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04/10/2026 08h39
Em Campo Grande para cerimônia da irmã, Nadia pediu opção em trânsito e acompanhou a filha na primeira eleição
Por Thailla Torres e Clayton Neves
Aos 16 anos, Ana Beatriz Martins ainda não é obrigada a votar, mas fez questão de acordar cedo neste domingo (4) para participar pela primeira vez de uma eleição. Ao lado da mãe, a empresária Nadia Morinigo, de 33 anos, ela chegou cedo ao local de votação em Campo Grande. Para a família, estar longe de casa não seria motivo para deixar de participar.
Nadia mora em Bonito e veio a Campo Grande para o casamento da irmã. Como a viagem já estava programada para o fim de semana das eleições, ela procurou uma alternativa para não deixar de votar e solicitou o voto em trânsito. A filha veio junto e transformou a viagem também na estreia diante da urna.
“Eu estou um pouquinho nervosa. Já votei, mas estou um pouquinho nervosa”, contou Ana Beatriz após sair da seção eleitoral.
Mesmo com o voto facultativo aos 16 anos, a adolescente conta que pesquisou antes de escolher os candidatos. “Eu já tenho todos eles. Estudei um pouquinho sobre todos”, disse.
Segundo Nadia, a decisão de tirar o título partiu da própria filha. E veio logo depois do aniversário de 16 anos.
“Para mim, é bastante gratificante e um orgulho. Desde cedo ela queria exercer a cidadania brasileira dela. Ela falou para mim: ‘Mãe, eu preciso fazer o meu título’. Fez 16 anos no dia 10 de março e, no dia 5 de maio, já encerrava a inscrição do título. Ela falou: ‘Mãe, eu fiz 16 anos, eu quero fazer o meu título’. ‘Vamos fazer’”, relembra.
Para Nadia, acompanhar a filha no primeiro voto também trouxe lembranças da própria adolescência. (Foto: Alice Lemos)
Para Nadia, acompanhar a filha no primeiro voto também trouxe lembranças da própria adolescência. Ela conta que tinha a mesma idade quando decidiu participar de uma eleição pela primeira vez.
“Eu também tinha 16 anos. Eu quis desde muito cedo exercer a cidadania, porque acho muito importante a gente buscar isso e querer exercer. O governo do nosso Estado depende da gente, a prefeitura depende da gente, o governo do Brasil depende da gente”, afirma.
O hábito, segundo ela, atravessa gerações. Nadia conta que o padrasto tem 79 anos, idade em que o voto também é facultativo, e ainda assim decidiu comparecer às urnas. “O meu padrasto tem 79 anos e ele vai exercer a cidadania dele”, conta.
Nadia chegou a Campo Grande na manhã de sábado (3) para o casamento da irmã. Como familiares vieram de diferentes cidades e estados para a cerimônia, parte deles também buscou o voto em trânsito.
Depois de pesquisar sobre o procedimento, Nadia fez a solicitação dentro do prazo e avisou os irmãos. “Eu fiz esse pedido e vi que o prazo era até 20 de agosto. Passei para os meus demais irmãos que moram em outro estado e todos nós fizemos a opção do voto em trânsito.”
Entre os convidados estavam familiares de Caxias do Sul (RS), Dourados, Coxim e outras cidades. Neste domingo, Nadia chegou cedo para votar porque ainda retorna a Bonito no mesmo dia.
“Como é a primeira vez que a gente faz essa opção de voto em trânsito e não sabia como seria o fluxo de movimento aqui, nós viemos mais cedo, porque retornamos para Bonito ainda hoje”, explica.
Para ela, participar das eleições é também uma condição para cobrar dos representantes depois. “Eu acredito que, para a gente exigir algo, nós temos que exercer a nossa cidadania. Não adianta eu querer exigir do governo, exigir do prefeito da minha cidade, se eu não estou voltada a exercer a minha cidadania.”
Depois da experiência do primeiro voto, Ana Beatriz deixou um recado simples para outros adolescentes da mesma idade: “Que eles venham votar, que exerçam a cidadania desde cedo. É importante”, finaliza.
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