09/10/2026 11h30
Fila de precatórios federais de 2027 soma R$ 44,9 bi: dois terços dos casos são previdenciários e 98% valem até R$ 1 milhão
Relatório do governo mostra uma fila formada em grande parte por pessoas físicas; fundo especializado descreve o perfil de quem decide vender o crédito em vez de esperar
Os precatórios federais que entram no orçamento de 2027 somam R$ 44,9 bilhões e alcançam 209.622 beneficiários, segundo relatório divulgado em março de 2026 pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. São 117.855 pedidos contra a União, dos quais 79.353 têm origem previdenciária, e quase todos (97,9%) valem até R$ 1 milhão. Diante da espera, parte dos credores opta por vender o crédito. A Ridolfinvest, fundo especializado na compra de precatórios gerido pela Leen Capital, descreve três perfis de quem toma essa decisão.
A fila de 2027 em números
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Indicador |
Valor |
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Valor total inscrito para 2027 |
R$ 44,9 bilhões |
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Pedidos (precatórios) |
117.855 |
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Beneficiários |
209.622 |
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Pedidos de até R$ 1 milhão |
97,9% (R$ 23,9 bilhões) |
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Pedidos de natureza previdenciária |
79.353 |
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Fundef |
127 pedidos (R$ 5,8 bilhões) |
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Total inscrito para 2026 |
R$ 71,9 bilhões |
Fonte: Ministério do Planejamento e Orçamento, relatório de março de 2026.
A queda de R$ 27 bilhões em relação a 2026 é atribuída pelo governo a dois fatores: a antecipação do prazo para o Judiciário enviar as informações, de abril para fevereiro, e a mudança no indexador da dívida, que deixou de ser a Selic e passou a ser o IPCA mais 2% ao ano. O maior precatório da lista, de cerca de R$ 2,5 bilhões, é do Fundef e foi expedido pelo TRF da 5ª Região.
As regras que definem a espera
Desde a Emenda Constitucional 136/2025, promulgada em setembro de 2025, a data de corte para inclusão no orçamento passou de 2 de abril para 1º de fevereiro. Os precatórios apresentados até essa data são pagos até o fim do ano seguinte; os apresentados depois só entram no pagamento do segundo ano seguinte. A regra fixa um prazo máximo, e não uma data de pagamento, o que ajuda a explicar por que muitos credores avaliam antecipar o recebimento.
Quem decide vender, segundo a Ridolfinvest
Segundo o fundo, aposentados e advogados são os perfis mais frequentes entre os credores atendidos. A leitura abaixo é o perfil observado pela Ridolfinvest em sua atuação, e não pesquisa ou levantamento de mercado. Os motivos são os que mais aparecem na prática, e não uma regra.
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Perfil |
Faixa etária |
Motivos que costumam aparecer |
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Aposentado e pensionista |
Acima de 65 anos, geralmente homens |
Despesa imediata e realização de um sonho, como comprar um carro, dar entrada na casa ou viajar |
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Servidor público |
Acima de 50 anos, geralmente homens |
Quitar dívida de consignado e outras despesas |
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Advogado |
Acima de 40 anos |
Quitar dívidas e reforçar o capital de giro do escritório |
Em média, o fundo realiza cerca de 200 operações por mês, em torno de R$ 20 milhões mensais.
Para Bernardo Ridolfi, sócio da Ridolfinvest, não existe um único motivo para vender, e quem está de fora não tem como saber o que passa na cabeça de cada credor. "Depende muito do perfil de cada pessoa, e é difícil julgar a decisão de quem não está vivendo a vida dela. Pode ser uma despesa médica urgente, a oportunidade de comprar o terreno de um vizinho, um investimento no próprio negócio, a quitação de dívidas com juros mais caros ou o desejo de não comprometer a renda mensal. Há também quem esteja no fim da vida e prefira aproveitar o presente, fazer uma viagem, ter um Natal mais farto, realizar um sonho pessoal. O credor é a melhor pessoa para definir qual é o melhor momento", afirma.
Cuidados para quem decide vender
A orientação da Ridolfinvest a quem opta pela venda é a de sempre: nunca pagar taxa para liberar o crédito, não fornecer senha bancária e combinar o recebimento dos recursos no ato da assinatura.
Com 209.622 beneficiários na fila de 2027, a escolha entre esperar e antecipar o recebimento segue individual e, segundo a Ridolfinvest, deve vir acompanhada dos cuidados básicos de segurança.



