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Da urna ao carro novo: eleição de 2026 pode definir o custo do crédito para o consumidor


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08/10/2026 08h00 - Atualizado em 08/10/2026 09h35

Da urna ao carro novo: eleição de 2026 pode definir o custo do crédito para o consumidor

assessoria


Levantamento do IBEVAR-FIA mostra que cada 1 ponto de alta na Selic se transforma em até 18,31 pontos permanentes no juro cobrado do consumidor — e que a diferença entre os dois cenários políticos de 2027 pode chegar a 4,5 pontos na taxa básica de juros

Um estudo do IBEVAR-FIA Business School quantificou o tamanho do elo entre a decisão que o Brasil vai tomar nas urnas em outubro e o valor da prestação que chega à casa do consumidor. A resposta é maior do que a intuição sugere: cada ponto percentual de alta na Selic é repassado ao juro do crédito de recursos livres — cartão, crediário, financiamento de veículo — em uma proporção de 18,31 pontos no longo prazo, um efeito que a pesquisa classifica como "grande demais para qualquer varejista ignorar". 

Usando um modelo de correção de erros (ECM) sobre duas décadas de dados do Banco Central, o estudo mostrou que a Selic e a taxa de juros de recursos livres são cointegradas — ou seja, caminham juntas em uma relação de equilíbrio estável, com a Selic comandando o movimento. O choque de uma alta de juros chega ao bolso do consumidor em até 60 dias (impacto de curto prazo de +3,49 pontos) e se acomoda em cerca de um ano (meia-vida de 11,9 meses), até atingir o efeito pleno e permanente de +18,31 pontos. 

O impacto, porém, não é igual para todo o varejo. Bens duráveis — linha branca, eletrônicos, automóveis — sentem o choque de imediato, no crédito parcelado. Já os não duráveis, como alimentos e farmácia, praticamente não reagem à taxa de juros no curto prazo. 

O estudo modelou dois cenários para o ano seguinte à eleição, com resultados amplamente divergentes: 

 

Continuidade do governo atual 

Alternância para perfil liberal 

IPCA 2027 

4,2% – 5,0% 

3,0% – 3,5% 

Selic 2027 

10,5% – 12,0% 

7,5% – 8,5% 

Curva de juros 

Inclinada (prêmio de risco fiscal alto) 

Achatada (crédito mais barato) 

A diferença entre os dois cenários pode chegar a 4,5 pontos na Selic — uma distância suficiente, segundo o estudo, para separar "um varejo em expansão de um varejo em sobrevivência". No cenário de continuidade, o consumo popular e os bens não duráveis tendem a ser favorecidos por transferência de renda, enquanto duráveis e imobiliário de média/alta renda são penalizados pelo crédito caro. Na alternância, a queda no custo de capital favoreceria de forma ampla o consumo discricionário, o mercado imobiliário privado, o agronegócio, a indústria e a bolsa de valores. 

O levantamento também simulou um terceiro cenário — o de fragmentação política — que traria alta volatilidade cambial e paralisia de investimentos, mas abriria espaço para aquisição de ativos descontados por quem mantiver caixa disponível. 

Para o varejo, a recomendação do estudo não é apostar em um resultado eleitoral, mas se preparar para qualquer um deles. O IBEVAR-FIA descreve uma estratégia "no-regrets" — válida independentemente de quem vencer a eleição —, que combina redução da alavancagem de curto prazo, preservação de liquidez, capex modular condicionado a indicadores macroeconômicos e ganho de eficiência interna para reduzir a dependência de crédito caro. 

"No fim, a Selic de 2027 não vai ser decidida pelo Copom sozinho — vai ser decidida na urna. E é essa decisão, mais do que qualquer projeção econômica, que vai dizer se a prestação do fogão cabe ou não no orçamento do consumidor brasileiro", resume Claudio Felisoni de Angelo, Presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School. 

 

Equipe de pesquisa: Prof. Dr. Claudio Felisoni de Angelo, Prof. Dr. Nuno Manoel Martins Dias Fouto, Prof. Dr. Marcelo Felippe Figueira Jr., Profa. Dra. Patrícia Cotti, Luciano Vitorino, Marisa Cavalcanti. 

Sobre o IBEVAR - O IBEVAR - Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo é referência em pesquisas e conteúdos sobre Varejo e Consumo e principal plataforma de relacionamento de executivos do setor. Realiza mais de 40 pesquisas periódicas anuais que contribuem com o mapeamento do setor, como projeções relacionadas a vendas e intenção de compra, inflação e inadimplência, além de realizar pesquisas de tendências das principais datas sazonais e comemorativas do Varejo e de proporcionar a capacitação contínua de profissionais do setor por meio de parcerias educacionais. Fundado em 2009, a organização, que reúne mais de 19 mil associados e tem como missão ser uma Instituição que congregue executivos e executivas de varejo, indústria e serviços, promovendo relacionamento profissional e social aos executivos que atuam direta ou indiretamente no mercado de varejo e consumo no Brasil. Nesse sentido, além de celebrar junto ao mercado o reconhecimento às empresas posicionadas no Ranking anual IBEVAR – FIA em variadas categorias do varejo, desenvolveu também o Prêmio de Inovação para estimular a criação de projetos inovadores e apresentar ao mercado soluções para os desafios do Varejo. E ainda, cria debates relevantes e networking de alto nível nos Encontros Temáticos e Encontros com Varejistas, eventos que acontecem periodicamente ao longo do ano.  

  

Sobre a FIA Business School — Fundada em 1980 por professores da FEA-USP, a FIA Business School é referência em educação, consultoria e pesquisa aplicada, conectando conhecimento acadêmico às demandas reais do mercado e da sociedade. Reconhecida nacional e internacionalmente, possui acreditações globais como AMBA, EFMD e BGA, além do selo BSIS Impact, que certifica escolas de negócios com impacto comprovado no desenvolvimento econômico e social. Com mais de 150 mil alunos formados e 12 mil projetos realizados, a FIA Business School forma líderes capazes de pensar criticamente e agir com impacto.  

  

 

 




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