30/08/2026 10h42
Escolas renovadas mudam rotina de 46 mil estudantes em Campo Grande
Investimentos do Governo Riedel em reformas, ampliações e modernização alcançaram 81 unidades da Rede Estadual na Capital
assessoria
Reformas e melhorias em 81 escolas estaduais de Campo Grande receberam R$ 192,3 milhões entre 2023 e 2026 e alcançam cerca de 46 mil estudantes. Unidades como Maria Constança e Professora Thereza Noronha ganharam novos espaços, acessibilidade, climatização e equipamentos. Com R$ 66,9 milhões em obras em andamento, a gestão Eduardo Riedel pretende manter a modernização da infraestrutura escolar como política permanente no próximo ciclo.
Durante anos, quem estudava ou trabalhava na Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado conviveu com problemas que faziam parte da rotina: pisos deteriorados, banheiros em condições inadequadas, um refeitório pequeno e uma quadra sem cobertura. Hoje, o diretor Reinaldo José Schmidt descreve uma escola diferente daquela que conheceu antes da reforma.
“Tínhamos problemas nos pisos, nos banheiros, um refeitório muito pequeno, a quadra não era coberta e hoje temos um ginásio para 400 pessoas. É uma diferença muito grande. Ficou uma outra escola para a comunidade”, afirma.
Diretor da unidade há sete anos, Schmidt percebe a mudança também dentro da sala de aula. Segundo ele, os novos espaços e equipamentos ampliaram as possibilidades de trabalho dos professores e alteraram a relação dos próprios estudantes com a escola.
“Você trabalha de forma mais dinâmica e isso contribui muito para o crescimento dos estudantes e para o aprendizado deles.
Motiva o estudante, motiva a família e a gente vê o aluno muito satisfeito com o espaço onde ele está”, relata.
A experiência da Maria Constança ajuda a dimensionar uma transformação que alcança diferentes regiões de Campo Grande. Entre 2023 e 2026, o Governo de Mato Grosso do Sul investiu R$ 192,3 milhões em reformas e melhorias na Rede Estadual da Capital, com 81 obras realizadas. As intervenções atingem diretamente o cotidiano de aproximadamente 46 mil estudantes.
Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, a estrutura física não deve ser tratada como elemento secundário da política educacional.
“A escola precisa ensinar, proteger e preparar para o futuro, e a estrutura física entra como condição para isso acontecer”, afirma.
Da sala de aula ao espaço de convivência
As obras realizadas nas unidades estaduais envolvem necessidades que interferem diretamente na rotina de alunos, professores e demais profissionais da educação.
Entre as intervenções estão a instalação de rampas, pisos táteis e banheiros adaptados para ampliar a acessibilidade; adequações das redes elétricas para climatização das salas e funcionamento de laboratórios; substituição de coberturas; pintura; reformas de quadras esportivas; além da implantação de novos ambientes e equipamentos tecnológicos.
Os valores das intervenções nas escolas da Capital variam de aproximadamente R$ 290 mil a R$ 5 milhões, de acordo com a dimensão dos serviços. Há desde reformas pontuais até ampliações, construção de novos blocos, instalação de placas solares e adequações para acessibilidade.
Um dos exemplos está no Parque Lageado. A Escola Estadual Professora Thereza Noronha de Carvalho teve a reforma e ampliação concluídas no início de 2026.
A unidade passou de dez para 15 salas de aula, todas climatizadas. Também ganhou quatro laboratórios, biblioteca equipada, sala dos professores, refeitório ampliado e cozinha renovada. A quadra esportiva foi revitalizada, uma horta escolar foi implantada e o estacionamento destinado aos profissionais da educação foi ampliado.
Para a diretora Márcia da Silva Teixeira Correia, a transformação não pode ser medida apenas pelo tamanho da obra.
“Mais do que uma obra física, recebemos um investimento que valoriza a educação, os nossos estudantes, os profissionais e toda a comunidade. Cada espaço foi pensado para atender melhor às necessidades da comunidade e contribuir para um ambiente escolar mais acolhedor e adequado ao processo de ensino e aprendizagem”, afirma.
São mudanças que ajudam a aproximar uma cifra milionária de uma realidade bastante concreta: para o estudante, infraestrutura significa encontrar uma sala climatizada em um dia de calor, conseguir utilizar um laboratório, praticar esporte em uma quadra adequada ou circular por uma escola acessível.
