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Crise no Paraguai expõe riscos de investir no exterior além dos benefícios fiscais


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  • mell280

06/11/2026 10h23

Crise no Paraguai expõe riscos de investir no exterior além dos benefícios fiscais

Rowena Romagnoli


Caso do Ueno Bank reacende discussão sobre proteção patrimonial, liquidez e segurança financeira em operações internacionais

 

 

 

A crise do Ueno Bank, banco digital paraguaio com cerca de 3 milhões de clientes, reacendeu o debate sobre os riscos de manter patrimônio e operações financeiras no exterior. Em 2 de novembro, o Banco Central do Paraguai determinou o início do processo de resolução da instituição após identificar que seu índice de solvência estava abaixo de metade do mínimo exigido.

A medida envolveu o congelamento de ativos e passivos, a nomeação de interventores e a suspensão de serviços bancários, deixando correntistas temporariamente sem acesso aos recursos. A instituição mantinha mais de US$ 800 milhões em depósitos públicos, segundo a Associated Press. A crise também levou à renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central paraguaio, a pedido do então presidente Santiago Peña.

O episódio ocorre em um país que atrai empresários brasileiros pela proximidade geográfica, pelos custos operacionais e pelas vantagens tributárias. Entretanto, a decisão de investir fora do Brasil exige considerar fatores que nem sempre aparecem nas projeções iniciais de rentabilidade.

Para Douglas Bubna, empresário com atuação em investimentos e negócios internacionais, o principal cuidado é avaliar não apenas quanto uma operação pode render, mas também os riscos envolvidos na manutenção e na movimentação do capital.

"Uma carga tributária menor pode tornar um mercado interessante, mas não deve ser o principal critério para investir. É preciso avaliar a solidez das instituições, a segurança jurídica, a liquidez e a facilidade de movimentar recursos. Um investimento só pode ser considerado vantajoso quando os riscos também entram na conta", afirma.

A preocupação se torna maior quando empresas concentram reservas, receitas e capital de giro em uma única instituição financeira. Uma interrupção bancária pode comprometer pagamentos a fornecedores, salários e outras obrigações, mesmo quando o negócio apresenta resultados positivos.

No Paraguai, o Fundo de Garantia de Depósitos oferece cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por depositante e instituição, conforme as regras locais. Em 5 de novembro, o Banco Central anunciou o início dos pagamentos ao primeiro grupo de clientes do Ueno Bank, formado por depositantes com até 10 milhões de guaranis, sem dívidas com a instituição e com conta habilitada em outro banco ou financeira. O limite dessa etapa não corresponde ao teto geral da garantia.

A autoridade monetária ressaltou que o caso é pontual e não representa um problema generalizado do sistema financeiro paraguaio. Segundo Bubna, a diversificação internacional precisa considerar também a distribuição dos recursos entre instituições e a disponibilidade de reservas financeiras.

"Não basta distribuir o patrimônio entre países ou diferentes tipos de investimento se toda a operação depende das mesmas instituições ou apresenta riscos semelhantes. A diversificação precisa ser acompanhada de planejamento financeiro, reservas de liquidez e conhecimento das regras de cada local", explica.

Além da segurança bancária, investidores e empresários devem considerar a exposição cambial, a tributação aplicável, os custos da operação e possíveis mudanças regulatórias. Esses fatores podem alterar a rentabilidade e exigir recursos adicionais ao longo do investimento.

A internacionalização, por outro lado, continua oferecendo oportunidades de diversificação de receitas, acesso a novos mercados e expansão patrimonial. O desafio está em identificar destinos compatíveis com os objetivos e a capacidade financeira de cada investidor.

"Investir fora do Brasil pode ser uma estratégia importante de crescimento e proteção patrimonial. Mas a decisão precisa estar apoiada em informações consistentes, e não apenas na promessa de custos menores ou retornos elevados. Preservar o capital é tão importante quanto buscar rentabilidade", conclui Bubna.

Sobre

Douglas Bubna é empresário com mais de 16 anos de experiência em estratégia, desenvolvimento de negócios, Private Equity, Real Estate, investimentos e expansão empresarial. É fundador e CEO da Head Oversea, com atuação no desenvolvimento e expansão de negócios nos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira, passou por empresas como LPL Consultoria Tributária, Groupon, Raízen, Oi/Telemar e Heineken. É graduado em Administração de Empresas e possui MBA em Gestão de Marketing.

 


 

 




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