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Caixa, BB, Itaú, Bradesco e Santander acumulam R$ 10 bilhões em imóveis retomados, revela estudo


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21/09/2026 06h21

Caixa, BB, Itaú, Bradesco e Santander acumulam R$ 10 bilhões em imóveis retomados, revela estudo

Wesley Colpani


Aprofundamento da 1ª edição do Mapa Resale revela disparidade de preços médios entre instituições, fricções operacionais nas jornadas de compra e o impacto da liquidação de garantias sobre o custo final do crédito no País

 

 

Um estudo inédito realizado pela Resale, outlet imobiliário especializado na comercialização de propriedades retomadas por instituições financeiras, aponta que os cinco maiores bancos do Brasil acumulam R$ 11,04 bilhões em ativos mantidos para venda. Segundo a 1ª edição do Mapa Resale, deste montante total, é estimado que R$ 10 bilhões correspondam estritamente a imóveis recuperados por inadimplência em operações de crédito. Ao todo, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander, Itaú e Banco do Brasil, possuem 27.004 imóveis retomados que estão ativamente ofertados nos portais públicos dessas instituições.

Outro ponto de destaque do estudo é que o levantamento evidencia uma forte opacidade na divulgação das demonstrações financeiras do sistema bancário. Com exceção do Bradesco, que discrimina R$ 1,97 bilhão em imóveis no seu balanço, os demais bancos apresentam os saldos de forma agregada, sem discriminação por tipo de ativo.

“Imóveis retomados é o pré-sal do mercado imobiliário, uma informação que não é pública e fica escondida nos balanços”, aponta Marcelo Prata, CEO da Resale. “A estimativa de R$ 10 bilhões é até baixa se comparada ao estoque total de R$ 1,45 trilhão em crédito imobiliário no Brasil, mas o impacto no resultado das instituições e no custo de carregamento é expressivo”, reforça.

Caixa concentra fatia majoritária
Líder isolada no financiamento habitacional, a Caixa Econômica Federal responde por R$ 6,03 bilhões do saldo contábil de ativos mantidos para venda. O banco estatal também detém 24.572 dos 27.004 imóveis publicamente anunciados - soma que representa um VGV ofertado de R$ 2,19 bilhões -, o que equivale a 91% de toda a oferta pública identificada. A diferença entre o saldo do balanço e o volume em cartaz decorre de imóveis em fases internas de adjudicação, regularização e processamento operacional. Santander, com 1.365 imóveis, Banco do Brasil, com 633, e Bradesco, com 434, aparecem na sequência.

Além da quantidade, a análise dos preços praticados indica carteiras com perfis socioeconômicos bastante distintos entre as instituições. O Bradesco registra a maior mediana de preço anunciado, alcançando R$ 362,2 mil por imóvel, seguido de perto pelo Itaú, com mediana estimada em R$ 300,1 mil, e pelo Santander, com R$ 237,9 mil. Na outra ponta, Banco do Brasil e Caixa apresentam os menores valores médios, R$ 102 mil e R$ 89,2 mil, respectivamente, evidenciando o peso de ativos oriundos da habitação de interesse social e do programa Minha Casa, Minha Vida.

A composição da oferta mapeada é massivamente residencial, representando 93,6% do total, com 54,7% de apartamentos e 38,9% de casas. Terrenos e lotes somam 4,2%, enquanto outras categorias correspondem a 2,2%. Geograficamente, o Sudeste concentra quase metade da oferta, com 48,4% das unidades disponíveis, seguido por Nordeste (23,8%), Centro-Oeste (19,4%), Sul (6,2%) e Norte (2,2%).

O estudo ressalta ainda que, embora os imóveis apresentem enorme heterogeneidade de preços, localizações e estados de ocupação, a maior parte dos bancos privados ainda concentra o escoamento dessas carteiras em modelos tradicionais de leilão, sem explorar rotas como a venda direta personalizada.

“O Banco do Brasil, por exemplo, integra a modalidade de "Venda Direta" em seu site redirecionando o interessado para plataformas parceiras operadas por leiloeiros. Já o Itaú adota uma estratégia de divulgação descentralizada sem um catálogo único unificado sob os mesmos critérios, o que exige buscas individualizadas no seu ecossistema. A Caixa surge como a instituição com arquitetura mais diversificada, integrando portal próprio, leilões, venda direta e convênios com imobiliárias”, destaca Prata.

A capacidade de absorção desse estoque convive com forças macroeconômicas opostas. Se por um lado a taxa Selic mantida em 14% ao ano encarece o financiamento imobiliário tradicional, por outro lado o mercado de trabalho aquecido, com desemprego em 5,4% e mais de 921 mil vagas formais criadas no primeiro semestre de 2026, sustenta a renda familiar. Esse ambiente, somado ao desempenho do Minha Casa, Minha Vida - responsável por 49% das vendas de imóveis no primeiro trimestre do ano -, ajuda a dar tração à liquidação das unidades de menor valor.

Para a Resale, a eficiência no desinvestimento dessas carteiras precisa retroalimentar a origem da concessão. Na avaliação de Prata, o acompanhamento trimestral dos dados permitirá monitorar a eficiência da recuperação de garantias pelo sistema financeiro.

“Com a criação dessa série histórica, será possível analisar com clareza os critérios de concessão de crédito das instituições e aprimorá-los, de modo a acelerar a conversão desses bens em liquidez”, explica o executivo, que completa. “A recuperabilidade e a velocidade na alienação dos imóveis retomados afetam diretamente a composição do risco bancário. Quanto maior a ineficiência e a demora para vender esse ativo, maior será o custo que o banco precisará embutir nas taxas de juros dos novos financiamentos”, finaliza o CEO.

Sobre a Resale
Com 11 anos de operação no mercado imobiliário, a Resale atua como outlet imobiliário. A plataforma de marketplace conecta compradores a oportunidades de ativos residenciais, comerciais e rurais, em leilões ou venda direta, oferecendo preços competitivos e agilidade. Com presença nacional em todos os estados brasileiros, a Resale atua como um facilitador estratégico, democratizando o acesso a imóveis e impulsionando a liquidez do setor.

Para saber mais, acesse https://mapa.resale.com.br.

 

 

Caixa detém 24.572 imóveis, Santander 1.365, Banco do Brasil 633, e Bradesco 434.

 




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