- mell280
22/09/2026 07h29
Quase 40% dos jovens entre 21 e 25 anos já deixaram vagas ou processos por saúde mental, aponta levantamento da Rede Cidadã
Mapeamento com mais de 2,2 mil usuários da plataforma Taqe revela curva acentuada de desgaste emocional após os primeiros anos no mercado de trabalho; prioridade por equilíbrio supera ambição salarial para 78,8% dos entrevistados.
O impacto psicológico das relações de trabalho tornou-se um dos fatores centrais para a permanência e a atração de talentos jovens. É o que revela um novo levantamento conduzido pela Rede Cidadã, organização que atua há mais de duas décadas na inclusão produtiva no país, a partir de dados coletados com 2.217 usuários da Taqe, sua plataforma digital de empregabilidade.
Segundo o mapeamento, 37,9% dos jovens com idades entre 21 e 25 anos já desistiram de um processo seletivo ou pediram demissão de um emprego por conta de impactos negativos na própria saúde mental.
O levantamento mostra que os relatos de impacto da saúde mental aumentam nas faixas etárias mais elevadas, especialmente entre jovens de 21 a 25 anos. Na faixa etária de entrada (16 a 20 anos), o índice conjunto de abandono de processos seletivos ou pedidos de saída por desgaste psicológico é de 20,1%. Ao atingir a faixa de 21 a 25 anos, o número praticamente dobra.
"Os indicadores mostram que o desgaste com o ambiente de trabalho e as exigências corporativas não é abstrato: ele já se converte em perda real de talentos para as organizações. As empresas precisam construir ambientes psicologicamente seguros e rotinas sustentáveis para que esses profissionais consigam permanecer e se desenvolver", destaca Fernando Alves, diretor-executivo da Rede Cidadã.
Mais velhos pedem mais demissão por esgotamento
A desagregação dos motivos aponta diferenças significativas na forma como as faixas etárias reagem à sobrecarga profissional:
- Pedidos de desligamento: entre os 16 e 20 anos, 8,6% dos respondentes já pediram demissão por impacto na saúde mental. O índice salta para 24,8% entre 21 e 25 anos.
- Desistência antes mesmo da contratação: a saída voluntária de processos seletivos diante do risco de desgaste atinge 16% dos jovens de 16 a 20 anos e 27% dos candidatos de 21 a 25 anos.
O paradoxo: urgência no presente, busca por bem-estar no longo prazo
O levantamento também joga luz sobre o equilíbrio que a juventude tenta encontrar entre a necessidade urgente de sustento e a recusa em manter rotinas exaustivas:
- 95,5% aceitariam uma vaga 100% presencial caso recebessem uma oferta hoje, evidenciando o pragmatismo de quem necessita de renda imediata.
- 72,2% aceitariam uma remuneração menor em troca da possibilidade de atuar remotamente em home office.
- 78,8% abririam mão de ganhos financeiros mais elevados por postos que garantam o equilíbrio saudável entre a vida pessoal e a carreira.
"Para a liderança e para as áreas de gestão de pessoas, o levantamento funciona como um alerta: a atratividade salarial não é suficiente para blindar equipes contra o turnover precoce. Remuneração, saúde emocional, modelo de atuação e cultura interna compõem uma equação integrada nas escolhas dessa nova força de trabalho", conclui Alves.
Os números do levantamento
- 2.326 jovens respondentes em âmbito nacional.
- 37,9% dos jovens de 21 a 25 anos já deixaram processos ou empregos por saúde mental.
- 24,8% entre 21 e 25 anos pediram demissão pelo impacto emocional do trabalho.
- 78,8% preferem qualidade de vida e equilíbrio a salários mais altos.
- 72,2% aceitariam salário menor por trabalho remoto.
- 95,5% continuam abertos a vagas 100% presenciais pela urgência de emprego.
- 54% possuem renda familiar abaixo de meio salário mínimo per capita.
- Base de participantes composta integralmente por usuários da Taqe, plataforma de empregabilidade da Rede Cidadã.
Sobre a Rede Cidadã
Organização da sociedade civil com mais de duas décadas de atuação, a Rede Cidadã conecta pessoas a oportunidades de trabalho em parceria com empresas, governos e entidades sociais. A instituição atua no desenvolvimento integral de competências comportamentais e técnicas, apoiando a inserção e permanência de jovens no mercado por meio de programas de aprendizagem, estágio e inclusão produtiva.




