01/10/2026 10h37
Manejo do solo impulsiona produtividade e acelera o ciclo das florestas plantadas
Com 8,1 milhões de hectares de eucalipto no país, condições do perfil do solo podem influenciar desenvolvimento das árvores e eficiência da produção comercial
O Brasil possui 10,5 milhões de hectares de árvores plantadas, sendo 8,1 milhões ocupados por eucalipto. A cultura sustenta uma cadeia de produção comercial em que decisões tomadas na implantação da floresta podem ter reflexos durante vários anos do ciclo produtivo, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).
Nesse cenário, o manejo do solo tem papel importante para proporcionar condições adequadas ao desenvolvimento das árvores, principalmente pela necessidade de formação de um sistema radicular capaz de explorar água e nutrientes em diferentes profundidades.
Segundo o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado da Agronelli Soluções e especialista em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas, Maurício Komori, esse aspecto ganha ainda mais relevância na produção florestal comercial por se tratar de uma cultura de ciclo longo.
“Na agricultura anual, o produtor tem uma nova oportunidade de ajustar o manejo a cada safra. Na silvicultura, a árvore permanecerá vários anos naquela área. Por isso, limitações estabelecidas no início do ciclo podem acompanhar o desenvolvimento da floresta por muito tempo. É importante começar com um ambiente de solo que favoreça o crescimento das raízes e permita que elas explorem um volume maior de solo”, explica.
Um experimento conduzido com eucalipto em Carbonita (MG) demonstrou a influência que o manejo do perfil do solo pode exercer já na fase inicial da floresta. O trabalho avaliou a aplicação de gesso agrícola em duas formas, em faixa sobre a linha de plantio e em área total, e comparou os resultados com uma área sem aplicação do insumo.
Tabela 1. Crescimento e produtividade do eucalipto aos 12 meses em função da aplicação de gesso agrícola.

Fonte: BIANCHINI, D. F.; SILVA, C.; OLIVEIRA, E. D.; DEUS, M. V. Efeito do gesso agrícola aplicado em faixa e em área total. Addubare, Ano VIII, nº 21, jan./jul. 2009.
Os resultados demonstram que a melhoria das condições químicas do perfil do solo pode refletir diretamente no crescimento inicial das árvores. Quando aplicado em área total, o gesso agrícola proporcionou incremento de 65% no volume de madeira em comparação ao tratamento sem gesso, enquanto a aplicação em faixa resultou em ganho de 37%, evidenciando o potencial da ferramenta para favorecer o desenvolvimento radicular e o aproveitamento de água e nutrientes em profundidade.
Para Komori, os resultados precisam ser analisados dentro das condições específicas em que o estudo foi realizado, mas ajudam a demonstrar a importância do ambiente radicular para o estabelecimento da floresta.
“Uma questão a ser considerada é que o estudo foi conduzido em uma área que já havia recebido 3 t por hectare de calcário, uma realidade muito próxima do que encontramos na maior parte dos plantios florestais. Ou seja, não estamos falando de uma área sem correção, mas de uma área que já tinha recebido o manejo convencional. Isso mostra que, mesmo após a calagem, ainda podem existir limitações no perfil do solo que restringem o desenvolvimento das raízes. Quando essas limitações são corrigidas, o potencial de resposta das árvores pode ser bastante expressivo. Além dos ganhos em produtividade, outro benefício relevante é a possibilidade de antecipação do ciclo produtivo, permitindo que a floresta atinja mais rapidamente os volumes de madeira desejados. Isso contribui para acelerar o retorno sobre o investimento, melhorar a eficiência no uso de insumos, água e nutrientes, e aumentar a rentabilidade do sistema de produção como um todo”, afirma.
Aos 12 meses, o tratamento com aplicação de gesso em faixa registrou volume de 16,06 m³ por hectare, resultado 37% superior aos 11,7 m³ por hectare observados no tratamento sem gesso. Na aplicação em área total, o volume alcançou 19,25 m³ por hectare, diferença de 65%. Também foram identificadas diferenças estatísticas entre os tratamentos em parâmetros como circunferência à altura do peito e diâmetro à altura do peito. O experimento foi realizado em uma área que já havia recebido 3 t/ha de calcário antes da aplicação do gesso.
