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Ações provocadas pelo Governo Riedel tiraram mais de 44 mil pessoas da pobreza em Mato Grosso do Sul


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  • mell280

01/09/2026 06h29

Ações provocadas pelo Governo Riedel tiraram mais de 44 mil pessoas da pobreza em Mato Grosso do Sul

Leonardo Rocha


 Trajetórias como as de Michelle, que passou de beneficiária do Mais Social a dona de uma lanchonete, mostram a dimensão humana da estratégia do Estado

Houve um tempo em que Michelle Lopes Pereira e o marido sobreviviam fazendo limpeza de terrenos. Depois, passaram a vender salgados em frente a um frigorífico. A renda ainda era apertada, e o benefício recebido pelo programa Mais Social ajudava a garantir o básico enquanto o casal tentava reorganizar a vida.
 
Pouco a pouco, os salgados ganharam espaço, o trabalho se tornou mais estável e a família começou a depender menos do auxílio. Até que Michelle tomou uma decisão incomum: devolver o cartão.
 
“Era o que meu coração pedia. Na fase mais difícil das nossas vidas foi o benefício que nos sustentou”, conta.
 
A história não terminou na saída do programa. Hoje, Michelle tem uma lanchonete dentro do mesmo frigorífico em frente ao qual vendia seus produtos, montou uma cozinha industrial e emprega formalmente nove pessoas.
 
“Não tive dúvidas quando decidi devolver. Outras pessoas tinham que ter a mesma oportunidade que tive”, afirma.
 
A trajetória de Michelle ajuda a dar rosto a uma mudança mais ampla registrada em Mato Grosso do Sul. Entre março de 2024 e março de 2026, 44.604 pessoas deixaram a situação de pobreza ou extrema pobreza no Estado, em um período marcado pela combinação entre expansão do emprego, transferência de renda, incentivo à educação e ações para localizar famílias vulneráveis ainda fora da rede de proteção social.
 
Mato Grosso do Sul registra atualmente a terceira menor taxa de extrema pobreza do país. Para o governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição pelo Progressistas, o desafio é fazer com que a melhora conquistada pelas famílias seja duradoura e alcançar quem ainda convive com insegurança alimentar, renda insuficiente ou dificuldades para chegar ao emprego e à qualificação.
 
A estratégia do governo estadual procura, assim, fazer dos programas sociais não apenas uma proteção em momentos críticos, mas também uma ponte para a autonomia.
 
Extrema pobreza recua 40,7%
 
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a parcela da população sul-mato-grossense em extrema pobreza caiu de 2,7%, em 2022, para 2% em 2023 e 1,6% em 2024. Em dois anos, a redução acumulada foi de 40,74%.
 
Os indicadores revelam avanço, mas não significam o desaparecimento da vulnerabilidade. Milhares de famílias ainda enfrentam renda insuficiente, dificuldade para colocar comida na mesa ou barreiras de acesso aos serviços públicos e às oportunidades de trabalho.
 
Uma dessas dificuldades é chegar até o próprio benefício.
 
Para localizar pessoas que preenchem os requisitos dos programas, mas permanecem fora da rede de assistência, equipes do Mais Social percorreram os 79 municípios de Mato Grosso do Sul utilizando cruzamento de dados e georreferenciamento.
 
A busca ativa tenta enfrentar obstáculos comuns entre famílias mais vulneráveis, como falta de informação, ausência de documentos, distância dos locais de atendimento ou mudanças frequentes de endereço.
 
Benefício como ponto de partida
 
O Mais Social atende atualmente mais de 46 mil famílias, com auxílio destinado à compra de alimentos e produtos essenciais. Ao lado da transferência de renda, o programa passou a incorporar mecanismos ligados à educação e à construção de autonomia.
 
Um deles é o adicional de R$ 300 destinado a integrantes das famílias beneficiárias que frequentam o ensino regular ou a Educação de Jovens e Adultos. A intenção é reduzir uma das causas do abandono escolar entre pessoas de baixa renda: a necessidade de deixar os estudos para trabalhar ou cuidar da família.
 
Desde 2023, mais de 28 mil beneficiários devolveram voluntariamente o cartão do programa, segundo os dados apresentados pelo governo estadual. O desligamento pode estar associado ao aumento da renda ou à entrada no mercado de trabalho, embora seja necessário acompanhar essas famílias para saber se a melhora se mantém ao longo do tempo.
 
Michelle está entre aquelas que deixaram o benefício depois de reorganizar a própria fonte de renda. Seu percurso traduz justamente o objetivo mais difícil de uma política dessa natureza: fazer com que a assistência ofereça segurança enquanto a família procura condições para seguir sem ela.
 
A rede estadual de proteção inclui ainda o Energia Social: Conta de Luz Zero, que paga a conta de energia de mais de 23 mil famílias de baixa renda, e o Cuidar de Quem Cuida, voltado a responsáveis por pessoas com deficiência que necessitam de cuidados permanentes e que possui mais de 2 mil beneficiários.
 
Mais de 20 mil famílias indígenas aldeadas também recebem cestas de alimentos.
 
“Essas ações respondem às necessidades imediatas. O desafio seguinte é conectá-las a oportunidades capazes de alterar de forma mais duradoura a renda das famílias”, explica Riedel.
 
Emprego abre caminho, mas qualificação define o futuro
 
O esforço de redução da pobreza ocorre em um momento de forte expansão do mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul.
 
