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Riedel prevê união da direita e defende reformas no país


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07/08/2026 10h00

Riedel prevê união da direita e defende reformas no país

_Em entrevista à Veja, governador cobra equilíbrio fiscal e reformas estruturais e propõe redução do número de partidos_

Assessoria


Governador Eduardo Riedel do MS

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A pouco mais de dois meses das eleições, o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato aprovado em convenção partidária à reeleição, projeta uma convergência da direita brasileira no segundo turno da disputa presidencial, critica a política econômica associada ao PT e defende que o país deixe de lado o que chama de excesso de “narrativas políticas e ideológicas” para retomar uma agenda baseada em equilíbrio fiscal, competitividade e reformas estruturais.

Em entrevista à revista Veja, Riedel afirmou acreditar que a atual fragmentação das forças de direita deverá ser superada naturalmente no segundo turno. Em Mato Grosso do Sul, onde construiu uma coalizão que reúne PP, União Brasil, PL, Republicanos e outras legendas, o governador atribui a convergência política em torno de sua candidatura aos resultados de sua administração.

Segundo ele, a realidade estadual é diferente da nacional porque seu governo buscou construir um projeto para Mato Grosso do Sul em vez de concentrar a administração em uma “disputa de poder”.

“Quando se entregam resultados, as forças políticas tendem a convergir em torno do projeto”, afirmou.

Riedel cita crescimento econômico acima da média nacional, redução da pobreza extrema, ampliação dos investimentos e baixos níveis de desemprego como elementos que teriam ajudado a sustentar essa coalizão.

No plano nacional, porém, reconhece um cenário mais fragmentado. “A direita ainda busca um caminho comum. Isso faz parte do processo”, disse.

*Apoio a Flávio Bolsonaro*

Embora tenha relação política com outros governadores ligados à direita, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, Riedel decidiu apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

O governador afirma que a opção ocorreu durante as convenções partidárias e refletiu a convergência dos partidos que formam seu campo político em Mato Grosso do Sul.

Riedel acredita que, independentemente da divisão observada no primeiro turno, haverá posteriormente uma concentração dessas forças.

“Acredito que no segundo turno haverá uma reunião natural em torno de uma candidatura única desse campo”, declarou.

Questionado sobre as investigações relacionadas ao Banco Master e as possíveis repercussões políticas envolvendo nomes como Flávio Bolsonaro e o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, Riedel defendeu que as responsabilidades sejam individualizadas e apuradas pelas instituições.

Para ele, é necessário separar fatos de narrativas que circulam principalmente pelas redes sociais. O governador afirmou ser contrário a julgamentos antecipados e disse que eventuais explicações devem ocorrer dentro do devido processo legal.

“As instituições e os partidos estão acima das pessoas”, afirmou.

*“Não sou do anti”*

Apesar do alinhamento eleitoral com a direita, Riedel evita se apresentar como antipetista.

“Não gosto dessa definição. Não sou do ‘anti’”, disse.

O governador reconhece a importância histórica do PT e o período em que a legenda esteve à frente da Presidência da República, mas afirma existir uma divergência profunda sobre o modelo de Estado e a condução econômica do país.

Na avaliação de Riedel, “a agenda econômica defendida pelo PT envelheceu”.

Ele sustenta que mudanças na economia internacional e na estrutura produtiva brasileira exigem novas respostas e considera insuficiente o debate atual sobre equilíbrio fiscal, competitividade, modernização administrativa e crescimento sustentado.

A crítica se estende ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Riedel, o Executivo federal estaria excessivamente concentrado em questões de curto prazo.

“Precisamos pensar menos em agendas de governo e mais em agendas de Estado”, defendeu.

O governador relaciona a retomada da competitividade brasileira à capacidade de equilibrar as contas públicas, recuperar a confiança dos investidores e promover reformas estruturantes.

Também critica o peso assumido pela disputa ideológica no debate público.
“O Brasil ficou muito capturado pelas narrativas políticas e ideológicas dos últimos anos. Eu sinto falta de uma discussão mais profunda sobre reformas estruturantes”, afirmou.

*Reforma política e fim da reeleição*

Entre as mudanças consideradas necessárias, Riedel coloca a reforma política como uma das prioridades.

O governador critica a quantidade de partidos existentes no país e afirma que a fragmentação excessiva dificulta a formação de projetos políticos mais claros.

“Não faz sentido imaginar que existam mais de trinta projetos ideológicos diferentes convivendo ao mesmo tempo”, disse.

Riedel defende um sistema com menos siglas e propõe mudanças significativas no calendário e na estrutura eleitoral: fim da reeleição para cargos do Executivo, adoção de mandato único de cinco anos e realização conjunta das eleições municipais e nacionais.

Na avaliação do governador, o modelo atual mantém o país em uma espécie de campanha permanente, com eleições realizadas a cada dois anos.

“A cada dois anos, o país interrompe suas agendas para discutir eleições. Não considero isso saudável para a sociedade nem para a administração pública”, afirmou.

