19/08/2026 08h00
Plataforma Perfil Eleitoral usa tecnologia para ajudar eleitores a tomar decisão
Ferramenta online apresenta questionários por cargo e cruza as respostas de eleitores e candidatos; proposta é ampliar considerações para além da disputa presidencial
Escolher um candidato apenas pela lembrança de uma propaganda, pela indicação de amigos ou por uma decisão tomada na véspera da eleição é uma realidade para muitos brasileiros. Para ajudar o eleitor a comparar propostas e posições de forma mais estruturada, o empresário e profissional de tecnologia Alexandre de Alexandri criou a plataforma Perfil Eleitoral. “As pessoas se preocupam muito com o presidente, mas muitas vezes não acompanham quem vai ocupar o Senado e a Câmara. Não adianta escolher o presidente se ele não tiver apoio no Congresso para colocar suas propostas em prática”, afirma Alexandri.
Pesquisa Datafolha divulgada em junho deste ano mostra que 85% dos eleitores se lembram do voto para presidente nas últimas eleições, em 2022, mas apenas 23% dos entrevistados recordam a escolha para deputado federal. O mesmo estudo aponta ainda que quatro em cada dez respondentes não conseguem citar nenhum senador em exercício. “Esse é um cenário insistente e as novas tecnologias podem ajudar a todos. É uma preocupação minha, que os eleitores tenham acesso à informação de qualidade e mecanismos perenes não só de esclarecimento, mas também de acompanhamento dos eleitos após as eleições.”
O site funciona a partir de questionários sobre temas relevantes da agenda política brasileira. O eleitor responde às perguntas de acordo com suas próprias convicções e, depois, pode visualizar quais candidatos apresentam maior compatibilidade com suas ideias. A plataforma contempla diferentes cargos em disputa e permite consultar os concorrentes por estado e vaga. A proposta é oferecer ao usuário uma visão comparativa especialmente sobre candidaturas ao Legislativo, como deputado estadual, deputado federal e senador.
Como funciona a comparação
A coleta dos dados básicos dos candidatos teve início em 16 de agosto, após o encerramento do prazo oficial para cadastramento das candidaturas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A plataforma utiliza como fonte os dados públicos disponibilizados pelo próprio Tribunal no sistema DivulgaCandContas. As respostas dos candidatos são utilizadas para estabelecer a comparação com as respostas dos eleitores, que podem dar peso em cada tema do questionário. Quanto mais alto o peso atribuído, maior a necessidade do candidato ser compatível com determinado posicionamento.
O Perfil Eleitoral foi concebido como um instrumento apartidário de consulta e recomendação individual, e não como uma pesquisa de intenção de voto ou uma sondagem da preferência eleitoral da população. O sistema compara as respostas de cada usuário com as respostas dos candidatos cadastrados. O resultado exibido, portanto, é individualizado: ele indica o grau de compatibilidade entre as posições declaradas pelo eleitor e aquelas apresentadas pelos candidatos.
Segundo o criador, a confiabilidade da correspondência está diretamente relacionada às respostas fornecidas pelos participantes. Ou seja, o resultado não pretende prever o comportamento do eleitor nas urnas, mas mostrar quais candidaturas apresentam convergência com as posições que ele próprio declarou na plataforma. A ferramenta também pode ser uma forma de apresentação para candidatos menos conhecidos do público. “O importante é disseminar informação de qualidade e constituir uma fonte confiável, facilitando o acesso ao que foi registrado pelo TSE. Eu, como eleitor, tenho interesse nesse sistema. Torná-lo algo acessível ao grande público é um dever cívico”, reflete Alexandri.
Plataforma também acompanha mandatos
As respostas dos candidatos são públicas na plataforma e podem ser utilizadas pelos eleitores para comparação. Já os candidatos não têm acesso às respostas de eleitores individualmente. Segundo o empresário, os dados dos eleitores poderão ser apresentados aos candidatos apenas de forma estatística e agregada, permitindo visualizar tendências nas respostas dos usuários, mas sem identificar individualmente quem respondeu ou quais posições foram declaradas por determinada pessoa.
O Perfil Eleitoral também não solicita ao usuário a informação sobre em quem pretende votar ou efetivamente votou, preservando a privacidade e autonomia do eleitor e fazendo com que a ferramenta funcione como instrumento de comparação de ideias e não como mecanismo de identificação da escolha eleitoral. Desta forma, todas as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são observadas e garantidas.
Mas a proposta do Perfil Eleitoral não termina no dia da eleição. A plataforma pretende acompanhar, ao longo dos quatro anos de mandato, a atuação dos candidatos eleitos e comparar suas ações com as posições apresentadas durante a campanha. O objetivo é criar um histórico que permita ao eleitor avaliar posteriormente se o candidato manteve coerência entre o que defendia antes da eleição e aquilo que efetivamente realizou no exercício do mandato. “Assim, o cidadão poderá chegar à próxima eleição com algo mais importante do que novas promessas: um histórico do que cada eleito efetivamente fez”, afirma o profissional.
Mais de quatro décadas na área de tecnologia
O Perfil Eleitoral é o mais recente projeto de Alexandre de Alexandri, profissional de tecnologia com uma trajetória de mais de quatro décadas no desenvolvimento de softwares. Sua carreira começou na Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação da Prefeitura de Porto Alegre (PROCEMPA), e, a partir de 1981, passou a atuar no segmento de software-house. Trabalhou durante dez anos na SISPRO, tradicional empresa gaúcha do setor, até fundar sua própria empresa, em 1992.
Ao longo de mais de 30 anos como empreendedor, especializou-se no desenvolvimento de soluções de software e, nos últimos 25 anos, concentrou sua atuação em sistemas jurídicos para grandes corporações, principalmente no modelo SaaS. Há aproximadamente cinco anos, sua empresa foi incorporada pela SOMMA, pertencente ao grupo português UON. Desde então, Alexandri participa do desenvolvimento de uma nova geração de soluções jurídicas.
Em maio de 2026, decidiu iniciar o Perfil Eleitoral como um novo projeto, em paralelo à sua atuação profissional. A ideia nasceu de uma inquietação sobre a maneira como os brasileiros acompanham as eleições. Para Alexandri, a atenção costuma se concentrar principalmente na disputa pela presidência e pelos governos estaduais, enquanto cargos como senador e deputado acabam recebendo menos atenção, apesar do impacto das decisões sobre os rumos do país. “Essa é uma lacuna que precisamos, enquanto sociedade, preencher. Já temos mecanismos inteligentes que podem nos ajudar. Agora é trabalhar para que qualquer cidadão tenha acesso e possa fazer valer suas escolhas”, explica.
Sobre o Perfil Eleitoral
O Perfil Eleitoral é uma plataforma digital criada para aproximar eleitores e candidatos por meio da comparação de posicionamentos sobre temas relevantes da vida pública brasileira. A ferramenta organiza questionários por cargo, apresenta o grau de compatibilidade entre usuários e candidatos e busca estimular uma decisão de voto mais informada, especialmente nas eleições proporcionais e para o Senado. Saiba mais em https://perfileleitoral.com.br/