O Estado encerrou 2025 com taxa anual de desemprego de 3%, a menor da série histórica estadual. No mesmo período, foram abertas 19.756 vagas formais, principalmente nos setores de serviços, construção civil e indústria. No início de 2026, Mato Grosso do Sul mantinha a sexta menor taxa de desocupação do país.
 
O emprego formal amplia a renda e oferece direitos e maior previsibilidade às famílias, mas a quantidade de vagas, isoladamente, não garante a saída definitiva da vulnerabilidade. Salários, estabilidade, custo de vida e perspectivas profissionais também determinam quanto essa melhora efetivamente chega ao orçamento doméstico.
 
É nesse ponto que a qualificação profissional ganha peso.
 
Para Marina Dobashi, diretora-presidente da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), o próximo desafio é preparar os trabalhadores para oportunidades que ofereçam melhores condições de crescimento profissional.
 
“O pleno emprego é um objetivo importante, mas precisamos avançar também na qualidade das vagas. Quanto maior a qualificação do trabalhador, maiores são suas oportunidades de conquistar melhores salários, estabilidade e crescimento na carreira. Isso fortalece a economia e melhora a qualidade de vida da população”, afirma.
 
A demanda tende a crescer à medida que o Estado amplia sua produção industrial e necessita de trabalhadores capacitados para funções técnicas e postos com maior remuneração.
 
Permanecer na universidade também é vencer a pobreza
 
Se a história de Michelle mostra como renda e trabalho podem mudar o destino de uma família, a trajetória de Ariadne Mariana Rocha da Cunha, de 24 anos, revela outra dimensão da mobilidade social: a possibilidade de continuar estudando.
 
Filha de um pedreiro e de uma dona de casa, Ariadne foi a primeira pessoa de sua família a concluir o Ensino Médio. Depois veio uma conquista ainda maior: a aprovação no curso de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
 
Passar no vestibular, porém, resolveu apenas uma parte do problema. Um curso integral trouxe despesas com alimentação, transporte, materiais, jaleco, estetoscópio e outros equipamentos. Permanecer na universidade passou a ser tão desafiador quanto entrar nela.
 
As regras do antigo Vale Universidade exigiam que o beneficiário cumprisse estágio, o que dificultava o acesso de estudantes matriculados em cursos de período integral. Com a transformação do programa em MS Supera, essa exigência foi retirada.
 
Ariadne conseguiu então receber o benefício.
 
“Quando entrei na faculdade começou outro dilema, o de me manter aqui na UFMS. Começaram os gastos, compra de jaleco, do estetoscópio, alimentação. Ficou muito apertado”, relata.
 
A aprovação no MS Supera ganhou, para ela, significado semelhante ao ingresso na universidade.
 
“A primeira vitória foi quando passei no vestibular e a segunda quando fui aprovada para receber o MS Supera”, resume.
 
O programa concede o equivalente a um salário mínimo a estudantes de baixa renda matriculados no ensino superior ou na educação profissional técnica, em instituições públicas ou privadas. Atualmente são 2.200 vagas, com previsão de ampliação para 2.500.
 
A lógica é impedir que a falta de dinheiro interrompa justamente o caminho que pode ampliar as oportunidades de renda no futuro.
 
Ariadne já concluiu o sexto semestre de Medicina. Sua decisão profissional, porém, não nasceu apenas da possibilidade de ascensão econômica.
 
Ela conta que começou a pensar em ser médica depois de acompanhar a mãe durante um atendimento de saúde.
 
“Quando minha mãe sofreu um acidente e precisou de atendimento, ela foi muito maltratada pelo médico. Foi aí que comecei a me interessar pela medicina, para poder tratar os pacientes de forma diferente, independentemente de eles serem ricos ou pobres. E é isso que eu vou fazer”, afirma.
 
Crescimento precisa chegar à mesa das famílias
 
Sob a gestão de Eduardo Riedel, a política de enfrentamento à pobreza está inserida em uma estratégia mais ampla que procura aproximar crescimento econômico e inclusão social.
 
Os indicadores mostram que as formas mais severas de privação diminuíram, mas permanece uma questão essencial: transformar o bom desempenho econômico em segurança concreta dentro das casas.
 
Mesmo famílias que já não aparecem nas estatísticas oficiais da pobreza continuam pressionadas pelo custo dos alimentos, aluguel, energia, transporte e crédito. Trabalhadores formais, autônomos, pequenos comerciantes e famílias sustentadas por uma única renda podem estar fora das faixas mais graves de vulnerabilidade e, ainda assim, viver sem margem financeira diante de um imprevisto.
 
Por isso, reduzir a pobreza de forma permanente exige combinar proteção social, empregos com remuneração adequada, qualificação profissional, permanência dos jovens na escola e oportunidades para quem busca construir a própria renda.
 
“A continuidade dos avanços dependerá da capacidade do Estado de acompanhar as famílias que deixaram os programas, impedir o retorno à vulnerabilidade e ampliar o acesso à qualificação e aos empregos de melhor qualidade”, afirma Riedel.
 
É justamente aí que histórias como a de Michelle deixam de ser apenas casos individuais.
 
O cartão que ajudou sua família a atravessar o período mais difícil já não está em suas mãos. No lugar dele há hoje uma cozinha industrial, uma lanchonete e nove trabalhadores formalmente empregados. A mudança ilustra o objetivo mais ambicioso das políticas de inclusão: fazer com que a rede pública esteja presente quando a queda ameaça, mas também ajude a criar condições para que, um dia, ela deixe de ser necessária.
 
 
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