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53% dos candidatos ouvidos já usaram IA para responder perguntas ou realizar testes em processos seletivos


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  • mell280

22/10/2026 10h42

53% dos candidatos ouvidos já usaram IA para responder perguntas ou realizar testes em processos seletivos

Luciana Vianna


Pesquisa da Heach com 3.040 participantes mostra que 41% recorreram à ferramenta em provas destinadas a avaliar o próprio conhecimento e 39% apresentaram conteúdo gerado por IA como se fosse próprio

 

 

 

Mais da metade dos candidatos ouvidos pela Heach Recursos Humanos afirma já ter usado inteligência artificial para responder uma pergunta ou realizar um teste, case ou tarefa em um processo seletivo.

O índice de 53,1% é o principal resultado de um levantamento com 3.040 participantes das cinco regiões do Brasil, realizado a partir do banco de dados da empresa, que reúne aproximadamente 14 milhões de currículos em setembro de 2026. 

Os resultados alcançam etapas criadas para verificar as competências de quem disputa uma vaga. 41,2% dizem ter utilizado IA em uma prova, teste técnico ou desafio que deveria avaliar seu próprio conhecimento. Já 39,4% apontam ter apresentado conteúdo produzido total ou majoritariamente pela ferramenta como se fosse de sua autoria. Durante as entrevistas de emprego, 35,8% relatam ter recorrido à IA para formular respostas em tempo real. 

“Uma empresa pode receber um teste correto e um case convincente sem conseguir identificar quanto daquele resultado foi produzido pelo candidato. Se a etapa foi criada para medir conhecimento individual, essa distinção é indispensável para tomar uma decisão de contratação”, pontua Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos. 

62,7% usariam IA se isso aumentasse suas chances de conseguir a vaga 

A pesquisa também perguntou se os candidatos utilizariam inteligência artificial em um processo seletivo caso isso aumentasse muito suas chances de contratação. 62,7% responderam “certamente sim” ou “provavelmente sim”. Esse índice expressa uma intenção declarada; os demais percentuais se referem a situações que os participantes dizem já ter vivido. 

“Se a empresa não informa o que é permitido, cada candidato estabelece seu próprio limite. No fim, o recrutador pode comparar respostas produzidas em condições diferentes como se todos tivessem passado pela mesma avaliação”, diz Elcio. 

Diferença de 35 pontos percentuais entre faixas etárias 

O uso de IA para responder perguntas ou realizar etapas de seleção foi relatado por 63,9% dos participantes de 18 a 24 anos e por 28,9% daqueles com 55 anos ou mais. A diferença é de 35 pontos percentuais. 

Entre os mais jovens, 49,8% afirmam já ter apresentado conteúdo gerado por IA como se fosse próprio, ante 17,8% na faixa de 55 anos ou mais. O uso da ferramenta durante entrevistas em tempo real aparece em 48,3% e 14,3% das respostas desses grupos, respectivamente. 

“Os candidatos chegam aos processos seletivos com hábitos tecnológicos diferentes. Cabe às empresas estabelecer regras claras para todos e construir avaliações que mostrem a contribuição real de cada pessoa”, destaca Elcio. 

A regra precisa acompanhar o objetivo do teste 

Para o CEO da Heach Recursos Humanos, usar IA não caracteriza, por si só, uma irregularidade. Em vagas que exigem trabalhar com a tecnologia, a capacidade de utilizá-la pode ser justamente uma competência a avaliar. Uma prova de conhecimento individual, por outro lado, exige condições compatíveis com esse objetivo. 

A recomendação do especialista é informar antes de cada etapa se a IA pode ser usada, em quais tarefas e se o candidato deve declarar sua utilização. Em cases e entregas assistidas, pedir que ele explique suas escolhas ajuda a avaliar seu raciocínio e sua participação no resultado. 

“Não basta perguntar se o candidato usou IA. A empresa precisa saber o que queria medir naquela etapa. Uma seleção bem desenhada consegue avaliar o domínio da ferramenta quando ele é relevante e verificar o conhecimento individual quando ele é necessário”, conclui Elcio.


 

 




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