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Milho safrinha entra em nova fase e coloca comercialização no centro das decisões do produtor


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  • mell280

03/09/2026 10h00

Milho safrinha entra em nova fase e coloca comercialização no centro das decisões do produtor

Rita Siqueira Executiva de contas sênior




Com mais de 90% da área 2025/26 colhida, mas apenas 60% da produção comercializada, mercado passa a acompanhar ritmo da demanda e das exportações


A colheita da safrinha 2025/26 está praticamente concluída, mas a comercialização do milho ainda impõe desafios ao produtor. Com mais de 90% da área já colhida e aproximadamente 60% da produção comercializada até o fim de agosto, o mercado entra em uma nova etapa: o principal ponto de atenção deixa de ser o tamanho da safra e passa a ser a capacidade de absorver o volume que chegou ao mercado.

Para a Biond Agro, a velocidade de entrada do milho foi superior à das vendas, o que mantém elevada a disponibilidade nas regiões produtoras. Ao mesmo tempo, o fluxo externo segue abaixo do observado nos dois últimos anos, aumentando a importância da demanda doméstica para o equilíbrio do mercado.

De acordo com Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o momento exige uma mudança na forma de avaliar o mercado. “A colheita está chegando ao fim, mas a discussão agora é sobre como esse volume disponível será absorvido e em que momento o produtor encontrará uma janela de venda pertinente.”

Exportações ainda são ponto de atenção

Até o fim de agosto, o milho embarcado e programado para exportação somava 16,7 milhões de toneladas, bem abaixo dos quase 30 milhões de toneladas registrados no mesmo período de 2024 e 2025. A menor velocidade das exportações aumenta a parcela da produção que precisa ser absorvida pelo mercado interno.

Além do ritmo mais fraco dos embarques brasileiros, a concorrência internacional também pesa sobre o mercado. A Argentina mantém uma safra grande e preços competitivos, enquanto a redução das compras do Irã diminuiu a força de um importante destino para o milho brasileiro. O relatório da Biond Agro aponta que uma aceleração do line-up, maior presença dos exportadores e uma disputa mais intensa da indústria e do setor de etanol pelo milho podem mudar essa dinâmica.

“O produtor precisa acompanhar de perto o comportamento das exportações, porque a capacidade de recuperar participação no mercado externo será importante para determinar quanto desse estoque chegará ao próximo ciclo”, afirma Yedda.

Apesar das dificuldades no escoamento, o ambiente para o milho é considerado mais positivo para os quatro últimos meses do ano. O relatório destaca estoques globais mais apertados e demanda ainda ativa. Na Europa, a expectativa é de uma das piores safras já registradas, enquanto nos Estados Unidos as condições das lavouras se deterioraram, com possibilidade de perdas produtivas até o início da colheita, previsto para meados de setembro.

Preço melhora, mas não chega igual ao interior

Outro fator que exige atenção é a diferença entre os preços praticados nas principais praças produtoras. Segundo a Biond Agro, uma alta nas bolsas, seja na B3 ou em Chicago, nem sempre se traduz integralmente no preço disponível no interior. Logística, basis, oferta e demanda local interferem diretamente na formação do valor recebido pelo produtor.

Nesse cenário, a orientação é aproveitar eventuais movimentos de alta quando eles chegarem ao mercado físico. Caso a valorização das bolsas não se reflita de forma suficiente nas praças produtoras, o relatório considera atrativo recorrer ao mercado de futuros e opções para complementar o preço e buscar médias mais favoráveis para o orçamento.

“A estratégia para a 25/26 precisa considerar o milho que ainda está disponível e as janelas de melhora de preço. O objetivo é avançar gradualmente nas vendas, reduzindo a exposição sem deixar de aproveitar oportunidades que possam surgir”, avalia Yedda.

Safrinha 2026/27 traz outro tipo de risco

Enquanto a safra atual entra em uma fase de comercialização, a próxima safrinha começa a ser definida sob outra lógica. Apenas 10% da produção da 26/27 havia sido comercializada até o fim de agosto, deixando a maior parte do volume futuro exposta às oscilações de preço justamente no momento em que o produtor começa a comprar insumos e planejar a próxima temporada.

O principal risco, neste momento, não está diretamente nas condições climáticas durante o ciclo do milho, mas no calendário da soja. Um eventual atraso na implantação da oleaginosa pode comprimir a janela de plantio da segunda safra e aumentar a exposição do milho a condições climáticas adversas no fim do ciclo, com potencial impacto sobre a produtividade e a produção de 2027.

A relação entre preço de venda e custo também ganha peso. A relação milho/ureia voltou para níveis próximos da média dos últimos cinco anos, em torno de 57 sacas por tonelada de fertilizante, enquanto as referências de ureia no Brasil voltaram a ganhar firmeza, com ofertas próximas de US$ 430 a US$ 445 por tonelada CFR.

Margem passa a orientar decisões

Diante desse cenário, a Biond Agro recomenda separar as decisões das duas safras. Para a 25/26, o foco está na administração do volume ainda disponível e no aproveitamento das janelas de melhora. Para a 26/27, a prioridade passa a ser a construção de margem e o acompanhamento do risco climático.

A orientação é evitar tanto uma venda agressiva de toda a próxima safra, que poderia reduzir a flexibilidade diante das incertezas, quanto deixar toda a produção aberta, transferindo ao produtor o risco integral de preço, câmbio e custo. Recomenda-se iniciar vendas parciais quando a margem estiver interessante, mantendo parte da produção em aberto enquanto há maior definição sobre clima, área e calendário da soja.

“Na 26/27, a decisão não deve ser tomada apenas olhando para o melhor preço do milho ou para o menor custo do fertilizante. O ponto central é construir uma margem saudável quando a relação entre venda e custos estiver interessante”, diz Yedda.

Essa distinção entre os períodos resume a dinâmica atual: enquanto o ciclo 2025/26 exije ações objetivas de comercialização, a safra 2026/27 passa a requerer um planejamento voltado ao gerenciamento de riscos e à garantia de margens.

Sobre a Biond Agro

Empresa especializada em gestão e comercialização de grãos para o produtor brasileiro, originária de um grupo de companhias com 25 anos de experiência (Fyo, CRESUD e Brasil Agro). Compreendendo os números e especificidades do negócio e como interagir com os mercados. A Biond Agro desenha estratégias de comercialização e execução de negócios, profissionalizando a gestão de riscos para tornar o agronegócio sustentável no longo prazo. Saiba mais em https://www.biondagro.com/


 


Yedda Monteiro - analista de inteligência e estratégia da Biond Agro
Divulgação/Biond Agro
 

 


 




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