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- mell280
05/11/2026 09h32
Hospital acompanha recém-nascidos que podem chegar ao mundo com menos de 500 gramas e semanas antes do previsto.
Unidade de Comunicação Regional 25
Com equipamentos especializados, equipe multiprofissional e participação ativa das famílias, hospital acompanha recém-nascidos que podem chegar ao mundo com menos de 500 gramas e semanas antes do previsto.
Um bebê que nasce pesando menos de 500 gramas pode ter um longo caminho pela frente até conseguir respirar sem ajuda, manter a própria temperatura e se alimentar sozinho. No Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), filiado à HU Brasil, esse caminho é acompanhado de perto por uma equipe especializada, que reúne tecnologia, conhecimento científico e cuidado humanizado para atender recém-nascidos prematuros.
A história do menor bebê já atendido pela equipe da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neonatal) do hospital ajuda a dimensionar a complexidade desse trabalho. Ele nasceu com apenas 400 gramas e chegou a pesar 390 gramas durante a internação. Hoje, é uma criança que corre, brinca e transmite alegria aos pais.
A experiência mostra que, mesmo diante de condições extremamente delicadas, os avanços da assistência neonatal ampliam as possibilidades de sobrevivência e desenvolvimento desses pequenos pacientes. Esse é um dos aspectos que ganham destaque durante o Novembro Roxo, campanha de conscientização sobre a prematuridade, que chama a atenção para a prevenção dos nascimentos prematuros e a importância da assistência especializada.
Quando o bebê chega antes da hora
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerado prematuro extremo o bebê que nasce antes de completar 28 semanas de gestação. Nessa fase, diversos órgãos e sistemas ainda estão em desenvolvimento, especialmente os sistemas respiratório e nervoso, mas também o cardiovascular, gastrointestinal, renal e imunológico. A pele, a visão e a audição também apresentam imaturidade.
A enfermeira neonatologista Renata Teles da Silva, responsável técnica de enfermagem da UTI Neonatal, da Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCIN) e da Unidade Canguru do Humap, explica que os primeiros momentos após o nascimento exigem atenção especial.
“A principal dificuldade é a adaptação fisiológica e sensorial à vida extrauterina. Podem ocorrer problemas respiratórios, hipotermia, hemorragia intracraniana, infecções, lesões de pele e dificuldades relacionadas à nutrição”, explica.
Os primeiros dias de vida costumam ser os mais delicados, justamente porque o organismo precisa se adaptar a condições para as quais ainda não estava completamente preparado. Como a internação pode durar aproximadamente três meses, o acompanhamento também precisa considerar as possíveis intercorrências relacionadas à imaturidade dos órgãos e sistemas.
Tecnologia que ajuda a salvar vidas
Para oferecer suporte aos bebês extremamente prematuros, a assistência neonatal conta com equipamentos especializados. Incubadoras, ventiladores mecânicos e monitores multiparamétricos são alguns dos recursos utilizados no acompanhamento desses pacientes.
A incubadora, por exemplo, desempenha duas funções essenciais: fornecer calor e controlar a umidade. Como a pele do prematuro é muito imatura, há maior perda de água para o ambiente, o que dificulta a manutenção da temperatura corporal. A umidade ajuda a preservar a barreira cutânea, reduzindo o risco de lesões e infecções.
Já o suporte respiratório pode ocorrer de forma invasiva, quando o bebê é intubado e conectado a um ventilador mecânico, ou não invasiva, por meio do CPAP, equipamento que fornece pressão positiva contínua nas vias aéreas através de um dispositivo nasal.
Os monitores multiparamétricos permitem acompanhar continuamente indicadores importantes, como frequência cardíaca, saturação de oxigênio, pressão arterial, temperatura e frequência respiratória.
A evolução desses equipamentos transformou as possibilidades de assistência aos recém-nascidos de extremo baixo peso. Segundo Renata, os ventiladores atuais permitem oferecer suporte respiratório a bebês que pesam cerca de 500 gramas, enquanto incubadoras mais sofisticadas possibilitam um controle mais preciso das condições ambientais.
Outro avanço importante está na produção de conhecimento científico. Pesquisas e evidências clínicas contribuíram para a elaboração de protocolos mais seguros e específicos para o manejo desses pacientes. Atualmente, existem registros de sobrevivência de bebês nascidos com 22 e 23 semanas de gestação, embora cada caso dependa de avaliação individual e apresente desafios próprios.
