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Após debate eleitoral, Focus expõe desafio para 2027: Juros próximos de 14% e crescimento limitado


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19/10/2026 09h00 - Atualizado em 19/10/2026 09h57

Após debate eleitoral, Focus expõe desafio para 2027: Juros próximos de 14% e crescimento limitado

Luiza Torres: Assessoria de Imprensa


 Após debate eleitoral, Focus expõe desafio para 2027: Juros próximos de 14% e crescimento limitado

 

 

 

"Novos financiamentos possam ficar de 1,5 a 3 pontos percentuais mais caros ao ano, conforme a modalidade", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

       “O Focus mostra que um dólar mais baixo não significa necessariamente menor risco econômico. O câmbio responde aos fluxos internacionais, enquanto a inflação também depende dos serviços, das expectativas e da política fiscal. Com Selic projetada em 12% e IPCA de 4,32% para 2027, os juros reais esperados ficam próximos de 7,36% ao ano. Isso demonstra que, mesmo com estabilidade cambial, o Brasil pode continuar exigindo retornos elevados para atrair financiamento de longo prazo. Uma transição política sem compromisso fiscal claro poderia levar a Selic a 13,25% no fim de 2027. Somada à elevação dos prêmios de risco, essa trajetória poderia encarecer operações de crédito entre 1,75 e 2,25 pontos percentuais ao ano. Em uma captação de R$ 20 milhões, um aumento de 2 pontos significaria R$ 400 mil adicionais em juros anuais. A recuperação de investimentos de longo prazo poderia avançar apenas no segundo semestre de 2028, aumentando a importância de governança, garantias e estruturas financeiras com fluxos previsíveis”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

       “O principal alerta do Focus é que o dólar mais favorável não está sendo suficiente para conter as pressões inflacionárias. O IGP-10 divulgado hoje reforça essa preocupação: o índice acelerou de 1,47% para 1,76% em outubro, enquanto os preços ao produtor avançaram 2,36%, acima dos 1,90% de setembro. Isso mostra que combustíveis, matérias-primas e custos das cadeias produtivas continuam pressionados, mesmo com o crescimento projetado em apenas 1,32% para 2027. O risco é que parte desses aumentos seja absorvida pelas empresas antes de chegar ao consumidor, elevando a necessidade de capital de giro para financiar estoques e fornecedores. Se a transição política mantiver dúvidas fiscais e essas pressões persistirem, a Selic poderia encerrar 2027 entre 13% e 13,5%. Nesse cenário, linhas de capital de giro poderiam encarecer de 2 a 3 pontos percentuais ao ano, acrescentando até R$ 300 mil em juros para cada R$ 10 milhões utilizados durante 12 meses. A recuperação do consumo e dos investimentos operacionais poderia ser adiada entre 6 e 12 meses. Isso reforça a importância de integrar crédito, pagamentos e gestão de recebíveis às operações comerciais, garantindo maior eficiência financeira e previsibilidade de caixa”, Letícia Moschioni, sócia da Finscale.

       “O Focus aponta um cenário desafiador para 2027, com crescimento projetado de apenas 1,32% e inflação de 4,32%, mesmo diante da expectativa de um câmbio mais favorável. A valorização do real ajuda a conter os preços dos importados, mas não consegue compensar integralmente a inflação de serviços, os custos de energia e as pressões decorrentes das expectativas fiscais. O principal risco é que a economia continue perdendo força sem uma redução proporcional da inflação, mantendo os juros elevados por mais tempo. Caso o próximo governo não apresente medidas consistentes para estabilizar a dívida pública e controlar as despesas, considero possível que a Selic encerre 2027 entre 13% e 13,5%, acima dos 12% projetados pelo Focus. Nesse cenário adverso, a combinação de juros mais elevados e spreads pressionados poderia encarecer o crédito em aproximadamente 1,5 a 2,5 pontos percentuais ao ano, dependendo do perfil das operações. Esse aumento afetaria diretamente o financiamento das famílias e os projetos de expansão das empresas, podendo retardar a recuperação do consumo e dos investimentos por mais dois a quatro trimestres. Portanto, a trajetória fiscal será determinante para transformar a expectativa de juros menores em uma redução efetiva do custo de financiamento e em uma recuperação mais consistente da economia”, Gustavo Assis, CEO da Asset.

       “A redução do PIB esperado para 1,32% em 2027, enquanto a inflação permanece projetada em 4,32%, revela um problema de produtividade. O dólar mais favorável pode baratear máquinas e tecnologia importadas, mas não resolve os custos domésticos, a infraestrutura deficiente e a dificuldade de ampliar a oferta. Em um cenário internacional de disputa por capital e avanço da inteligência artificial, crescer pouco e manter a inflação elevada representa um desafio estrutural à competitividade brasileira. Sem uma melhora fiscal após as eleições e com juros internacionais ainda restritivos, a Selic poderia terminar 2027 entre 12,75% e 13,25%. O crédito poderia custar de 1 a 2 pontos percentuais adicionais ao ano, adiando entre 6 e 12 meses a retomada do consumo e dos projetos de expansão. Para uma empresa que mobilize R$ 5 milhões, isso representa até R$ 100 mil anuais adicionais em custo financeiro. No venture capital, esse ambiente amplia o valor de startups que entregam produtividade, eficiência de capital, receitas recorrentes e soluções capazes de acelerar o crescimento da economia”, Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest.