Em toda a Rede Estadual, a dimensão é ainda maior. Mato Grosso do Sul atende aproximadamente 190 mil estudantes em 352 escolas distribuídas pelos 79 municípios.
Quando a escola também conta a história da cidade
Em algumas unidades, a reforma precisa conciliar duas responsabilidades: preparar o prédio para as necessidades atuais da educação e preservar uma construção que faz parte da memória de Campo Grande.
É o caso da própria Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado, no bairro Amambaí. Única obra projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer na Capital, o edifício é considerado um marco da arquitetura moderna e foi tombado como
Patrimônio Histórico Estadual em 1995.
A escola foi restaurada e entregue em 2023. A intervenção incluiu reforma geral, serviços na rede elétrica e no telhado, pintura, recuperação de paredes e banheiros, além de ampliações e restauração voltada à preservação dos traços arquitetônicos do prédio.
A renovação chegou também aos equipamentos usados por estudantes e professores. A unidade recebeu lousas digitais, armários, mesas, conjuntos escolares, carrinho térmico para o refeitório, tablets e chromebooks.
É justamente essa combinação entre estrutura e instrumentos pedagógicos que Schmidt destaca quando compara a escola atual com aquela existente antes da intervenção.
A modernização, segundo ele, permitiu que os professores trabalhassem de forma mais dinâmica e ofereceu aos alunos espaços antes inexistentes ou inadequados. O ginásio com capacidade para 400 pessoas tornou-se um dos símbolos mais visíveis dessa mudança.
Outra escola tradicional de Campo Grande também está passando por intervenção. A Escola Estadual Joaquim Murtinho, localizada na Avenida Afonso Pena, encontra-se em processo de reforma.
Obras continuam na Capital
Apesar das intervenções já concluídas, a modernização da Rede Estadual ainda está em andamento.
Atualmente, R$ 66,9 milhões estão sendo executados em obras nas escolas estaduais de Campo Grande.
Outras três unidades têm reformas gerais previstas: a Escola Estadual Professora Flavina Maria da Silva, com investimento de R$ 5,7 milhões; a Escola Estadual Hércules Maymone, com R$ 11,2 milhões; e a Escola Estadual Lino Vila Chá, com R$ 18 milhões.
Somadas, essas três futuras intervenções representam outros R$ 34,9 milhões.
A continuidade das obras revela também a dimensão do desafio. “Reformar prédios não encerra as necessidades da educação pública: uma rede formada por centenas de unidades exige manutenção, atualização tecnológica, acessibilidade e adequações permanentes à evolução das práticas pedagógicas”, explica Riedel.
Apesar das ações, o desafio permanece: transformar melhores condições físicas, equipamentos, práticas pedagógicas e políticas educacionais em aprendizagem cada vez mais consistente.
Modernização como política permanente
A infraestrutura das escolas também aparece entre as prioridades apresentadas por Eduardo Riedel para um eventual próximo mandato.
Nos últimos três anos e meio, uma escola estadual foi reformada ou construída a cada seis dias. Foram investidos R$ 1,2 bilhão em reformas e equipamentos e aproximadamente 70% das escolas estaduais receberam algum tipo de intervenção.
Para o próximo ciclo, a proposta de Riedel é transformar esse ritmo de modernização em uma política permanente, com continuidade das reformas e melhorias da infraestrutura escolar.
A ideia é ampliar a presença de tecnologia, robótica e inovação nas escolas, fortalecer a educação em tempo integral no Ensino Fundamental e avançar na educação inclusiva, com expansão do Atendimento Educacional Especializado.
Por trás dessas metas, no entanto, permanece uma experiência bem menos abstrata.
Na Maria Constança, Reinaldo Schmidt não precisa recorrer aos números para explicar o que uma reforma significa. Basta comparar a escola dos pisos deteriorados, dos banheiros problemáticos, do refeitório apertado e da quadra descoberta com o espaço frequentado hoje pelos alunos.
Para quem atravessa todos os dias o portão de uma escola pública, a política educacional ganha uma medida muito concreta: é o lugar onde se aprende, se trabalha, se convive e onde parte importante do futuro começa a ser construída.
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