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- mell280
06/10/2026 07h30
Estudo do Einstein aponta estratégia para antecipar cuidados e prevenir a perda muscular em pacientes com câncer
Avaliação simples realizada na admissão hospitalar permite intervenções nutricionais e metabólicas mais precoces e personalizadas
Juliana Paranaiba |
Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita identificaram que a combinação de dois marcadores clínicos avaliados logo na admissão hospitalar pode ajudar na identificação precoce de pacientes com câncer mais vulneráveis a complicações e internações prolongadas. Obtidos por exames simples e de baixo custo, esses indicadores permitem antecipar intervenções nutricionais e metabólicas, contribuindo para evitar a perda de massa muscular e a piora do quadro clínico. Os resultados foram apresentados na ASCO Annual Meeting 2026, um dos principais congressos internacionais de oncologia.
Pacientes com câncer internados frequentemente apresentam desnutrição e um estado de desgaste metabólico que leva ao consumo acelerado de proteínas e músculos, comprometendo a recuperação e aumentando o risco de complicações. Para avaliar se esse quadro pode ser identificado mais agilmente, pesquisadores do Einstein analisaram dois marcadores obtidos por exames de rotina assistencial: a relação ureia/creatinina (UCR), calculada a partir de um exame de sangue e associada ao consumo de massa muscular, e o ângulo de fase (PhA), medido por bioimpedância e utilizado para avaliar a integridade celular e o estado nutricional do paciente.
“Os dois marcadores oferecem informações complementares. Enquanto a relação ureia/creatinina esteve associada ao risco de internação prolongada, o ângulo de fase forneceu uma visão mais ampla sobre as condições clínicas e nutricionais do paciente. Quando avaliados em conjunto, eles ampliam a capacidade de estratificar riscos e compreender diferentes aspectos da condição do paciente durante a internação", destaca o Dr. Gustavo Schvartsman, oncologista do Einstein Hospital Israelita e um dos autores do estudo.
O estudo acompanhou 104 pacientes adultos internados e mostrou que pacientes com níveis elevados de UCR apresentaram frequência significativamente maior de internação prolongada do que aqueles com valores normais (44,8% versus 15,4%). Já o PhA esteve associado ao risco de mortalidade hospitalar, indicando que valores mais baixos podem refletir pior estado nutricional e maior vulnerabilidade clínica.
"Em oncologia, a perda de massa muscular está associada a maior toxicidade dos tratamentos e menor capacidade de manter o planejamento terapêutico. O aspecto inovador deste estudo é mostrar que marcadores já disponíveis na rotina assistencial podem ajudar a reconhecer esses pacientes mais cedo e mobilizar uma atuação integrada de diferentes profissionais, como médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos, com o objetivo de preservar a funcionalidade e apoiar melhores condições para o tratamento", explica o Dr. Diogo Oliveira Toledo, um dos principais autores do estudo.
Os achados reforçam a importância de uma avaliação abrangente dos pacientes com câncer desde o início da internação. A combinação desses marcadores representa uma ferramenta adicional para identificar diferentes níveis de vulnerabilidade, apoiando o planejamento de cuidados mais direcionados e personalizados.