“Esse é um ponto importante porque representa uma realidade muito próxima do que encontramos na maior parte dos plantios florestais. Ou seja, não estamos falando de uma área sem correção, mas de uma área que já tinha recebido o manejo convencional. Isso mostra que, mesmo após a calagem, ainda podem existir limitações no perfil do solo que restringem o desenvolvimento das raízes. Quando essas limitações são corrigidas, o potencial de resposta das árvores pode ser bastante expressivo”, afirma Komori.
Produção comercial exige planejamento de longo prazo
A importância desse desenvolvimento inicial ganha dimensão quando considerada a escala da silvicultura brasileira. Em 2024, a idade média considerada para o cálculo da produtividade do eucalipto no país foi de 6,8 anos. No período, a produtividade média nacional chegou a 34,4 m³ por hectare ao ano, enquanto os resultados estaduais variaram de 20 a 41,3 m³ por hectare ao ano, de acordo com a Ibá.
Além da extensão das áreas cultivadas, a demanda industrial segue elevada. Dados da Ibá mostram que, em 2025, a produção brasileira de celulose alcançou o recorde de 29,4 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao ano anterior.
Segundo Komori, em uma produção dessa escala, o objetivo do manejo deve ser proporcionar condições para que as árvores utilizem de maneira mais eficiente os recursos disponíveis ao longo de todo o ciclo.
“Quando falamos em floresta comercial, estamos falando de produzir madeira com volume, uniformidade e eficiência ao longo de vários anos. Para isso, não podemos olhar somente para os primeiros centímetros do solo. Se a raiz encontra baixos teores de cálcio, alumínio em condição limitante ou outras restrições em profundidade, ela pode ter dificuldade para explorar o perfil, justamente onde poderia buscar água e nutrientes nos períodos mais críticos”, explica.
O gesso agrícola é uma das ferramentas utilizadas nesse manejo por fornecer cálcio e enxofre e favorecer a melhoria do ambiente químico em camadas subsuperficiais. Sua utilização, entretanto, deve partir da análise do solo e de recomendação técnica, já que a necessidade e a dose variam de acordo com as características de cada área.
Para o especialista, o planejamento do solo deve fazer parte da estratégia econômica da implantação florestal. “O produtor está formando uma floresta que permanecerá anos no campo. Corrigir uma limitação antes ou no início desse ciclo é muito diferente de perceber o problema quando as árvores já estão estabelecidas. Na silvicultura comercial, construir um bom perfil de solo é também uma forma de proteger o potencial produtivo daquele investimento”, conclui.
Sobre o Grupo Agronelli
O Grupo Agronelli é um conglomerado de empresas brasileiras com atuação diversificada e forte compromisso com o desenvolvimento sustentável e a inovação no setor agrícola e agroindustrial. Fundado com a missão de transformar o mundo ao seu redor, por meio de práticas responsáveis e soluções eficientes, o grupo se destaca por seu impacto positivo na produtividade e na sustentabilidade do setor. Com empresas especializadas que oferecem desde tecnologias de manejo ambiental até soluções em insumos agrícolas e consultoria técnica, o Grupo Agronelli consolida-se como um parceiro estratégico para o desenvolvimento econômico e social das regiões onde atua. Engloba as empresas: Agronelli Soluções, que desenvolve e fornece condicionadores, corretivos e fertilizantes de solo; Porto Real, fábrica de bebidas; Nobre, voltada à captação, envase e comercialização de água mineral e Agronelli Fazendas, um complexo com nove fazendas destinadas à pecuária de leite e de corte, agricultura e desenvolvimento de soluções sustentáveis no campo. Além disso, o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social atua no desenvolvimento e execução de projetos voltados à educação e ao desenvolvimento socioambiental.
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