06/09/2026 22h01
Antes de julgar Walter Schlatter, é preciso conhecer sua história
Nos últimos dias, as redes sociais foram tomadas por comentários, críticas e julgamentos depois que o prefeito de Chapadão do Sul, Walter Schlatter, realizou uma doação de R$ 300 mil para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
O fato ganhou enorme repercussão porque Walter aparece, até o momento, como o maior doador pessoa física da campanha. A contribuição foi registrada na Justiça Eleitoral e consta oficialmente na prestação de contas da candidatura. (Agência da Notícia)
Mas é justamente nesse momento que eu gostaria de fazer uma reflexão.
Eu conheço Walter Schlatter. E é por conhecê-lo e conhecer um pouco da sua trajetória que decidi escrever este artigo.
Walter não chegou à política precisando dela para construir sua vida. Antes de ser prefeito de Chapadão do Sul, ele já era empresário, produtor rural e um homem que, junto com sua família, construiu seu patrimônio ao longo de muitos anos de trabalho.
Sua história em Chapadão do Sul não começou em um gabinete de prefeito. Começou com trabalho, família, produção e investimentos. Ele e sua família construíram aquilo que possuem. E isso é importante ser dito porque, na minha opinião, não se pode olhar para uma doação eleitoral de R$ 300 mil e, a partir desse único fato, tentar construir uma narrativa sobre o caráter de uma pessoa.
Uma coisa é discutir política. Outra, completamente diferente, é atacar a honra de alguém sem conhecer sua história.
Tenho acompanhado, nestes dias, comentários que ultrapassam a crítica política e chegam a acusações e ofensas. Houve quem chamasse Walter de ladrão, safado e sem-vergonha. E é justamente aí que eu penso que estamos perdendo completamente a medida das coisas.
Eu, como jornalista, posso concordar ou discordar de uma escolha política. Qualquer cidadão pode. Podemos questionar candidatos, partidos, valores, estratégias e decisões. Isso faz parte da democracia.
O que não podemos é transformar uma escolha política em licença para destruir a reputação de uma pessoa.
Walter Schlatter tem o direito de escolher em quem acredita e para quem deseja destinar seu dinheiro, dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral. A doação foi realizada em seu nome, como pessoa física, e foi oficialmente registrada na Justiça Eleitoral. (Agência da Notícia)
E aqui está um ponto que parece estar sendo esquecido: dinheiro particular não é dinheiro público.
Walter construiu seu patrimônio antes de ocupar o cargo de prefeito. Nas eleições de 2024, declarou patrimônio superior a R$ 125 milhões à Justiça Eleitoral. (Correio do Estado)
Portanto, a discussão política não pode simplesmente ignorar a história de vida de quem está sendo atacado.
Se Walter acredita em Flávio Bolsonaro, ele tem o direito de apoiar Flávio Bolsonaro. Se amanhã quiser apoiar outro candidato, também terá esse direito. Assim funciona a democracia.
E eu também não posso deixar de mencionar algo que conheço sobre Walter: ele é uma pessoa que costuma ajudar. Existem doações e contribuições feitas por ele e por sua família a entidades e instituições, muitas vezes sem publicidade, sem postagem e sem necessidade de transformar solidariedade em propaganda.
Hospital, entidades e causas sociais já receberam apoio de pessoas da família Schlatter. Nem tudo aquilo que alguém faz precisa virar postagem em rede social.
Talvez esse seja um dos grandes problemas do nosso tempo: a internet transformou todo mundo em juiz da vida alheia.
As pessoas querem determinar o que o outro deve fazer com o próprio dinheiro, com a própria opinião, com a própria vida e até com suas convicções políticas.
E isso está ficando insuportável.
Precisamos reaprender a discordar.
Eu posso não concordar com a escolha política de Walter. Você pode não concordar. Outra pessoa pode achar que R$ 300 mil é muito dinheiro para uma campanha. Tudo isso é legítimo.
Mas chamar alguém de ladrão sem prova, atacar sua família ou colocar em dúvida sua honestidade simplesmente porque ele fez uma escolha política é outra coisa.
Isso não é debate.
Isso é linchamento virtual.
Walter está há cerca de dois anos na vida pública, depois de ter sido eleito prefeito de Chapadão do Sul em 2024. Antes disso, sua trajetória foi construída longe da política. A Prefeitura de Chapadão do Sul confirma atualmente Walter Schlatter como prefeito do município. (Chapadão do Sul)
Por isso, faço aqui uma defesa que é minha, pessoal, como jornalista e como alguém que conhece Walter.
Não estou dizendo que ele é imune a críticas. Prefeito é homem público e deve ser cobrado, fiscalizado e questionado sempre que houver motivo.
Mas cobrança é uma coisa. Ofensa é outra.
Fiscalização é uma coisa. Acusação sem prova é outra.
Discordância política é uma coisa. Julgamento de caráter baseado apenas na preferência eleitoral é outra.
Precisamos separar essas coisas.
A democracia não pode funcionar somente quando o outro pensa como nós.
Se queremos respeito quando fazemos nossas escolhas, precisamos aprender a respeitar também as escolhas dos outros.
Walter Schlatter fez uma escolha política e financeira. A Justiça Eleitoral recebeu o registro da doação e a informação está pública. (Agência da Notícia)
Cabe aos órgãos competentes fiscalizar a legalidade da prestação de contas.
A nós, cidadãos, cabe exercer o direito de concordar ou discordar.
Mas talvez esteja na hora de colocarmos um freio nessa cultura de julgar, condenar e destruir pessoas pelas redes sociais.
Antes de escrever “ladrão”, “safado” ou “sem-vergonha”, talvez seja melhor conhecer a história de quem está do outro lado da tela.
Eu conheço um pouco da história de Walter Schlatter.
E, por isso, faço questão de dizer: uma doação eleitoral não apaga uma trajetória de trabalho, não define sozinha o caráter de uma pessoa e não dá a ninguém o direito de transformar divergência política em ofensa pessoal.
Que possamos voltar a discutir ideias sem destruir pessoas.
Que possamos discordar sem odiar.
E que cada um tenha o direito de escolher, dentro da lei, aquilo em que acredita e apoiar quem quiser.



