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Tecnologia contra o frio: vinícola do RS usa sistema de aspersão de água para proteger videiras contra a geada


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  • mell280

31/08/2026 10h29

Tecnologia contra o frio: vinícola do RS usa sistema de aspersão de água para proteger videiras contra a geada

Luciano da Harmoniza


Durante a brotação, baixas temperaturas podem comprometer tecidos jovens da planta e afetar o potencial produtivo da próxima safra

As baixas temperaturas registradas no Rio Grande do Sul nas últimas semanas têm colocado os viticultores em estado de atenção. Em um momento particularmente sensível do ciclo das videiras, quando as plantas já iniciaram a brotação, produtores recorrem a diferentes estratégias para reduzir os efeitos da geada e preservar as gemas que darão origem aos futuros cachos.

Na Casa Marques Pereira, em Monte Belo do Sul, a proteção contra a geada combina tecnologia e operação em campo. A vinícola conta com um sistema automatizado de aspersão instalado em 2024 e também utiliza tratores para auxiliar na proteção dos vinhedos durante as madrugadas de temperaturas mais baixas.

O cuidado é especialmente importante nesta fase porque, antes da brotação, as gemas apresentam maior resistência ao frio. Com o desenvolvimento dos primeiros tecidos verdes, porém, a situação muda.

Segundo a Embrapa, os tecidos jovens da videira apresentam maior sensibilidade ao congelamento e podem sofrer danos irreversíveis quando submetidos a temperaturas próximas ou abaixo de 0 °C. O impacto pode atingir folhas, ramos e estruturas reprodutivas, comprometendo o potencial produtivo do ciclo.

Por que a água ajuda a proteger a videira?

Entre as estratégias utilizadas pelos produtores está a aspersão de água diretamente sobre as plantas. Embora possa parecer contraditório utilizar água justamente em uma noite de geada, o método se baseia em um princípio físico: quando a água congela sobre a superfície da planta, libera calor, mantendo a temperatura da mistura de água e gelo próxima de 0 °C.

Dessa forma, enquanto houver água líquida sendo aplicada continuamente, os tecidos da videira podem permanecer protegidos de temperaturas ainda mais baixas.

Na Casa Marques Pereira, o sistema automatizado produz uma fina névoa de água sobre as plantas. Ao atingir as gemas, as gotículas formam uma camada de proteção ao redor dos tecidos mais sensíveis com a camada de gelo que se forma. A necessidade se tornou mais urgente, ainda, por conta das últimas ondas de calor que foram registradas no final do mês de julho, isso antecipou a brotação das parreiras e deixou-as mais vulneráveias para as geadas tardias.

“Os aspersores fazem uma névoa de água com gotículas bem finas. Quando essas gotículas chegam à gema, formam algo similar a um ‘iglu’, que protege a gema das videiras de queimar”, explica Felipe Marques Pereira, vinhateiro e empresário à frente da Casa Marques Pereira.

Além da aspersão automatizada, os tratores são utilizados como uma alternativa complementar de proteção durante as noites de maior risco. A combinação de métodos permite ao produtor responder às condições específicas de cada episódio de frio e reduzir a exposição das plantas às temperaturas críticas.

Uma corrida contra o tempo

A preocupação com a geada não está apenas na temperatura mínima registrada, mas no estágio de desenvolvimento em que a videira se encontra. O inverno, por si só, faz parte do ciclo natural da planta. É quando a videira está em dormência que o frio exerce uma função importante para a quebra da dormência e a preparação para a brotação.

O problema surge quando temperaturas muito baixas ocorrem depois que os primeiros tecidos verdes já começaram a se desenvolver. É justamente nesse período que uma noite de geada pode transformar horas de frio intenso em perdas para o ciclo inteiro.

 

Por isso, a proteção precisa ser acionada de maneira preventiva e durante o período crítico. No caso da aspersão, a aplicação não pode ser interrompida enquanto as temperaturas permanecerem baixas, já que a interrupção pode permitir o congelamento dos tecidos.