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A engrenagem invisível que transformou a avicultura brasileira em potência global


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10/10/2026 07h45

A engrenagem invisível que transformou a avicultura brasileira em potência global

*Rodrigo Tedesco Guimarães é médico-veterinário formado pela Universidade Federal de Pelotas e gerente de Serviços Técnicos da Aviagen no Brasil


  *Rodrigo Tedesco Guimarães

O crescimento da avicultura industrial brasileira nos últimos quinze anos é um dos fenômenos mais robustos do agronegócio mundial. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que, em 2011, o Brasil produzia cerca de 13 milhões de toneladas de carne de frango, destinando pouco menos de 4 milhões de toneladas ao mercado externo. Atualmente, o País consolidou sua liderança global em exportações, superando a marca de 15 milhões de toneladas produzidas e ultrapassando as 5 milhões de toneladas exportadas para mais de 150 nações.

 

Essa expansão ocorreu em um ambiente de negócios complexo. O setor opera historicamente sob forte pressão de margens e depara-se com uma volatilidade intensa no custo dos principais insumos, como o milho e a soja. Quando os custos operacionais sobem na velocidade das commodities, a eficiência zootécnica passa a ditar a sobrevivência financeira das empresas.

Como um País de dimensões geográficas que desafiam qualquer padronização técnica linear, no Brasil um mesmo lote de aves precisa expressar seu potencial sob o calor e a umidade acentuada das regiões tropicais ou enfrentar as amplitudes térmicas severas do Sul do país. Da mesma forma, a realidade estrutural do parque produtivo nacional é heterogênea, coexistindo galpões convencionais e abertos ao lado de estruturas altamente tecnificadas e climatizadas.

Para que a engrenagem industrial funcione sem solavancos nessas condições, o ativo biológico alojado precisa oferecer robustez e uma ampla janela de manejo. Se a ave exigir um ambiente absolutamente perfeito para entregar resultados, o risco operacional torna-se proibitivo para a agroindústria. É a versatilidade de performance, tanto no aviário de alta tecnologia quanto na condição desafiadora de campo, que confere segurança ao produtor.

A busca pelo equilíbrio genético

Foi justamente nesse cenário de transição técnica e econômica, há 15 anos, que o mercado de seleção genética precisou recalibrar suas prioridades. O lançamento de soluções estruturadas no início da década passada, a exemplo da introdução da linhagem Ross® 308 AP pela Aviagen®, marcou um momento de virada na busca por esse equilíbrio. O campo passou a entender que a alta performance precisava ser distribuída de forma equitativa por toda a cadeia, contemplando a produção de ovos e pintinhos na matriz, a conversão alimentar no frango de corte e o rendimento de carcaça no abatedouro.

Do ponto de vista econômico, dispor de uma base biológica previsível reduz drasticamente os desvios entre o planejado e o realizado. Quando os indicadores de eclosão, ganho de peso diário e viabilidade tornam-se constantes, a gestão consegue planejar com precisão a fábrica de rações, a logística dos alojamentos e a escala de abate industrial. Pequenos incrementos nesses índices, quando multiplicados por milhões de aves processadas mensalmente pelas integrações, representam cifras milionárias de economia e diluição de custos fixos.

Mitigação de riscos e custos ocultos

Em momentos de forte concorrência, o mercado frequentemente depara-se com novas promessas zootécnicas. No entanto, a adoção de novidades sem validação em larga escala comercial traz consigo custos ocultos de transição. Toda mudança de linhagem exige revisões nutricionais, recalibragem de ambiência, períodos de adaptação das equipes de campo e, não raramente, oscilações inesperadas nos primeiros lotes.

Trabalhar com um histórico real de performance e uma curva de manejo já amplamente dominada pelos extensionistas minimiza a variabilidade entre os lotes. Essa consistência evita as chamadas perdas invisíveis, aquelas que não aparecem detalhadas no balanço diário, mas corroem as margens por meio de descartes no incubatório ou falta de uniformidade no peso final que chega ao frigorífico.

A avicultura moderna consolidou-se sobre a certeza de que a inovação é indispensável, mas deve vir acompanhada de segurança biológica. Em um cenário de mercado disputado e globalizado, a estabilidade técnica transforma-se na principal linha de defesa contra as incertezas econômicas.

*Rodrigo Tedesco Guimarães é médico-veterinário formado pela Universidade Federal de Pelotas e gerente de Serviços Técnicos da Aviagen no Brasil


 





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