*Investimento privado e ambiente econômico*

Produtor rural antes de ingressar na vida política, Riedel também faz uma análise mais ampla sobre a relação entre governo e setor produtivo.

Ao ser questionado especificamente sobre o agronegócio, ampliou o debate para o conjunto da economia.

Na avaliação do governador, a questão central é a existência de estabilidade, previsibilidade e confiança suficientes para que empresários decidam investir.

Riedel reconheceu como positivo o avanço das concessões e parcerias com a iniciativa privada no governo Lula, inclusive em projetos relacionados a Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, apontou o que considera uma contradição entre essas iniciativas e setores políticos tradicionalmente críticos às privatizações.

Para ele, a prioridade deve ser construir um ambiente econômico favorável aos investimentos privados, independentemente do setor.

A mesma busca por pragmatismo aparece em sua avaliação das negociações comerciais brasileiras com os Estados Unidos. Riedel considera que houve “excesso de narrativas e pouca objetividade” na condução do chamado tarifaço.

“Bravatas funcionam em palanque, mas não resolvem problemas comerciais”, afirmou.

Segundo o governador, o Brasil deveria recuperar uma tradição diplomática baseada em negociação e estabelecer uma estratégia comercial de longo prazo.

*Fronteira transforma segurança em problema nacional*

Outro ponto central da entrevista é a segurança pública.

Governador de um estado que possui mais de 1,5 mil quilômetros de fronteira internacional, Riedel afirma que o enfrentamento ao tráfico e às organizações criminosas depende de três elementos: investimento, inteligência e integração.

Para ele, justamente a integração entre União, estados e municípios representa um dos maiores desafios.

Riedel destaca a atuação conjunta do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal nas apreensões realizadas em Mato Grosso do Sul, mas argumenta que a posição geográfica do estado produz consequências que ultrapassam sua responsabilidade administrativa.

Segundo os dados mencionados pelo próprio governador na entrevista, Mato Grosso do Sul possui taxa de encarceramento de 700 presos para cada 100 mil habitantes. Riedel relaciona parte dessa pressão sobre o sistema prisional às prisões vinculadas ao tráfico internacional.

Para ele, esse cenário demonstra que o enfrentamento às facções criminosas não pode ser tratado apenas como responsabilidade estadual.

“Isso demonstra que o combate às facções deixou de ser um problema regional. É um problema nacional e internacional”, afirmou.

Riedel avalia ainda que, em determinados pontos do país, o crime organizado avançou mais rapidamente do que a capacidade de reação do poder público.

Segundo ele, as organizações criminosas ampliaram sua capacidade financeira, internacionalizaram suas operações e passaram a ocupar espaços deixados pelo Estado.

“Quando uma organização criminosa substitui o Estado em determinado território, ela passa a impor regras próprias, controlar comunidades e interferir diretamente na vida das pessoas. Isso é extremamente grave”, declarou.

*Maioridade penal e prevenção*

Dentro da mesma discussão, Riedel se posicionou favoravelmente ao debate sobre a redução da maioridade penal.

O governador argumenta que, ao longo do tempo, a sociedade reduziu limites de idade para diferentes direitos e responsabilidades e considera que a esfera penal também deve ser discutida.

Mas ressalva que uma alteração na legislação, isoladamente, não solucionaria o problema da violência juvenil.

Riedel defende que o Estado combine responsabilização com educação, qualificação profissional, oportunidades de emprego e políticas capazes de impedir que adolescentes e jovens retornem às mesmas condições sociais que favoreceram sua aproximação com o crime.

“Se o Estado não ocupar esse espaço, alguém vai ocupar. E, muitas vezes, quem ocupa é o crime organizado”, afirmou.

*Rota Bioceânica e o futuro de Mato Grosso do Sul*

Ao projetar os próximos anos, Riedel coloca a transformação econômica e logística de Mato Grosso do Sul no centro de sua estratégia.

A intenção, segundo ele, é consolidar o estado como polo logístico, industrial e de serviços, aproveitando a diversificação econômica e os investimentos privados.

Nesse projeto, a Rota Bioceânica ocupa posição estratégica.

O corredor rodoviário previsto para conectar o Brasil ao Oceano Pacífico é tratado pelo governador como instrumento capaz de reduzir custos logísticos, aproximar a produção brasileira dos mercados asiáticos e transformar Mato Grosso do Sul em uma plataforma de distribuição para diferentes regiões do país.

Riedel argumenta que a posição geográfica do estado — fronteiriço com Paraguai e Bolívia e conectado a diferentes regiões brasileiras — oferece condições para que Mato Grosso do Sul ganhe importância crescente nas cadeias de importação e exportação.

Para o governador, entretanto, o crescimento econômico não deve aparecer isoladamente.

Ao definir o legado que pretende construir, Riedel associa desenvolvimento a responsabilidade fiscal, políticas sociais e educação.

“Gostaria que fôssemos reconhecidos como um estado que cresceu sem abrir mão da responsabilidade fiscal, da inclusão social e da educação”, afirmou.
 
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