- mell280
28/09/2026 13h52
Demanda por soja responsável cresce e coloca certificação no centro das decisões da cadeia
Ao completar 20 anos de atuação, RTRS reforça conexão entre produtores, indústria e compradores diante das novas exigências globais
A necessidade de aproximar as demandas de compradores e empresas das realidades de quem produz está entre as prioridades da Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS), que completou 20 anos de atuação em 2026. A associação busca fortalecer a certificação como uma ferramenta capaz de acompanhar mudanças regulatórias e comerciais e, ao mesmo tempo, gerar valor para produtores e empresas ao longo da cadeia da soja.
À frente da RTRS há um ano, a diretora-executiva Marina Muscolo destaca o modelo multissetorial como uma das principais características da associação, que reúne diferentes elos e perspectivas em torno da mesma mesa de discussão. Para ela, a diversidade de interesses torna os debates mais complexos, mas também contribui para a construção de soluções compartilhadas.
“O grande valor da RTRS está em ser uma mesa-redonda multissetorial, onde diversos interesses e perspectivas se juntam em um mesmo espaço de diálogo. Ao colocar todos nessa conversa, conseguimos trabalhar os desafios comuns e construir soluções mais sustentáveis”, afirma Marina.
Essa atuação ganha relevância diante da rápida transformação das exigências comerciais e das regulamentações relacionadas à produção agrícola. Nesse contexto, uma das prioridades da RTRS é manter os padrões de certificação conectados às novas demandas da cadeia.
“O mercado e as regulações estão mudando rapidamente, e ainda estamos vendo como essas exigências vão amadurecer. Precisamos adaptar a certificação para que ela seja útil para a indústria e, ao mesmo tempo, gere retorno para o produtor”, explica a executiva.
Certificação avança e amplia participação de produtores
A evolução da certificação ocorre em paralelo ao crescimento da produção e da demanda por soja responsável. Em 2025, a RTRS atingiu o recorde de 10,3 milhões de toneladas de soja certificada, volume 42% superior ao registrado em 2024. No mesmo período, o consumo de material certificado chegou a 8,1 milhões de toneladas, alta de 9,5% em relação ao ano anterior.
O sistema de certificação da RTRS é baseado em cinco princípios e 108 indicadores, que abrangem gestão ambiental, responsabilidade social, boas práticas agrícolas e critérios relacionados à prevenção do desmatamento e da conversão de áreas naturais. O modelo pode ser adotado por produtores de diferentes portes, individualmente ou por meio de grupos.
A certificação em grupo é uma das alternativas para ampliar a participação de pequenos produtores. Segundo Marina, mais de 90% dos produtores certificados RTRS pertencem a esse perfil, concentrados principalmente em países como Índia e Uganda. Ao todo, são mais de 84 mil produtores.
“Estamos trabalhando em um padrão voltado aos pequenos produtores, porque precisamos ajustar alguns aspectos para tornar o processo de certificação mais acessível. A certificação em grupo já faz uma diferença importante, porque permite que pequenos produtores se organizem e contem com um gerente de grupo para apoiá-los em todo o processo, inclusive na preparação para a auditoria”, detalha.
Ao completar duas décadas, a RTRS também revisa seus mecanismos para acompanhar as transformações da cadeia global da soja. Entre as iniciativas recentes está a atualização do sistema de Chain of Custody (CoC) e a possibilidade de adoção de um modelo híbrido, que combina rastreabilidade física com créditos de sustentabilidade, ampliando as alternativas de participação para diferentes perfis da cadeia.
A organização também destaca que a certificação pode contribuir para atender às crescentes demandas por rastreabilidade e responsabilidade socioambiental, embora não substitua processos específicos de due diligence, geolocalização e avaliação de riscos previstos em determinadas regulamentações.
Para Marina, o próximo ciclo da RTRS passa pela capacidade de transformar diferentes demandas em soluções aplicáveis. O desafio é manter o diálogo entre produtores, empresas, instituições financeiras, varejistas, sociedade civil e demais atores da cadeia, aproximando expectativas que muitas vezes partem de perspectivas distintas.
“A força da RTRS está em reunir todos esses interesses e tentar encontrar soluções para desafios que temos em comum. É nesse processo de diálogo que conseguimos avançar”, conclui.
Sobre a RTRS
Fundada em 2006 em Zurique, na Suíça, a Mesa Global da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) é uma associação internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões competitivos e confiáveis e desenvolve soluções para promover a produção, o comércio e o uso de soja sustentável.
Como uma mesa redonda global multissetorial, a RTRS atua por meio da cooperação entre os diversos atores da cadeia de valor da soja — da produção ao consumo — oferecendo uma plataforma global de diálogo multilateral sobre soja responsável.
Como provedora de soluções, a RTRS desenvolve padrões de certificação para a produção de soja e para a cadeia de custódia, além de ferramentas como a Plataforma Online — que permite o rastreamento e o registro das certificações RTRS, dos volumes de produção e do material certificado — e a Calculadora de Pegada de Soja e Milho, entre outras ferramentas.
Mais informações: https://responsiblesoy.org/




