- mell280
08/10/2026 10h00
Do café ao sorvete: matcha ganha novos formatos e mercado global deve alcançar US$ 8,9 bilhões até 2033
Com US$ 5,1 bilhões movimentados em 2025 e projeção de crescimento nos próximos anos, as marcas Go Coffee e SOFT Ice Cream exemplificam como o ingrediente ganha novas aplicações no Brasil
De bebida associada à tradição japonesa a ingrediente de cafés, shakes, sorvetes e sobremesas, o matcha amplia seu espaço no setor de alimentação. O movimento acompanha um cenário de crescimento mundial. Segundo a Grand View Research, o mercado do produto movimentou US$ 5,1 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 8,9 bilhões em 2033, com crescimento médio anual de 7,1% entre 2026 e 2033.
Mais do que o avanço do consumo na forma tradicional de chá, um dos sinais dessa expansão está na diversificação de aplicações. Ainda de acordo com a consultoria, o segmento de matcha para uso culinário deve crescer, em média, 9,9% ao ano até 2033, enquanto as aplicações em alimentos têm previsão de avanço anual de 9,5% no mesmo período.
Os números ajudam a explicar por que o produto começa a ocupar diferentes espaços nos cardápios. Cafeterias e marcas de alimentação têm usado o matcha não apenas como bebida, mas também em novas combinações e categorias de produtos.
Outro indicador da demanda vem do Japão. As exportações japonesas de chá verde chegaram a 72,1 bilhões de ienes em 2025, alta de 98,2% sobre o ano anterior. A categoria inclui outros tipos de chá verde e, portanto, o resultado não pode ser atribuído exclusivamente ao matcha. O Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, no entanto, aponta a expansão da demanda internacional por chá em pó, incluindo matcha, entre os fatores relacionados ao avanço das exportações.
Das cafeterias a novas ocasiões de consumo
No Brasil, o movimento também aparece nas estratégias das redes de alimentação. A Go Coffee é uma das empresas que incorporaram o matcha ao universo das cafeterias e mantém o produto no cardápio em diferentes preparos.
“O consumidor está mais aberto a experimentar bebidas que vão além do café tradicional, e o matcha encontrou espaço nesse movimento. Quando um produto deixa de aparecer apenas em estabelecimentos especializados e começa a fazer parte do cardápio de redes, temos um sinal de amadurecimento dessa demanda. Para as cafeterias, isso também representa uma oportunidade de ampliar ocasiões de consumo e conversar com públicos diferentes”, afirma Elói Ferreira, cofundador da Go Coffee.
A presença nas cafeterias contribui para apresentar o matcha em preparos mais próximos dos hábitos de quem ainda não consome o chá em sua forma tradicional. Dessa maneira, o produto passa a disputar espaço em uma categoria mais ampla de bebidas e se torna uma alternativa para a diversificação dos cardápios.
O movimento para além das bebidas também aparece no segmento de sobremesas. Em setembro, a SOFT Ice Cream levou novamente o matcha ao cardápio em colaboração com a The Coffee. Durante a campanha, realizada entre 23 de setembro e 14 de outubro, o sabor apareceu em casquinhas, cones especiais, sobremesa e shakes, com combinações de frutas vermelhas e amarena.
“Quando o matcha começa a aparecer em sorvetes, shakes e sobremesas, ele deixa de estar restrito ao universo dos chás e passa a funcionar também como sabor. Isso abre espaço para apresentar o ingrediente a consumidores que talvez nunca pedissem um matcha tradicional, mas estão dispostos a experimentá-lo em formatos mais próximos dos seus hábitos”, afirma Matheus Krauze, sócio-fundador da SOFT Ice Cream.
A iniciativa acompanha uma das frentes de crescimento previstas para a categoria. Além do consumo como chá, o matcha vem sendo explorado em alimentos, itens de confeitaria e sobremesas, ampliando suas possibilidades de aplicação no foodservice.
De tendência a ingrediente de mercado
A combinação entre crescimento e diversificação aponta para uma nova etapa de consumo. Em vez de depender exclusivamente de quem já conhece ou tem o hábito de beber chá verde, o matcha chega ao público em formatos mais familiares, como lattes, bebidas geladas, shakes, sorvetes e sobremesas.
Essa versatilidade também amplia as possibilidades para o foodservice. Nas cafeterias, o matcha ajuda a diversificar cardápios tradicionalmente concentrados no café e atende consumidores interessados em experimentar outras bebidas. Para marcas de sobremesas, abre espaço para novos sabores, combinações e produtos sazonais.
No Brasil, embora ainda não exista uma estatística pública que permita isolar com precisão o volume consumido de matcha, estimativas apontam potencial de expansão. A Grand View Research projeta que o mercado brasileiro do produto alcance aproximadamente US$ 47,2 milhões em 2033.
Para as redes que já incorporaram o matcha aos cardápios, a diversificação dos formatos permite acompanhar a familiarização do consumidor brasileiro com o produto e criar novas ocasiões de consumo.
“O matcha deixou de ser apenas uma curiosidade de nicho. O que percebemos é um consumidor mais familiarizado com o produto e disposto a experimentá-lo em diferentes preparos. Para as redes de cafeterias, acompanhar esse comportamento significa diversificar o cardápio sem perder conexão com o que o público já procura”, conclui Elói Ferreira.