       “A combinação de inflação persistente e menor crescimento prevista pelo Focus tende a prolongar a pressão sobre o orçamento das famílias. Embora o dólar mais favorável reduza parte dos custos de importação, seu efeito é limitado sobre despesas essenciais, serviços e moradia. Além disso, mesmo quando a Selic começa a cair, as taxas cobradas do consumidor demoram a acompanhar o movimento, porque também incorporam inadimplência, garantias e risco de crédito. Se a inflação continuar resistente e o cenário fiscal permanecer incerto após as eleições, a Selic poderá encerrar 2027 entre 13% e 13,25%. Estimo que novos financiamentos possam ficar de 1,5 a 3 pontos percentuais mais caros ao ano, conforme a modalidade. Em uma simulação de financiamento imobiliário de R$ 500 mil por 15 anos, a elevação da taxa de 12% para 14% ao ano acrescentaria aproximadamente R$ 600 à prestação mensal. Isso poderia atrasar entre 9 e 15 meses a recuperação das compras financiadas e dos investimentos, tornando o planejamento dos prazos e das garantias ainda mais relevante”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

       “O Boletim Focus consolida uma preocupação cada vez mais crescente de que mesmo com expectativas de câmbio mais favoráveis haverá mais dificuldades para a convergência da inflação e para a retomada do crescimento em 2027. O principal risco que a valorização do real não está conseguindo compensar é a combinação de fragilidade fiscal, expectativas inflacionárias desancoradas e pressões domésticas sobre os preços, especialmente nos serviços. O câmbio favorece a inflação de produtos importados, mas não resolve os desequilíbrios estruturais da economia brasileira. O cenário pós-eleitoral será determinante. Independentemente de quem vença, a apresentação de um plano fiscal crível, com medidas concretas para estabilizar a trajetória da dívida pública, é condição para evitar uma elevação dos prêmios de risco e uma resistência maior da inflação. Sem este plano, fica mais difícil chegarmos ao final de 2027 com a SELIC em 12%, sendo mais provável ficarmos mais próximo dos patamares atuais. Os efeitos, como já conhecemos, serão particularmente relevantes sobre o crédito corporativo, os investimentos produtivos e o consumo de bens duráveis. Em um cenário de deterioração fiscal persistente, a recuperação mais consistente dessas atividades poderia ser postergada em aproximadamente 12 a 18 meses, deslocando parte da retomada para 2028 e, eventualmente, 2029. O ponto central é que o Brasil precisa de uma combinação coordenada de responsabilidade fiscal, previsibilidade institucional e política monetária. Sem isso, continuaremos convivendo com um custo de capital elevado, crescimento limitado e menor capacidade de investimento”, Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital.

       “O Focus desta semana mostra que o dólar mais baixo já não basta para melhorar o cenário. O mercado reduziu a projeção de crescimento para 2027 de 1,40% para 1,32% e elevou levemente a de inflação, de 4,30% para 4,32%, mesmo esperando um dólar menor, de R$ 5,22 no fim do ano que vem. A inflação ainda fica bem acima da meta de 3%. O câmbio ajuda a baratear produtos importados, mas não resolve o problema principal, que é interno. A inflação de serviços segue resistente, há medidas que aumentam custos, como o fim da escala 6x1, e as contas públicas continuam sem rumo claro: o próprio Focus projeta déficit primário de 0,40% do PIB em 2027 e dívida pública chegando a 74% do PIB. O risco que o câmbio não consegue compensar é o fiscal. Se o próximo governo não apresentar um plano crível de controle de gastos, o Banco Central perde espaço para cortar juros. Nesse cenário, não seria surpresa a Selic terminar 2027 entre 13% e 13,75%, praticamente no nível atual, e não nos 12% que o Focus projeta há 18 semanas. O mercado de juros já mostra essa desconfiança: na última quinta-feira, a taxa para janeiro de 2029 fechou em 12,73%, bem acima dos 10,5% que o Focus espera para a Selic em 2028. Para quem toma crédito, isso significaria juro básico entre um e quase dois pontos percentuais acima do previsto. Como os bancos repassam essa alta e ainda cobram mais pelo risco, o encarecimento chegaria ao consumidor e às empresas de forma ainda mais forte. Na prática, a recuperação do consumo e dos investimentos ficaria adiada por pelo menos um ano, e uma retomada mais firme só viria a partir de 2028”, André Matos, CEO da MA7 Capital.

       “A aceleração do IGP-10 para 1,76% em outubro, com alta de 2,36% nos preços ao produtor, mostra que a inflação brasileira continua exposta a choques de custos, mesmo com a perspectiva de um dólar mais favorável. A pressão sobre combustíveis, soja e bovinos revela que a dinâmica dos preços depende também da oferta de commodities e das condições internas de produção. Ao mesmo tempo, o real pode se valorizar por fatores externos, como fluxos de capital e decisões do Federal Reserve, sem que isso represente uma melhora estrutural das contas públicas. O Focus, ao projetar inflação de 4,32% e crescimento de apenas 1,32% para 2027, indica que o risco inflacionário permanece relevante mesmo diante de uma economia mais fraca. Se os juros americanos permanecerem elevados e a transição política brasileira aumentar o prêmio de risco fiscal, estimo que a Selic possa encerrar 2027 entre 13,5% e 14%, acima dos 12% esperados pelo mercado. O crédito poderia encarecer de 2 a 3 pontos percentuais ao ano, adiando entre 9 e 18 meses a recuperação mais ampla do consumo e dos investimentos. Nesse ambiente, a diversificação internacional ganha relevância, pois ativos dolarizados e diferentes fontes de renda permitem reduzir a dependência das oscilações da política monetária brasileira e dos fluxos cambiais de curto prazo”, Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.