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Split payment vai mudar a forma como as empresas administram o caixa?


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22/08/2026 16h34

Split payment vai mudar a forma como as empresas administram o caixa?

Rafaelle Pereira


Novo modelo de recolhimento de tributos previsto na reforma tributária altera dinâmica do capital de giro e exige revisão de processos internos

 

 

 

A implementação do split payment, prevista na reforma tributária brasileira, deve mudar a forma como as empresas administram o caixa. O modelo, que prevê a separação automática do valor dos tributos no momento da liquidação financeira da operação, reduz o intervalo em que esses recursos permanecem disponíveis para a empresa. A mudança acontece em um ambiente no qual negócios brasileiros já convivem com alta complexidade operacional: segundo levantamento do Banco Mundial, empresas no país gastam centenas de horas por ano com obrigações tributárias, uma das maiores cargas burocráticas entre as economias analisadas.

Para Dema Oliveira, CEO e fundador da Goshen Land, o principal impacto na forma como as empresas estruturam suas decisões financeiras. “Muitas empresas cresceram utilizando o ciclo entre recebimento, pagamento de fornecedores e recolhimento de impostos como parte da dinâmica do capital de giro. Quando essa lógica muda, o empresário precisa entender com mais precisão o ciclo financeiro do negócio: quanto tempo leva para transformar venda em caixa, qual é a margem real de cada operação e onde estão os gargalos que consomem recursos”, afirma.

De acordo com o executivo, o primeiro passo para a adaptação é realizar um diagnóstico financeiro da operação. Isso envolve acompanhar indicadores como prazo médio de recebimento (PMR), prazo médio de pagamento (PMP), necessidade de capital de giro (NCG) e margem de contribuição por produto ou serviço. Com esses dados, a empresa consegue identificar quais áreas podem sofrer maior impacto e quais ajustes precisam ser feitos antes da implementação completa do novo modelo.

Outro ponto será a integração entre áreas que historicamente operam de forma separada. Financeiro, fiscal, comercial e tecnologia precisarão trabalhar com a mesma base de informações para acompanhar o impacto das transações em tempo real. Na prática, isso significa criar rotinas de acompanhamento, revisar sistemas de gestão, automatizar controles e estabelecer indicadores comuns para tomada de decisão.

A mudança também deve levar empresas a revisarem estratégias comerciais. Modelos de parcelamento, políticas de desconto, contratos de longo prazo e negociação com fornecedores precisarão ser analisados considerando a nova dinâmica de fluxo financeiro. Para empresas em fase de expansão, esse planejamento será especialmente importante, já que crescimento de receita nem sempre significa geração de caixa.

“O empresário precisa olhar para o split payment como uma mudança na arquitetura financeira do negócio. Empresas que conhecem seus números, acompanham seus indicadores e têm clareza sobre sua estrutura de capital conseguem tomar decisões melhores sobre investimento, expansão e crescimento”, conclui o especialista.

Sobre a Goshen Land

A Goshen Land é uma empresa especializada em expansão de negócios. Fundada por Dema Oliveira, ex-executivo da Samsung e da TIM, desenvolveu a metodologia das “7 Inteligências da Expansão” para apoiar empresas em estratégias de crescimento sustentável. Apenas em 2025, mais de 600 organizações passaram por seus programas, que, segundo a empresa, contribuíram para a geração de R$ 2 bilhões em receitas entre os negócios atendidos. Entre as organizações que já participaram de suas iniciativas estão Unilever, Claro, TIM, Caixa Econômica Federal e Bradesco.


 

 




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