pública e investigadora da Polícia Civil de São Paulo

O ano de 2026 projeta um cenário onde a segurança pública no Brasil transcende a mera preocupação social, consolidando-se como um dos pilares mais críticos do debate político e eleitoral. A abordagem histórica, centrada na repressão ostensiva e no encarceramento massivo, demonstrou sua insuficiência estrutural para desmantelar as complexas e resilientes redes do crime organizado. É imperativo reconhecer que a criminalidade opera sob uma lógica empresarial, onde o fluxo financeiro constitui o verdadeiro motor de suas operações e o vetor de sua capacidade de corrupção. Assim, a tese central que se impõe é a da descapitalização estratégica dessas organizações, atacando suas bases financeiras como a medida mais eficaz e sustentável para a pacificação social e a garantia da ordem pública.

Por décadas, a política de segurança pública brasileira foi refém de um modelo reativo, priorizando a prisão de indivíduos em detrimento da desarticulação das estruturas criminosas. Os resultados são notórios: um sistema carcerário em colapso, que, paradoxalmente, se tornou um centro de excelência para o recrutamento e a expansão de facções. A substituição quase imediata de lideranças presas evidencia a futilidade de focar apenas no elo mais fraco da cadeia. O crime organizado, com sua intrincada cadeia de comando, logística sofisticada e um robusto fluxo de capital, opera como uma corporação transnacional, imune a intervenções superficiais.

Neste cenário, a descapitalização do crime organizado não é uma alternativa, mas uma necessidade estratégica. Trata-se de uma mudança de paradigma que desloca o foco da prisão do indivíduo para a aniquilação da capacidade financeira da organização. Este processo envolve a apreensão de bens, o bloqueio de contas bancárias, o rastreamento meticuloso de fluxos financeiros ilícitos e a identificação de ativos ocultos. A eficácia reside na capacidade de desarticular as redes criminosas de forma profunda e duradoura, impedindo que o capital ilícito seja reinvestido em novas atividades criminosas ou na corrupção sistêmica.

Para o sucesso desta empreitada, a atuação coordenada de órgãos de inteligência e investigação é inegociável. A Polícia Civil, com sua expertise em polícia judiciária, assume um papel central e indispensável na condução de investigações complexas de lavagem de dinheiro e crimes financeiros no âmbito estadual. Sua atuação, integrada à da Polícia Federal (PF), do Ministério Público (MP) e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), forma uma rede de proteção institucional capaz de rastrear ativos desde a ponta da execução criminosa até as mais intrincadas estruturas de ocultação de patrimônio.

Um dos pilares mais transformadores e moralmente imperativos para 2026 é a garantia de que o patrimônio confiscado das organizações criminosas seja revertido diretamente em prol da sociedade. Não basta apenas subtrair o recurso do criminoso, é um dever do Estado dar a ele uma finalidade social que repare, ainda que parcialmente, os danos incalculáveis causados pela criminalidade. Esta é uma medida de justiça social e um poderoso instrumento de legitimação da ação estatal.

Esta prática não apenas asfixia o crime, mas também fortalece a presença do Estado, resgata a confiança da população nas instituições e demonstra, de forma tangível, que o lucro do ilícito pode ser transformado em um legado de desenvolvimento e segurança para todos.

A Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA) é o fórum catalisador para a efetivação dessa descapitalização. Para 2026, as ações aprovadas pela ENCCLA reforçam a integração e a cooperação entre as mais de 90 instituições envolvidas. A cooperação internacional, por sua vez, é um pilar inegociável, dada a natureza transnacional dos crimes financeiros e da lavagem de dinheiro, que exigem uma resposta global e coordenada.

Apesar dos benefícios evidentes, a implementação plena da estratégia de descapitalização enfrenta desafios complexos. É crucial investir massivamente no capital humano da segurança pública. Isso implica no aumento de efetivo de policiais especializados em investigações financeiras, cibernéticas e de lavagem de dinheiro, com foco na Polícia Civil. Paralelamente, programas de capacitação contínua e cursos de atualização para todos os servidores são indispensáveis para acompanhar a sofisticação do crime. A garantia de salários competitivos é, ademais, um fator crítico para atrair e reter talentos, mitigar a corrupção e assegurar a motivação e o profissionalismo das equipes. O investimento em tecnologia de ponta para rastrear e analisar fluxos financeiros complexos deve ser indissociável da valorização e qualificação dos profissionais.

O fortalecimento da legislação e a agilidade processual são igualmente importantes para garantir que os bens apreendidos sejam efetivamente revertidos para a sociedade. Superar a cultura do "prender por prender" e adotar uma visão mais estratégica e baseada em inteligência é um passo fundamental. A segurança pública deve ser encarada como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo e continuidade, independentemente das mudanças de governo.

Em 2026, a segurança pública brasileira não pode mais se dar ao luxo de abordagens simplistas. A descapitalização do crime organizado, ao atacar suas bases financeiras, oferece um caminho promissor para desmantelar essas estruturas de forma eficaz e duradoura. Ao focar no dinheiro, fortalecer a força investigativa da Polícia Civil, garantir a reversão social dos ativos e investir no capital humano, o Estado pode enfraquecer significativamente o poder das facções, reduzir a corrupção e reinvestir em uma sociedade mais segura e justa. Este é um convite à reflexão sobre a mudança de paradigma e o investimento em inteligência como pilares para um novo contrato social para a segurança pública no Brasil.

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