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Eletrificação da frota transforma rotina logística e amplia eficiência nas operações


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14/10/2026 14h40

Eletrificação da frota transforma rotina logística e amplia eficiência nas operações

Luciana Vianna


Ao substituir motores a combustão por equipamentos elétricos, a mudança exige revisão de processos e gestão energética dentro dos centros de distribuição e armazéns

 

 

 

 

A eletrificação das frotas de movimentação de materiais vem ganhando espaço nas operações logísticas e já provoca mudanças que vão muito além da escolha de uma nova empilhadeira. À medida que empresas buscam reduzir emissões, ruídos e custos operacionais, a adoção de equipamentos elétricos passa a exigir uma visão integrada sobre infraestrutura, carregamento, manutenção, treinamento de operadores e planejamento da jornada de trabalho. 

No Brasil, esse movimento acompanha uma tendência internacional de expansão da eletrificação na movimentação de materiais. Segundo dados da World Industrial Truck Statistics (WITS), as empilhadeiras elétricas consolidaram sua liderança global, representando cerca de 65% a 69% das vendas e remessas anuais de novos equipamentos de movimentação de materiais. O avanço também é impulsionado pela evolução das baterias de íons de lítio, que permitem maior flexibilidade operacional e podem reduzir algumas das limitações associadas às baterias convencionais de chumbo-ácido. 

Segundo Humberto Mello, diretor da Tria Empilhadeiras, marca de equipamentos para manuseio e transporte de cargas e baterias de lítio, na prática, uma das principais mudanças para a operação está na forma como a energia passa a ser incorporada ao planejamento logístico. 

Em vez de pensar apenas em abastecimento de combustível, a empresa precisa considerar onde, quando e por quanto tempo os equipamentos serão carregados. A definição dos pontos de recarga, a disponibilidade de energia elétrica e a compatibilidade entre o perfil de utilização da empilhadeira e a tecnologia da bateria passam a fazer parte da gestão da frota. 

“Eletrificar uma frota não significa simplesmente trocar uma empilhadeira a combustão por uma elétrica. É necessário entender a operação como um todo, desde o número de horas trabalhadas e os ciclos de movimentação até os períodos de pausa, o espaço disponível e a infraestrutura elétrica. Quando essa análise é bem realizada, a eletrificação pode trazer ganhos importantes para a rotina e para a previsibilidade da operação”, pontua Humberto. 

Além disso, equipamentos elétricos possuem uma arquitetura diferente dos modelos equipados com motores a combustão e, em determinadas configurações, apresentam menor quantidade de componentes mecânicos sujeitos a desgaste. Isso pode alterar a frequência e a natureza das intervenções de manutenção, embora a bateria e os sistemas elétricos passem a exigir acompanhamento especializado e procedimentos adequados de inspeção e segurança. 

Junto a isso, Mello também destaca que a tecnologia pode contribuir para melhorar as condições ambientais dentro dos galpões. 

“Como não há emissão local de gases de escapamento durante a operação, as empilhadeiras elétricas são particularmente adequadas para ambientes internos, desde que sejam consideradas as características específicas de cada aplicação. A redução de ruído é outro fator relevante, principalmente em operações realizadas próximas a trabalhadores ou em instalações onde o controle acústico é importante”, complementa o diretor. 

A eletrificação é uma das principais frentes de transformação do setor energético global, impulsionada pela redução dos custos e pela evolução tecnológica de baterias e equipamentos elétricos. No ambiente logístico, essa transformação ocorre paralelamente à necessidade de aumentar produtividade e rastreabilidade, fazendo com que a gestão energética passe a integrar cada vez mais as decisões sobre equipamentos. 

A escolha da tecnologia, no entanto, deve partir das características de cada operação. Conforme Humberto, aplicações com diferentes intensidades de uso, turnos, cargas, ambientes e necessidades de autonomia podem demandar soluções distintas. Por isso, a análise do ciclo de trabalho é fundamental para dimensionar corretamente a frota e evitar tanto a subutilização dos equipamentos quanto a falta de disponibilidade durante os períodos de maior demanda. 

“A eletrificação precisa ser encarada como um projeto operacional. É preciso avaliar produtividade, autonomia, infraestrutura, perfil de carregamento, manutenção e capacitação dos operadores. O objetivo não é só substituir uma fonte de energia por outra, mas construir uma solução que faça sentido para a realidade de cada cliente”, conclui o porta-voz. 


 

 




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