Cuidado que vai além dos equipamentos
Se a tecnologia é indispensável, o trabalho integrado dos profissionais é igualmente importante. A assistência aos prematuros envolve diferentes especialidades, que atuam de maneira complementar para atender às necessidades de cada bebê.
A fisioterapia participa do manejo respiratório e motor. A terapia ocupacional trabalha os estímulos sensoriais e motores, enquanto a fonoaudiologia acompanha o desenvolvimento das habilidades necessárias à alimentação e à amamentação.
A enfermagem mantém assistência contínua, 24 horas por dia, realizando procedimentos, acompanhando a evolução clínica e planejando os cuidados individualizados. Entre suas atribuições está a inserção e a manutenção do cateter central de inserção periférica (PICC), importante recurso para a administração de medicamentos e nutrição.
O serviço social e a psicologia também têm papel fundamental, especialmente no acolhimento dos familiares durante o período de internação.
“É muito importante que as famílias sejam ouvidas em sua singularidade e que se tornem protagonistas no cuidado e na recuperação clínica dos bebês. E o mais importante é a comunicação efetiva entre os membros da equipe para o planejamento terapêutico”, destaca Renata.
Além dos equipamentos e dos procedimentos, existem cuidados que fazem diferença no desenvolvimento dos prematuros: redução de ruídos e luminosidade, posicionamento adequado, manuseio mínimo e medidas não farmacológicas para alívio da dor. São práticas que respeitam a imaturidade do bebê e contribuem para sua neuroproteção.
Pais também fazem parte do tratamento
A participação da família não é apenas um complemento à assistência: é parte fundamental do tratamento. Durante a internação, pais e mães são orientados a participar dos cuidados, aprendendo sobre amamentação, extração e armazenamento do leite materno, higiene, conforto e identificação dos sinais de alerta.
Nesse processo, o Método Canguru ocupa lugar de destaque. Política pública de saúde e modelo de atenção perinatal humanizada, ele reúne práticas que valorizam o acolhimento, o aleitamento materno, o respeito à individualidade do bebê e de sua família e a participação dos pais na recuperação.
Uma das principais práticas é a posição canguru, em que o bebê permanece em contato pele a pele com a mãe ou o pai. A prática favorece o vínculo afetivo, contribui para a estabilidade da temperatura e dos sinais vitais, estimula a amamentação e auxilia no desenvolvimento neurológico e no ganho de peso.
O método também inclui medidas de proteção ao desenvolvimento, como controle de ruídos e luminosidade, posicionamento adequado e manejo cuidadoso da dor.
A alta é uma etapa, não o fim do acompanhamento
Mesmo quando o bebê deixa de precisar da incubadora, a internação pode continuar. No Humap, a equipe considera critérios clínicos e de desenvolvimento para avaliar quando o recém-nascido está preparado para voltar para casa.
De acordo com Renata, os bebês geralmente permanecem na incubadora até atingirem 34 semanas de idade gestacional e peso de aproximadamente 1.600 gramas. A alta hospitalar depende de outros fatores, como autonomia alimentar, ganho de peso nos três dias anteriores à saída, peso mínimo de 1.800 gramas e segurança dos pais para realizar os cuidados em casa.
Muitas dessas etapas são vivenciadas na Unidade Canguru, onde acontece a segunda fase do Método Canguru. Depois da alta, o acompanhamento continua no ambulatório da terceira etapa, com consultas semanais até que o bebê alcance 2.500 gramas e 40 semanas de idade gestacional corrigida.
Para a profissional, o fortalecimento das práticas do Método Canguru e o investimento em pesquisas são caminhos importantes para aprimorar ainda mais a assistência neonatal.
No Novembro Roxo, a mensagem que fica é que cada semana a mais de gestação importa e que cada bebê prematuro precisa de uma assistência especializada, individualizada e acolhedora. No Humap-UFMS, ciência, tecnologia, profissionais e famílias caminham juntos para oferecer aos pequenos pacientes as melhores condições possíveis para crescer e se desenvolver.
Sobre a HU Brasil
O Humap-UFMS integra a HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
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