10/09/2026 07h16
Como uma cidade do interior do RS pode se tornar a Palm Beach brasileira
Hamilton MSJ assessoria
Conhecida pelos imóveis de luxo e pelo sentimento de pertencimento entre seus frequentadores, Xangri-Lá começa a projetar uma imagem semelhante à de Palm Beach nos Estados Unidos.
Casas de luxo, condomínios exclusivos e uma comunidade formada por famílias de alta renda. À primeira vista, esse cenário poderia retratar um dos endereços mais conhecidos da elite americana: Palm Beach, na Flórida. Mas não. É Xangri-Lá, no litoral norte do Rio Grande do Sul.
A cidade, que hoje atrai uma parcela significativa dos super-ricos gaúchos, além de alguns investidores estrangeiros que já conhecem a região, vem se consolidando como um dos principais endereços de segunda residência do Estado.
O motivo não se resume à qualidade dos imóveis, mas está principalmente relacionado ao estilo de vida e, sobretudo, ao networking construído nos condomínios e clubes.
“Todo mundo que esses super-ricos conhecem e que faz parte da alta sociedade também estará frequentando o local”, afirma o especialista em negociações imobiliárias de alto padrão no litoral gaúcho, Fabiano Braga, explicando o que leva um comprador a escolher Xangri-Lá em vez de outros destinos valorizados, como Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e Punta del Este, no Uruguai.
A região litorânea do Estado tem estado no centro das atenções nos últimos anos, em grande parte por conta de uma mudança na percepção sobre o conforto, que também passa pela experiência do deslocamento.
“O público de alta renda do Rio Grande do Sul voltou a valorizar o litoral gaúcho, principalmente por conta da locomoção, que é mais tranquila e rápida do que ir para o Estado vizinho, por exemplo”, comenta.
Segundo ele, a força de Xangri-Lá, que tem impulsionado o mercado imobiliário no litoral norte do Rio Grande do Sul, está diretamente ligada à presença de condomínios de alto padrão. Casas amplas, áreas verdes, clubes, piscinas, ambientes esportivos e estruturas voltadas à convivência compõem uma experiência que transforma o condomínio em um destino dentro do próprio destino.
“O comprador não adquire apenas uma casa bem localizada; adquire a possibilidade de frequentar ambientes exclusivos e de participar de uma rotina compartilhada por um grupo restrito”, diz. No entanto, o estilo de vida também pesa. “É um ambiente que tem demonstrado a importância de desacelerar, mas sem abrir mão de conforto e serviços”, acrescenta.
Um passo para entrar no imaginário do brasileiro
Apesar dos atributos que sustentam a comparação com Palm Beach, Xangri-Lá ainda não possui uma estratégia articulada de posicionamento nesse sentido. “Mas isso não impede que essa percepção exista. Muito pelo contrário: a comparação nasce da observação de características concretas do mercado — imóveis de luxo, condomínios exclusivos, compradores de alta renda e uma forte cultura de pertencimento”, afirma Braga.
Para o especialista, o potencial de Xangri-Lá vai além de sua relevância regional. Com a consolidação de novos empreendimentos e a projeção de um estilo de vida baseado em privacidade, segurança e exclusividade, o balneário pode ampliar seu alcance e se tornar uma referência nacional.
De acordo com ele, a ideia é que a região deixe de ser reconhecida apenas como o destino de alto padrão dos gaúchos e passe a ocupar, para o Brasil, o lugar que Palm Beach ocupa no imaginário americano: um polo de sofisticação, tendência e pertencimento.
“O principal desafio é transformar essa percepção em um posicionamento mais consistente, capaz de comunicar o que a cidade já oferece sem depender de exageros. Xangri-Lá não é uma réplica de Palm Beach. As cidades têm histórias, paisagens e escalas diferentes. A semelhança está no papel que exercem para seus públicos”, conclui Fabiano Braga.
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