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Redes sociais e IA aceleram vendas de imóveis de alto padrão?


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11/08/2026 05h23

Redes sociais e IA aceleram vendas de imóveis de alto padrão?

Monalise Bürger


Tours virtuais e atendimento remoto encurtam a busca, mas visita técnica e análise documental continuam decisivas na hora da compra.

 

Uma residência avaliada em milhões de reais pode chegar ao comprador antes mesmo de ele visitar a cidade onde o imóvel está localizado. Vídeos produzidos com drones, tours virtuais, plantas tridimensionais e catálogos reservados transformaram a apresentação de propriedades de alto padrão. A tecnologia reduziu distâncias e tornou a busca mais rápida, mas ainda encontra limites quando a negociação avança para a avaliação física e jurídica do patrimônio.

 

 

Para Gabriela Pereira, advogada especialista em direito imobiliário de alto padrão, a digitalização modificou a jornada de compra sem retirar a complexidade da transação. Quanto maior o valor envolvido, maior tende a ser a necessidade de confirmar as informações apresentadas, identificar riscos e verificar se o imóvel corresponde às condições divulgadas nos canais digitais.

 

 

Uma pesquisa encomendada pela Loft e conduzida pela Offerwise mostra a força desse novo comportamento. O levantamento ouviu 1,4 mil brasileiros entre abril e maio de 2026 e constatou que 33% utilizam redes sociais na busca por imóveis para comprar. Entre os interessados na aquisição, 43% acompanham tours e vídeos, enquanto 32% se sentiriam confortáveis em iniciar uma negociação pelas próprias plataformas.

Embora o estudo considere diferentes faixas de preço, seus resultados ajudam a compreender uma mudança relevante no alto padrão. Nesse segmento, o comprador costuma realizar uma seleção rigorosa antes de marcar visitas. Imagens de alta resolução, vídeos detalhados, mapas do entorno e atendimento por videochamada permitem eliminar opções incompatíveis com suas expectativas e concentrar a agenda nas propriedades mais promissoras.

Plataformas especializadas também passaram a utilizar inteligência artificial para cruzar preferências relacionadas à localização, metragem, arquitetura, privacidade, lazer e segurança. Em vez de percorrer uma sequência extensa de anúncios, o interessado recebe alternativas próximas ao perfil informado. Para compradores que vivem em outros estados ou países, esse filtro pode reduzir deslocamentos e facilitar a comparação entre mercados.

“A tecnologia encurta a fase inicial da busca e permite que o comprador chegue à visita com informações mais organizadas. O ganho de velocidade não elimina a necessidade de verificar o imóvel, a documentação e as condições jurídicas da negociação”, afirma Gabriela.

A expansão ocorre em um mercado de grande peso financeiro. Segundo estudo da Brain Inteligência Estratégica publicado pela Forbes Brasil, foram vendidos 10.607 imóveis acima de R$ 2 milhões nas capitais brasileiras em 2025. As operações movimentaram R$ 52,2 bilhões, valor 35% superior ao registrado em 2024. O volume ajuda a explicar o investimento de incorporadoras, imobiliárias e corretores em novas formas de apresentar propriedades e alcançar compradores qualificados.

A vitrine digital também cria desafios. Fotografias tratadas, perspectivas que ampliam ambientes, informações incompletas e recursos de decoração virtual podem produzir uma percepção diferente da realidade. Em empreendimentos ainda em construção, plantas, memoriais descritivos e materiais publicitários precisam ser examinados em conjunto. Nos imóveis usados, reformas, ampliações e instalações devem ser confrontadas com os registros e as autorizações existentes.

Conversas por aplicativos, propostas eletrônicas e documentos assinados remotamente deixam registros que podem ter relevância jurídica. O comprador precisa observar o conteúdo das mensagens, as condições inseridas na proposta, os prazos e as obrigações assumidas. A transferência da propriedade também não se encerra com uma confirmação pela plataforma: a aquisição depende do instrumento adequado e do registro do título no Cartório de Registro de Imóveis.

A privacidade merece atenção especial. A divulgação de fachadas, plantas, sistemas de segurança e localização exata de residências ocupadas pode expor moradores e proprietários. Catálogos restritos, verificação prévia do interessado e controle sobre o compartilhamento de imagens são medidas frequentes em negociações de maior valor.

“Uma apresentação sofisticada pode despertar interesse, mas não comprova a regularidade do bem. Matrícula, titularidade, licenças, débitos, situação condominial e eventuais restrições precisam ser analisados antes da assinatura”, explica a advogada.

As plataformas digitais já assumiram parte importante da descoberta, da comparação e do contato inicial no mercado de luxo. A visita presencial e a análise especializada permanecem como parte fundamental da decisão. Nesse segmento, a tecnologia acelera o encontro entre imóvel e comprador; a segurança da venda continua dependendo do que existe além da tela.

 



 


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