18/09/2026 12h45
Estabelecer limites no trabalho pode prevenir o esgotamento profissional, aponta especialista
Pesquisa de Tendências da Catho mostra que segurança, bem-estar e saúde mental do colaborador são consideradas prioridades estratégicas por empresas brasileiras em 2026
O Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio e valorização da vida, também abre espaço para uma reflexão que vem ganhando força dentro das empresas sobre como estabelecer limites no trabalho.
A pergunta, cada vez mais presente entre profissionais e líderes, aparece refletida na Pesquisa de Tendências 2026 conduzida pela Catho, plataforma gratuita de empregos, que ouviu tanto empresas quanto profissionais sobre os rumos do mercado de trabalho para os próximos anos.
Segundo o levantamento com empresas, a segurança e o bem-estar do colaborador foi a tendência mais bem avaliada entre as 15 analisadas: 53,55% dos respondentes classificaram o tema como "muito importante" e outros 39,03% como "importante" para 2026, somando mais de 92% de relevância. Os programas voltados à saúde mental do colaborador seguem o mesmo caminho, com 48,53% de "muito importante" e 38,44% de "importante".
O movimento também ganha relevância diante das mudanças na NR-1, que passaram a incluir os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais. A atualização amplia a responsabilidade das organizações na identificação e prevenção de situações que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores. Com isso, estabelecer limites e criar ambientes que favoreçam o bem-estar passam a integrar uma discussão mais ampla sobre prevenção e gestão de riscos.
Do lado dos profissionais, a pesquisa já apontava que 28,7% colocam a saúde mental como prioridade no ambiente de trabalho, reforçando que o tema passou a ser, de fato, uma expectativa.
"Os dados mostram que empresas e profissionais já entendem que o bem-estar é uma condição para que as pessoas continuem produtivas e saudáveis a longo prazo. O desafio agora é transformar essa percepção em ações concretas de prevenção", avalia Patrícia Suzuki, diretora de recursos humanos da Redarbor Brasil, detentora da Catho.
De acordo com a diretora, reconhecer os sinais de esgotamento é o primeiro passo para estabelecer limites. Sinais como queda de engajamento, dificuldade de concentração, irritabilidade e cansaço constante costumam ser os primeiros indícios da necessidade de equilibrar jornada de trabalho, cuidados pessoais e demais dimensões da vida do indivíduo, ignorar esses sinais pode agravar o quadro tanto para o colaborador quanto para os resultados da empresa.
"Nem sempre o esgotamento aparece de forma evidente. Muitas vezes, ele começa com pequenas mudanças na rotina, como a sensação de estar sempre atrasado, dificuldade para se desconectar do trabalho ou a necessidade de permanecer disponível fora do horário. Perceber esses sinais antes que eles se intensifiquem permite que o profissional reveja sua rotina e busque apoio quando necessário", explica Patrícia.
Ainda conforme Suzuki, uma das formas para os profissionais começarem a estabelecer limites é observar a própria rotina e identificar situações que se repetem e geram sobrecarga. Organizar prioridades e planejar atividades, respeitar horários de descanso e comunicar à liderança quando a demanda ultrapassar a capacidade de execução são atitudes que ajudam a construir uma relação mais saudável com o trabalho.
Esse cuidado também pode ser complementado por hábitos fora do ambiente profissional, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, cultivar hobbies e reservar momentos de descanso e desconexão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a prática regular de atividade física pode contribuir para a redução de sintomas de ansiedade e depressão e para a melhora do bem-estar.
O equilíbrio, no entanto, não depende apenas das escolhas individuais. Já as empresas precisam ter o cuidado de transformar o discurso sobre bem-estar em práticas concretas, estabelecendo expectativas realistas, bem como respeitando períodos de descanso, capacitando lideranças para identificar sinais de sobrecarga e disponibilizando canais de acolhimento e apoio aos colaboradores.
“Além de responder a situações de crise, as organizações precisam construir uma cultura em que seja possível falar sobre dificuldades antes que elas se tornem um problema maior. Quando existe espaço para diálogo e respeito às diferentes necessidades das pessoas, o trabalho se torna mais sustentável e as relações profissionais também se fortalecem", conclui a porta-voz.
Assessora de Imprensa



